Dedico e dirijo este blogue a todos aqueles que tiverem passado (ou estiverem a passar) por histórias de cancros, quer como protagonistas, quer no papel de acompanhantes na luta contra a doença, mas espero por cá encontrar qualquer contributo que qualquer um considere válido.
A intenção principal é trocar experiências de forma direta e sincera, sem necessidade de qualquer apoio no escudo da força constante e do pensamento sempre positivo, que tantas vezes não estão presentes, mas parece haver uma imposição social para que assim seja...
Sejam bem-vindos! E divulguem este blogue!


Por aqui, discorre-se sobre:

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riscos marcantes

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No dia 11.1.11, este blogue passou a ser escrito à luz do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Depois do Segundo Ciclo, a Alopécia


Um dos frascos dos vários venenos que me entraram na veia por seis vezes continha um líquido vermelho que, entre outras arrelias que provocava, fazia cair o cabelo.
Três dias depois da segunda sessão, iniciou-se em mim um processo de alopécia, que aguentei durante cinco dias. Depois disso, num sábado à tarde, reuni a família para colaborar na minha sessão de corte radical do cabelo.
Fiz o que me aconselharam - rapei -, pois já iam ficando cabelos em todos os lugares da casa, em todos os centímetros das minhas roupas e, sobretudo, na minha almofada.
Fiz do corte uma sessão fotográfica em que a modelo ia ficando com o cabelo cada vez mais curto, facto que ia sendo registado na retina, na memória, na máquina digital...
Depois das muitas tesouradas, tentando penteados estilosos, cheguei a um ponto em que os meus filhos me acharam parecida com a professora de guitarra (que usa o cabelo muito curtinho), e essa comparação animou-me, pois ela até fica bem engraçada com aquele penteado. Pior foi depois de ter usado a máquina com o pente quatro, pois, nesse estado, os meus sinceros piolhos já me acharam parecida com um homem. E depois do pente zero, tiraram-me a foto que aqui se vê (é a primeira da minha careca) e perguntaram se eu ia andar assim na rua.
Claro que não andei assim na rua. Era Março em Viseu e o frio entrava-me pela cabeça.
Já tinha comprado uma cabeleira em Lisboa, já a tinha levado ao cabeleireiro, para ele a cortar ao jeito do meu cabelo, e experimentei sair com ela. Foi uma vez. Parecia uma "dondoca" e o frio entrava-me pelos buracos da rede que aquilo tem por dentro. Portanto, no dia seguinte, comprei a primeira de muitas boinas giraças e assim andei sempre, quer ao frio, quer ao calor, enquanto o cabelo não cresceu a ponto de se poder dizer que já tinha a cabeça coberta de pêlo...
Falta dizer que, na mesma data do meu corte, o meu marido rapou também o cabelo e ficámos ambos carecas.



Claro que o cabelo dele ia crescendo e as minhas pequeninas pontinhas até caíram todas. Portanto, ele optou por, de tempos a tempos, chegar a lâmina à cabeça (com a minha ajuda), para não me ultrapassar na cobertura do escalpe.
Hoje já tenho o cabelo comprido, de novo aos caracóis, que dão um certo trabalho, enquanto a careca era um descanso...