
Experimentei o meu vestido novo, de um florido 'vintage'. Estava nos últimos preparativos da indumentária familiar, para irmos todos ao batizado. À Maria, faltavam umas meias para ténis; ao Quico, o gel para o cabelo; ao Miguel e ao Tiago, uma passadela a ferro nos calções; ao papá, baterias carregadas para as câmeras; e a mim, faltava um sutiã de cruzar atrás.
Ainda pensei em descoser as alças de um dos sutiãs que tinha na gaveta e voltar a cosê-las cruzadas, só para não ter de sair, mas o Pedro convenceu-me a ir tomar o ar do fim da tarde, e podia até procurar a flor para o cabelo que eu tanto desejava havia dias.
Intimissimi, Triumph, Women's Secret..., entrei, experimentei, vesti e despi, transpirei, quase desisti... E eu que nem preciso de sutiãs, logo agora, a menos de um mês de mudar de mamas!...
Os sutiãs de cruzar têm todos aro e almofada, e formam, por isso, uma espécie de concha semi-rígida na copa. E as minhas mamas, de tão desiguais, não admitem copas em concha, sob pena de, ao baixar-me ligeiramente, a copa esquerda ficar naturalmente cheia, enquanto a direita fica notoriamente vazia.
Ainda maldisse o médico que assim me deixou e não mais quis saber de mim, ainda me escorreram duas lágrimas que nasceram grossas, da acumulação provocada pela tentativa de retenção...
E acabei por comprar um sutiã sem aros nem almofadas, cujas alças não cruzam. Amanhã descoso-as cuidadosamente e volto a cosê-las. Cruzadas!