Eu fiquei deliciada com a descoberta. ;)
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Bem hajam, meninas rosas que eu tanto admiro!

No início de mais um ano, apetece-me homenagear todas as meninas que me ofereceram palavras e gestos de carinho, sem esperarem nada em troca.
Com esse universo admirável aprendi o que espero conseguir praticar durante este ano, e cada vez melhor, enquanto me mantiver neste mundo: a graça dos gestos de abnegação e o prazer em fazer feliz, sem mais.
Obrigada, amigas, por todos os mimos, pelos incentivos, pelo ânimo que conseguiram oferecer-me. E um fantástico 2012, para todas vocês!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
A Inveja é a Pior das Misérias Humanas!

Quero, portanto, agradecer a quem se sentiu impelido para me mimar, apesar de eu não me ter exposto em busca do mimo, mas sim em nome da partilha de problemas existenciais, com a qual tenho aprendido muito e que me tem feito muito bem.
Apetece-me, contudo, lamentar ("quem não se sente não é filho de boa gente"...) o facto de, a páginas tantas, me terem lançado as seguintes questões retóricas: "Mas não estás viva ? E não tens marido e quatro filhos, para amar e ser amada?" E eu imaginei logo a possibilidade de virem outras, ainda mais mesquinhas, do género: "Mas não tens casa e carro?" Ou "Mas não tens televisão e net?" Como se, na vida, nada do que se passa connosco nos devesse entristecer, por já termos algo que muitos outros não têm e gostariam de ter, ou, apenas, algo que já não é nada mau ter !... Para isto, mais valia o silêncio - foi o que senti. E logo percebi a inveja, que já tantas vezes me bateu à porta, não só por ter quatro filhos e marido, mas, especialmente, por ser muito feliz com eles. Há quem o evidencie de formas saudáveis, até dizendo francamente que eu sou uma sortuda e que também gostavam de ter quatro filhos, que coisa gira... E eu sinto-me saudavelmente orgulhosa por ser mãe de uma turminha maravilhosa, que, contudo e felizmente, não é o mesmo que ter em casa quatro jarrões de enfeite, ou seja, fico com a ideia de que há pessoas que não conseguem avaliar o que é criar quatro filhos (especialmente nos tempos que correm, pois a minha avó teve bastantes mais e tudo lhe foi, se não mais fácil, pelo menos, menos estressante.
Ora, recapitulemos, sintetizando opiniões alheias: por estar viva e ter marido e quatro filhos, eu já não devo sentir-me triste por ter tido um cancro, que originou já seis cirurgias em três anos, não tendo ainda o bisturi dado mostras de se ter quedado, para não mais me tocar...
Ora bem, a inveja nem é dos filhos e marido que eu tenho (embora isso contribua para o ponto de rebuçado...), nem é das cirurgias que me retalharam o corpo. A inveja é das atenções que eu granjeio, por uma e outra razões, e que tal gente queria mesmo era que eu não tivesse, pelo que tenta que eu deixe de ter, menosprezando os meus sentimentos, numa ânsia de encontrar opiniões concordantes...!
Como se não bastasse, houve ainda quem se tenha incomodado com o meu lamento por haver tantos falantes e escreventes da língua portuguesa que não o fazem de forma correta simplesmente por não darem valor à língua e serem de opinião que, desde que nos entendamos, qualquer forma de uso da língua (correta ou não) serve perfeitamente, e, na primeira oportunidade, tenha procurado provar a minha ignorância e manifestar a sua superioridade. Eu não queria meter-me em novelas, por isso fui apenas até ao ponto de ficar claro que não deixo os meus créditos por mãos alheias, muito concretamente quando alguém que se assume como muito conhecedora de causa até só já está é a meter os pés pelas mãos e, quanto mais alega, mais se enterra. Depois disso, retirei-me e não volto!
Os invejosos que arranjem maneira de lidar com as suas invejas, se por acaso é a mim que invejam, pois troco meu não haverá mais. Ficarão a falar sozinhos, até se enxergarem. E, se não enxergarem, pior para eles, pois da pior das misérias humanas não estarão a libertar-se!
Episódios:
Reações Alheias,
Reações Pessoais,
Sentimentos negativos
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Não há limites quando há amor! Isso é para quem não se ama!
Na sequência do post anterior e
Não consigo ficar indiferente ao facto de saber que existem pessoas que acham que o meu marido me atura apenas porque é uma pessoa extremamente boa e não ia deixar-me nunca.
Realmente, ninguém é de ferro! Nem eu, caramba!
Algumas dessas pessoas o que sentem é inveja do meu casamento saudável; outras nunca devem ter gostado muito de mim... Azar o delas (desculpem-me a secura)!
É que nós amamo-nos, que diabo!
domingo, 9 de outubro de 2011
"Tudo tem um limite" - disse ela!

Entre uma consulta e outra, em dias consecutivos, ela quis saber da minha saúde, naquela conversa de circunstância que sempre acontece nos sofás das salas de visitas.
Fui pormenorizando os últimos episódios do meu infortúnio, ainda tão pesado para mim e já a caminho dos quatro anos, e ela, temendo que algo de semelhante aconteça ao Pedro, encontrou ensejo para me pedir que o convença a ir ao médico e a fazer exames, pois já sabemos que, mesmo não havendo queixas, pode passar-se algo de errado com a saúde das pessoas.
Claro que eu concordei com a necessidade de todos nos vigiarmos, mas esclareci que ele nunca foi de ir ao médico sem queixas, acrescentando que, neste momento, coitado, deve estar a ficar farto de médicos, por já tantas vezes me ter acompanhado, nesta luta já longa - apesar de ele nunca ter dado o mínimo sinal de cansaço desse tipo!
E foi então que lhe saiu:
- Pois tens mesmo de contar com isso, porque tudo tem um limite.
E eu fiquei petrificada. Não sei se toda a gente tem noção do que é sentir uma pancada seca no estômago. Eu já a confirmei e reconfirmei muitas vezes. Mas nunca consigo falar, por mais experiente que seja. E é disso que muita gente me acusa. De não falar, mas, depois, escrever. Eu diria que faço o que posso, aquilo que consigo, e que o faço para me libertar da carga. E que, se há quem não consiga escrever, mas parta a loiça toda a falar, eu sou ao contrário. Mas terei menos direito de existir por isso?!...
"Tudo tem um limite"! E aqui o 'tudo' referia-se à capacidade de o meu marido aguentar ser o companheiro de uma mulher com problemas de saúde, por tanto tempo. Eu teria, portanto, de contar que ele se fartasse...
Eu poderia ter retorquido que nos casámos com intenção de aguentarmos juntos o bom e o mau, até que a morte nos separe, e que ainda pensamos assim, pois nos amamos hoje ainda mais do que no dia em que nos prometemos..., mas talvez não o tenha feito por, no fundo, perceber que, se o fizesse, a conversa acabaria por chegar ao divergente conceito de 'limite', que ali se anunciara, e eu já tenho chatices mais do que suficientes para me sentir derrubada pelo mundo...
Mas também poderia ter concordado, desviando habilmente (talvez dando a entender ter percebido mal) a questão para o meu lado, até porque tenho razões de sobra para sentir que os meus problemas já passam do limite aceitável para quem os sofre na pele! Mas também não fui por aí... Apenas fiquei, mais uma vez, a interrogar-me, em silêncio, sobre a razão de não gostarem de mim!...
sábado, 8 de outubro de 2011
É tudo junto!

Tudo o que me dava estabilidade se foi. E estou, aos 47 anos, a viver uma situação de novata no local de trabalho (25 anos depois de me ter estreado como professora) e até de novata no sistema, que sofreu inúmeras alterações enquanto estive ausente, sentindo-me ainda bem pior do que se de uma novata eu me tratasse, pois de mim espera-se experiência, savoir faire, capacidade de gestão do trabalho, e a frescura e a descontração aliadas a tudo isso.
Há quatro anos, eu sentia-me perfeitamente integrada, tinha já muitas provas dadas e era respeitada como profissional competente; agora, sou uma colega que anda há três anos a tentar levar um ano letivo adiante, mas nunca faz mais do que um mês, após o que contribui para a instabilidade da escola, que tem de gerir o processo da sua substituição, com tudo aquilo que ele acarreta. Há quatro anos, era uma professora da casa; agora, sou uma espécie de aleijada, que precisava de alguma ajuda para levar a sua vida profissional em frente, mas, como não tem mau aspeto (tem apenas mais doze quilos do que antes!...), não é levada a sério na sua necessidade específica e acaba por não receber qualquer ajuda (trabalhar sempre na mesma sala seria importante...).
Não há nada na lei que proteja o regresso ao trabalho de um doente oncológico, mas há vários tipos de doenças oncológicas, como há vários tipos de cancro da mama, como cada caso é um caso e cada pessoa é um ser diferente dos seres que são as outras pessoas. E algo que existe, de facto, é uma coisa chamada "autonomia das escolas", a qual tem permitido situações vantajosas do arco da velha, para pessoas não necessitadas, mas a mim nunca permitiu nada... Ou, melhor, permitiu o meu arrastanço no tempo de baixa, vivido em casa, sofrendo de solidão e em permanente acumulação de sensações de falhanço e de despréstimo.
Eu sei que era boa profissional! Mas sei também que já não acredito nas pessoas e que isso me retira a vontade de primar pelo profissionalismo, sendo que tal esforço agrava ainda mais o meu mal estar físico!
Para ajudar à minha "festa", há ainda os nódulos que descobri em mim há cerca de duas semanas, um na mama nova e outro numa virilha, os quais estão ainda longe de ser esclarecidos...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Tudo isto é cancro!

Invento, diariamente, forças e sorrisos, quer para trabalhar na escola e em casa, quer para me manter presente e ativa nos tempos de lazer da família. Mas não sei até quando, pois o cansaço é extremo, por razões várias e sem que haja alguém para me acudir... Até porque há tanta gente que teve cancro há pouco tempo e já anda feliz da vida, a trabalhar e com uma genica invejável!!!... :(
São muitas as vezes em que me apetece desistir de tudo!
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A Coragem que Sempre Temos
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
'Rezas e Crenças' Versus 'Palavras de Cumplicidade' Barra 'Destino'

Todavia, a entrada na minha quinta década de existência, que, à partida, me prometia (pelo que se ouve dizer) os melhores anos até então, aqueles em que, ainda não sendo velha, a pessoa já tem experiência de vida suficiente para aproveitar, de uma forma sábia, o facto de estar viva , trouxe-me uma catadupa de desilusões relativamente à existência, que me desnortearam durante muito tempo. Falo de quase oito anos de aprendizagens forçadas e fortuitas, as quais provocaram mudanças radicais na minha maneira de olhar, sentir e agir sobre o mundo...
As surpresas relativamente ao conhecimento de pessoas que estavam garantidas como parte de mim, o modo como os agentes da medicina desumanizam (ou não humanizam!) a relação com os seus doentes, a intolerância de imensos seres que me rodeavam relativamente a conversas sobre o assunto 'cancro', a incredulidade de alguns relativamente ao facto de eu ter tido necessidade de estar quase três anos em casa, a impetuosidade com que muita gente faz comparações, pensando que sabe do que fala, mas sem saber... E o corpo a ser mutilado, a obrigatoriedade de lidar com essa realidade (olhar e ver, resolver problemas de vestuário de todos os tipos...), as sucessivas intervenções cirúrgicas, os pós-cirúrgicos, que nunca estão resolvidos antes de, pelo menos, seis meses decorridos, a necessidade de reinventar a relação sexual...), os tratamentos, a carecada, os efeitos secundários da químio, os efeitos secundários da rádio, os azares em cinco dos seis pós-operatórios (estou ainda a viver o mais recente desses azares), os doze quilogramas a mais, provocados pela ingestão diária do medicamento que trava a produção de estrogéneos, para prevenir uma recidiva de um cancro hormonodependente... tudo isto e, talvez, muito mais, que agora não me vem à mente, contribuiu para uma "desaprendizagem" de vida, difícil de admitir e de gerir, contribuindo, também este fator, para a depressão profunda que, felizmente, já lá vai.
A doença foi encarada por mim com a naturalidade de qualquer coisa má que nos acontece e que exige o nosso empenhamento e toda a nossa disponibilidade (aquela disponibilidade que nos obriga a encararmo-nos como o centro das nossas atenções, ficando até os filhos para o plano que for possível, em função da nossa recuperação...), para ser resolvida. Nunca pensei que iria morrer, talvez até tenha sido demasiado otimista, pois, olhando para trás, percebo que devo ter pensado que, com a mastectomia e a reconstrução imediata, usando silicone, tudo ficaria resolvido - sem ignorar a eventual necessidade de químio e rádio, claro.
Nada tem sido fácil, nestes três anos. E as fases por que passei foram muitas, incluindo seis recomeços, seis vezes que me ergui de quedas, com características idênticas, mas sempre com muitas características diferentes, também.
Neste tempo, em termos de relações humanas, tive várias experiências distintas: afastamento de pessoas de sempre, tendo, algumas delas investido em novos relacionamentos, ligação virtual e, posteriormente, real, a pessoas que desconhecia, sendo que, algumas já se foram e outras ficaram, têm estado, têm sido! E, também, pessoas que dizem que têm rezado por mim, algo que, há muitos anos não faço por ninguém, nem pelos meus filhos, quando estiveram internados, nem por mim própria, em nenhuma das minhas visitas a blocos operatórios.
Há quase uma legião de tias (minhas e do meu marido), para além da mãe e da sogra (e ainda outras pessoas) que rezam por mim há muito tempo. E eu agradeço-lhes carinhosamente, sem mais pensar no assunto. Mas a verdade é que eu entro sempre descontraída no bloco (desde o dia em que sabia que me iam cortar uma mama) sem pensar em mais nada a não ser que se faça o que tem de ser feito, e recordo todos os rápidos adormecimentos resultantes das anestesias como momentos de entrada na calma absoluta. Tanto assim é, sempre, que, se por ali eu me vier a ficar algum dia, terei deixado esta vida de uma forma desejável.
Temos, portanto, que eu não temo cirurgias em si, mas, do pós cirúrgico, só gosto dos primeiros tempos, em que o sofrimento costuma ser em maior volume, mas as atenções para com o doente, quer por parte das equipas hospitalares, quer por parte das familiares (e de amigos...) são consideravelmente apreciadas por mim.
A quem me considera "menina mimada" eu até diria que, apesar de ser mimada pelos que me amam, de facto, esse não é o mimo que se obtém quando se está doente e tratam de nós, fazendo-nos aquilo que nós costumamos ter de fazer. E isso é tão bom na doença... Isso e as palavras especiais, que certas pessoas conseguem encontrar, para nos oferecerem nesses tempos duros. Especiais, mas não lamechas; especiais, mas concretas, específicas, íntimas, de quem se preocupa em saber o que mais faz falta a quem está em sofrimento.
Essas palavras especiais eu sinto profundamente e agradeço eternamente, se me as dirigirem, sinceras, quentes... As orações das tias eu também agradeço, pois é a maneira que elas têm de me demonstrar que se preocupam comigo e que me desejam tudo de bom. Todavia, não me ligo a quaisquer palavras, sejam elas orações conhecidas ou orações espontâneas, no sentido de pensar que elas têm qualquer poder para garantirem qualquer espécie de sucesso. E foi com a minha mãe, que continua a ir à missa, ao terço, às procissões... e a rezar, que aprendi isto. Disse-me ela um dia: "Se rezar desse o resultado que nós pretendemos, o meu pai não tinha morrido quando eu ainda era jovem, pois eu rezei tanto para que Deus não o levasse..."
O que se passa comigo agora é tão simples e tão duro quanto isto: Não acredito em nada nem em ninguém (quem estiver a ler isto que me perdoe, se puder), pois nada daquilo em que me ensinaram a acreditar, nem as rezas das tias, nem as palavras que me pareceram de amizade tiveram qualquer sucesso, se pensarmos no que era pretendido. Mas, para mim, isso até é lógico, pois há algo em que creio seriamente: é que a nossa hora de partida está programada, como esteve a de chegada, por muito que se possa contrapor...
Dirão, talvez, que, se assim é, é porque acredito em alguma transcendência. Acredito, sim. Mas não sei o que é, nem me preocupo com isso. Talvez até acredite só por necessidade de satisfazer a minha curiosidade permanente em conhecer as razões de tudo e mais alguma coisa, tendo de admitir que há verdades que não consigo explicar... Acredito no Destino, portanto, e que contra ele não se luta, até porque o Destino é algo desconhecido e contra o desconhecido é difícil escolher armas adequadas...
E quanto às minhas tão amadas palavras, digo que sei lá se ainda as amo! Não consigo deixar de as utilizar, mas, se é amor o que lhes tenho, já duvido muito, pois já sofri muitos dissabores à custa da maneira como interpretaram o modo como eu as usei...
Há muito pouco tempo, uma amiga disse-me que a realidade não existe; o que existe é o modo como cada um de nós vê, interpreta os acontecimentos... Talvez ela até tenha razão. Convirá é assumir que esse postulado, se é válido para alguém, é, necessariamente, válido para toda a gente..., nomeadamente para dois observadores de determinada circunstância.
Pensemos, então, só como exemplo, na circunstância de nos cortarem uma mama! E digamos: esta realidade não existe; o que existe é o modo como cada um de nós a vê, a sente, a interpreta, a vive!...
Curioso, não é!? Alguém pensará que a pessoa a quem levaram a mama poderá sentir este facto (se não é realidade, poderemos chamar-lhe 'facto'?!) do mesmo modo que os seus familiares, amigos, amigas, equipas médicas?! Não, pois não!? Mas deveria?! Ou é perfeitamente natural que quem mora num corpo que foi mutilado tenha uma visão desse facto consideravelmente mais sofredora do que qualquer outra pessoa, por mais chegada que seja?! E é ou não natural que precise de algum apoio extra..., nomeadamente de desabafar, e que se entristeça e se sinta sozinha e abandonada, se isso não acontecer, até porque quando esse sofrimento físico (que afeta muito a psique) não existia, essa pessoa era normalmente solicitada?!...
Rezas, crenças, palavras amigas... não são mais do que inerpretações pessoais, perspetivas individuais do que acontece ou poderá vir a acontecer! Será?!...
Já quanto a dores físicas e psicológicas sentidas pelo próprio... Bem, eu digo, já vacinada contra as pessoas que me consideram lamechas, que já sofri um bom bocado, ao ponto de me apetecer trocar o que sentia por "alguns anos de descanso eterno", como escrevi no post anterior. Mas será que isso que senti no corpo, na alma e na mente foi tudo (e ainda está a a ser) ilusão minha? A nossa vida será, afinal, uma imensa ilusão? Se o for, será para todos, não?! Ou serei eu uma ave rara?!...
domingo, 7 de agosto de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Ultra-cansada de comparações

(Tram Flap não é igual a Apendicectomia, nem a Cirurgia da Próstata, nem a Cesariana, nem a Abdominoplastia, nem a Histerectomia...!)
As intervenções medicamente assistidas a que eu já me submeti, ao longo da vida, têm os seguintes nomes, por ordem de ocorrência:
amigdalectomia - 1968
apendicectomia -1989
parto normal, com epidural - 1995
parto normal, com epidural - 1997
2 amniocenteses - 1998
2 partos normais, com epidural - 1999
mastectomia e mamoplastia para colocação de expansor - 2008
mamoplastia, de urgência, para troca de expansor rebentado - 2008
mastopexia e mamoplastia para retirada de expansor e colocação de prótese - 2009
mastopexia e mamoplastia para recolha de retalho e colocação de aréola - 2010
histerectomia e anexectomia bilateral - 2011
tram flap - 2011
Uma realidade sobre a qual não posso pronunciar-me com conhecimento de causa é a cesariana, mas quase tenho pena de não ter essa sabedoria, pois já tanta gente comparou o meu tram flap com a sua cesariana ou com a cesariana de outrem...
Genericamente, as pessoas têm tendência a fazer comparações e a fazê-las de uma forma impensada, pois é comum a noção de que já se viu e ouviu muito, pelo que... já se sabe do assunto.
Eu sei que, provavelmente, eu agiria do mesmo modo, se nunca tivesse sentido agressões físicas mesmo incomodativas, mas já que é impossível chegar a qualquer certeza quanto a isso, gostava mesmo que as pessoas que me interrogam o fizessem porque querem mesmo saber e não para me mostrarem que já têm experiência na matéria, seja por que forma for.
O meu cancro não me parece estar a tornar-me a pessoa melhor que eu me convenci que iria ser. Porque estou intolerante à intolerância dos outros: os que não querem falar; os que me abandonaram; os que sabem bem (mal) o que eu passei e estou a passar...
Há muita gente para quem os cancros são todos iguais e as cirurgias, com os seus períodos pós-cirúrgicos, também. Perante isto, eu sinto-me não mais do que um objeto, igual a tantos outros, de quem já todos sabem tudo.
E mais: cirurgias e pós-operatórios (e até químios e rádios) são banalidades da existência!...
Bem, vivo neste momento o pós tram flap, e, daqui a alguns meses, farei a aréola e o mamilo, a partir da pele da parte interna da coxa, junto à virilha.


A mama nova saiu toda da barriga e o músculo abdominal subiu, por dentro, até à mama, sendo ele que a alimenta. No lugar dele, na zona abdominal, está uma rede, para im-

E agora vou referir aquele aspeto em que alguém que esteja a ter pachorra para ler isto já estará a pensar: "Mas porque é que ela expõe isto tudo?"
Exponho porque preciso, criando a ilusão de que me leem e me entendem, com intenção de dividir todos os tipos de dor que tenho tido nestes três anos e meio, fingindo acreditar que isto é partilhar a vida e, assim, torná-la menos dura; exponho por absoluta necessidade de verbalizar aquilo que as pessoas me mostram que é maçador quando ouvem; exponho, talvez, com a mesma necessidade que outras pessoas têm para esconder, calar.
A Educação para a Saúde devia conter uma unidade de Educação para a Doença, onde se aprendesse, em primeiro lugar, que cada doente é um ser humano diferente dos outros e que devemos saber como é que ele prefere ser tratado por nós no seu período mau...
Para finalizar, refiro que, de todos os "pós" que já vivi, este é o que me está a custar mais, pela violência da intervenção abdominal, que deixa no corpo a sensação de que nos encheram excessivamente, como se faz com uma mala (apesar de que o que aconteceu foi esvaziarem) e forçaram a pouco elástica tampa da mala a fechar...
Quanto à mama, não há dor nem desconforto. E foi-se o horrível mal-estar que tive durante 3 anos!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Two Breasts, Two Areolas and Two Nipples
This is what we all want and need
- to feel like women again!

Com toda a sinceridade, tenho alguma dificuldade em aceitar a relutância de certas pessoas no que toca a conversar sobre qualquer assunto relacionado com o cancro da mama.
Esta minha história vai com três anos e meio, e a falta de disponibilidade demonstrada por várias pessoas do meu passado para me ouvirem e para dizerem de sua justiça tem-me feito sentir uma criatura solitária, apesar de aqueles que sempre estão prontos para mim serem do melhor que há.
Se este problema atingir algumas das pessoas que nunca "conseguiram" ouvir-me, o que acontecerá a seguir? Acabará o mundo, para elas? Fechar-se-ão num quarto, para não verem ninguém, e recusarão qualquer forma de comunicação? Deixar-se-ão morrer, sem lutarem pela vida? Ou terão necessidade de falar com o mundo, especialmente, talvez, com quem já passou pelo mesmo?
Na possibilidade de a reação ser a enunciada por mim em último lugar, o que sentirão essas pessoas se o mundo não se mostrar recetivo a essas suas necessidades?!... Julgo que bem não se sentirão!!!
Para início de enunciação de princípio, penso que todas as pessoas deviam olhar para qualquer doente como alguém que sofre de algo de que elas poderão vir a sofrer. Continuando, defendo que todos devemos apelar à nossa capacidade de abstração, esforçando-nos por nos colocarmos "na pele" dos que sofrem a nosso lado, por forma a conseguirmos agir com eles como gostaríamos que agissem connosco, se fôssemos nós os enfermos.
Concluindo, não posso deixar de realçar a importância da procura do conhecimento exato daquilo que o doente gostaria que fizessem (ou não fizessem) por si, para que se possa agir em conformidade.
Ora detenhamo-nos só um pouco no meu caso de cancro: notícia; comunicação da notícia aos pais, aos filhos pequenos...; mastectomia, mais cinco cirurgias: 1. por rompimento do expansor, quando picada para me extraírem o líquido de um seroma; 2. para troca do expansor por uma prótese de silicone e redução da mama contralateral; 3. para colher um pouco de tecido na mama contralateral e formar uma aréola na mama nova, para que pudesse ser tatuada; 4. histerectomia, devida aos efeitos secundários do Tamoxifeno nos ovários, no útero e no colo do útero; 5. Tram Flap, para acabar de vez com tudo o que tinha sido feito anteriormente e me causava aperto, dor, mal-estar e falta de qualidade de vida, mas muita gente considerava ser produto da minha mente stressada e ansiosa; quimioterapia; radioterapia; fisioterapia; depressão e tratamento psiquiátrico; hidroginástica; consultas de psicologia e hipnose, para tentar aprender a viver com dor; férias familiares em casa...
Não haverá aqui matéria suficiente para necessidade de conversar? Só encontrei essa possibilidade nas meninas que já passaram por algo semelhante, as quais encontrei via net e a quem já me sinto ligada de uma forma muito especial. Contudo, a falta de "colo" das minhas pessoas de sempre e das outras de há muitos anos deixou-me à nora, sem referências, e fez com que houvesse uma grande transformação na minha essência.
Neste momento, falta-me recuperar do Tram Flap e fazer a aréola e o mamilo. Ai, mas que impressão faz a tanta gente falar (ou até ler) sobre estas questões!...
Mas nós, as "ganguinhas da mama" estamos à vontade até para mostrar...
"Naturalmente" - dirão alguns! Claro - digo eu. Mas não é natural não haver esforço da parte de amigos..., pois amigos são pessoas que se revelam nas ocasiões difíceis, procurando transcender-se nas suas dificuldades, se tal for necessário para ajudar... Amigos não podem ser, seguramente, aqueles que nos dizem que nós temos de pensar que não somos os únicos a sofrer e que todas as pessoas têm problemas, coisas que nem nos passam pela cabeça. Não passarão, talvez, mas, sem que no-los revelem, não podemos adivinhá-los, muito menos ajudar... E por que é que há-de ser praticamente um crime demonstrar as nossas fragilidades a quem pensamos ser nosso amigo?!... :(
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Almas de Pedra

Será despeito, será ciúme? É inveja, certamente!
Estou, portanto, a viver um tempo de contagem decrescente, relativamente a um longo período de baixa, recheada de peripécias e de muitos momentos difíceis a vários níveis, nomeadamente no que concerne a uma solidão opressiva e depressiva.
Não estou, contudo, a "gozar os últimos cartuchos", como parece a algumas pessoas, pois nunca ninguém me ofereceu tal coisa, entendendo 'cartuchos' como doses de doçura e "dolce fare nienti".
De facto, vivi um tempo (alguns meses) em que não fiz absolutamente nada (eu, que sou "tetramãe"!...), mas esses foram, seguramente, os piores dias da minha vida, amargamente consciente de tudo o que devia fazer e sem capacidade para dar um passo, nem que fosse apenas para passar um pano numa superfície com pó, ou para fazer um telefonema, ou para me sentar em frente da televisão... Foram sucessivas e infindáveis doses de 24 horas de cama, com intervalos para higiene e alimentação, até ao ponto de a própria higiene ser, para mim, uma obrigação irritante!...
Desses tempos de choro e de nula vontade de viver guardo uma recordação muito viva, que me faz, agora, querer, principalmente, ter forças para não me voltar a deixar cair no abismo.
E cá estou eu, renovando a minha maneira de pensar, de agir, de escrever, de vestir e de me arranjar, até, por forma a conseguir obter, dos espelhos que refletem o meu corpo e a minha alma, imagens que me sejam agradáveis e me ajudem a rever-me como um ser social, algo que sofreu um longo interregno.
O 'entretanto' que agora se aproxima do fim foi também um período de tomada de consciência de que aqueles de nós que estão profissionalmente ativos olham para quem claudicou sob algumas perspetivas muito duras e difíceis de aceitar por estes últimos. Refiro-me concretamente às repetidas abordagens ao meu aspeto, por parte de quem me via de tempos a tempos. Para os outros, eu estive sempre com ótima cara, mas, curiosamente, também sempre muito melhor do que no encontro anterior, aquele em que me acharam pálida e olheirenta... E, a partir de determinada altura, o meu bom ar, no olhar dos outros, já vigorava há tanto tempo que começaram a surgir comentários jocosos, apontando a minha eventual preguicite, ou 'lambonice', arrastada no aproveitamento desnecessário e desonesto do período de baixa permitido por lei aos doentes oncológicos (período esse que eu não me atreveria a esgotar inadvertidamente, pois é concedido apenas uma vez na vida!).
Foi sempre demasiado penoso para mim ter de me "justificar", como se estivesse a agir fora da lei ou mesmo fora do bom senso. Fartei-me, literalmente, de explicar a dor, o terrível desconforto, o aperto constante, provocados por uma mama que fica melhor se nomeada como 'uma pedra ao peito, dentro de uma armadura de ferro'! E, apesar do meu esforço contrariado mas empenhado, havia quem nem se detivesse a ouvir-me até ao fim..., pois era tão visivelmente evidente que eu estava boa!...
Não ter conseguido aguentar-me a trabalhar, em ambos os anos em que tentei, deveu-se à dolorosa circunstância de eu ter uma prótese de silicone, fibrosada e encapsulada, por baixo da pele e do músculo grande peitoral, os quais, na ausência de qualquer tecido mamário, foram submetidos a 30 tratamentos de radioterapia. A fibrose e a cápsula que se formaram à volta da minha prótese eram do conhecimento do meu cirurgião plástico do IPO, desde a primeira consulta do pós-operatório da minha terceira cirurgia, mas esta situação foi sendo sucessivamente ignorada por ele, que alegou sempre que o meu problema era psicológico!
Os movimentos do tronco, o frio, o stress... fazem contrair-se uma zona já demasiado contraída, e quem tem de aguentar esse aperto sente-se, por vezes, próximo da loucura e, muitas delas, desejando o alívio oferecido pela morte! (É que a mama não sai, para aliviar, quando se chega a casa, como sai o calçado que magoou um dia inteiro ou a dentadura postiça, que se atira irritadamente para um copo...) E isto em momentos em que, ao redor, há quem vá pensando que até acaba por ser bom ter um cancro, desde que ele fique controlado, pois essa é uma maneira de arranjar uns anos de férias à conta!...
Fiz fisioterapia, hidroginástica e massagens caseiras; e tentei aprender a suportar a dor, através de hipnose e técnicas de relaxamento, com uma psicóloga. Nadei algumas vezes, mas era como se levasse muitos quilos ao peito, a puxarem-me para baixo... E sempre que falhava uma sessão de alguma das terapias sentia uma culpa esmagadora, pois já tinham passado anos sobre a primeira cirurgia e todos me diziam que, se quisesse aliviar um pouco a dor, teria de cumprir um programa diário de terapias para o resto da vida...
Valeu-me ter conhecido uma boa série de meninas operadas às mamas, devido a cancro, e com reconstrução, para perceber que andavam a enganar-me (uns sem culpa, mas outros cheios dela!), pois, num universo de cerca de 70 mulheres que sofreram ou sofrem de cancro da mama, só uma revelou dores do género das minhas, eventualmente por ser excessivamente magra, o que não é , de todo, o meu caso. Relativamente à reconstrução, conheço de tudo, em termos de satisfação pessoal, mas tudo se relaciona essencialmente com a questão estética. Há reconstruções verdadeiramente cinco estrelas, em que a nova mama quase não se distingue da natural, mas também há algumas aberrações, e eu encaixo-me mais nesta linha, pois, com o tempo, fui sofrendo algumas intervenções desnecessárias (nomeadamente aquela em que me reduziram a mama contralateral, para me colocarem uma aréola de pele sã na mama nova, com o argumento de que isso era necessário para que a tatuagem pegasse, pois a minha pele não deixaria que isso acontecesse, por ser irradiada...) e a prótese foi-se mexendo, espalmando e comprimindo, contribuindo para que aquilo que devia parecer uma mama tenha ganho um aspeto muito difícil de catalogar!
Eu, no entanto, sempre com aquela minha boa cara..., aquela que muitos me dizem que tenho a toda a hora, mas só porque não dá trabalho falar, todos gostam; dá é trabalho ouvir, e, se me escutassem mesmo, talvez vissem cansaço ou mal-estar nos meus olhos, e, assim, conseguissem oferecer-me algumas palavras de conforto!!!
Outra razão pela qual eu não tive sucesso nas minhas tentativas de voltar a trabalhar foi, por um lado, a falta de suporte legal para me permitirem um regresso gradual, e, por outro, a falta de sensibilidade dos meus superiores hierárquicos, que não procuraram usar a sua autonomia em prol de uma garantia de condições propícias ao retomar de uma rotina que fora abruptamente cortada um ano antes (da primeira vez) e dois anos antes (da segunda), por uma notícia de cancro, com todas as consequências que daí advêm. Assim me tivessem permitido começar com menos e ir aumentando o volume de trabalho e eu já teria lecionado durante dois anos, o que teria sido favorável a ambas as partes. Como as coisas foram feitas, o Estado tem gasto mesmo muito dinheiro, por eu ter tido um cancro, o Estado que, também, não providenciou para que eu não chegasse ao cancro, pois fui-me arrastando durante um ano e meio com corpos estranhos na mama, sem que os médicos tenham pedido um exame mais eficaz no diagnóstico do que a mamografia. Felizmente, ainda fui a tempo de erradicar o cancro (o que, todavia, não é linear...), mas já não fui a tempo de poupar a minha mama, insubstituível, faça eu o que fizer - como até vai acontecer!
Até hoje, felizmente, eu não tenho sido um caso mau de cancro, mas convinha que os que me rodeiam percebessem de uma vez por todas que cada cancro da mama é um cancro diferente, como cada pessoa é distinta de todas as outras, e também que o cancro não é uma doença, mas um conjunto de doenças, e cada mulher contrai as que lhe estão destinadas, nem mais nem menos. Eu contraí um carcinoma ductal invasivo. Seguiram-se complicações inflamatórias, fibrose na mama reconstruída, acompanhada de dor limitadora, a qual se fez sentir logo na fase do expansor e originou uma depressão. E vieram depois, por causa da medicação (Tamoxifeno), os doze quilos a mais, os problemas no útero e nos ovários, que me obrigaram à histerectomia e, à conta dela, à menopausa repentina e precoce, que me tem perturbado 24 sobre 24 horas, com afrontamentos que passam do terrível calor a suores gelados, dos pés até à cabeça ou vice-versa, nem sei...
E, neste momento, apesar de estar batida em cirurgias, a proximidade da sexta em apenas três anos está a provocar-me uma ansiedade que não era costumeira e já desencadeou (digo eu, pois o médico diz que a culpa pode ser duma bactéria bandida ou da demasiada acidez dos sucos gástricos) por aqui uma úlcera gástrica que espero resolver antes da operação.
Mas, para além da dor física, agora também no estômago, continuam os comentários pouco felizes por parte de pessoas que comigo se encontram fortuitamente. Anteontem, disse a uma colega da minha escola que, em Setembro, lá me encontrarei. E ela retorquiu, perguntando "E é para ficares o ano inteiro?" E lá me senti eu a procurar uma resposta que justificasse o facto de não ter conseguido antes... em vez de lhe atirar logo "Isso é que não posso garantir, pois tanto eu como tu podemos morrer ainda hoje!" Podia ter-me dito que eu era bem-vinda, por exemplo, mas parece que isso não é para mim!...
Pois é, aprendi muito nestes três anos. Sou agora mais sábia. Mas dispensava bem ter percebido que há pessoas que se sentiram ciumentas e outras que tiveram inveja das atenções que ainda outras me dispensaram.
Esta não é, contudo, uma triste verdade só minha. Sei que muitas das minhas companheiras de infortúnio tiveram também outro infortúnio, procedente do primeiro e que consistiu na perda de amigos que não aguentaram o protagonismo de uma mulher a lutar contra um cancro na mama!
É a vida!
quinta-feira, 7 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
Punto Cero / Second Life...

Obrigada, querida Ana Camões, por considerares que o meu blogue merece destaque, na transmissão da verdade sobre o cancro da mama e no estímulo ao espírito positivo na maneira como se encara a luta pela sua cura.
Devia cumprir algumas regras, na transmissão deste selo, mas como tu resolveste presentear toda a nossa malta, já todas o têm e por todas é merecido. Vou então fazer apenas um breve destaque ao blogue da Teresa Pais, que tem um título que eu nunca lhe disse que considero espetacular (Punto Cero / Second Life), por vincar a importância do cancro no estabelecimento de um ponto do nosso percurso existencial como sendo a divisória entre dois tempos muito diferentes da nossa vida.
Destaco ainda, na Teresa Pais, a frontalidade com que demonstra os vários estados de espírito por que passa, pois quem nos lê deve perceber que nem tudo é fácil, que há momentos maus, medos, incertezas, afundamentos, mas há também capacidade para brincar, para nos rirmos de nós próprias e da doença em si, para darmos força umas às outras, usando essencialmente as palavras.
Agora não se ponham com invejas, ok!? Senti que foi o momento certo para destacar a TP, até por aquilo que eu tenho passado ultimamente, mas lá chegará a vossa vez, suas malucas!
BEIJOCAS
a todas
Ah, desculpem, esquecia-me de dizer alguma coisa sobre mim...
Tentando...
\ Oscilo entre o gozo pleno do prazer de viver e a sensação de que não tenho préstimo e nada me interessa, oscilação esta que se relaciona com a quantidade e qualidade dos ventos de reconhecimento que me chegam e alterna em mim comportamentos de grande certeza e determinação com outros de absoluta insegurança e sensação de fraqueza e inferioridade.
\ Preciso de escrever para me conhecer melhor e para me compreender.
\ Eu e a vida temos tido um jogo constante de mútua aceitação-rejeição.
\ Casei com a pessoa certa.
\ Adoro ser e dizer que sou mãe de quatro filhos.
\ Detesto lides caseiras.
\ Adoro decoração.
\ Gosto de jogar, pelo desafio que as regras impõem.
\ Adoro música. Se houver reencarnação, quero ser música, com uma vertente marcadamente Blues.
\ Adoro o cheiro a terra molhada.
\ Adoro mergulhar no mar, com ondas.
\ Adoro o nascer e o pôr do sol, embora poucas vezes tenha visto o nascer.
\ Para ser feliz daqui para a frente, precisava de deixar de ser professora.
\ Não sou de meter conversa, mas, uma vez embalada nela, adoro conversar.
\ Sou boa ouvinte e chateiam-me os maus ouvintes.
\ Estou sempre a leste do paraíso no que diz respeito à vida dos outros. Excessivamente - dizem!
\ Custa-me sempre vencer a inércia e começar a trabalhar, mas, uma vez começada a tarefa, não descanso enquanto não a termino com o êxito possível.
\ Sou direta, frontal, sincera, mas nem sempre compreendida e, por vezes, acabo por ferir susceptibilidades.
\ Chego a ter convicções muito arreigadas, mas a verdade é que a vida já me fez desistir de muitas delas.
\ Não sinto a idade que tenho. Nem metade mora em mim.
\ Gosto de dar prendas quando não é caso para isso e não gosto da obrigação de as dar, à qual me furto muitas vezes.
\ Gosto de viajar sem a obrigação de ver todos os museus e assistir a todos os eventos culturais. Quero ir sem plano de viagem e entrar em locais que me apareçam, como se eu não fosse turista, mas, antes, morasse ali...
DESCULPEM. EXCEDI-ME!
terça-feira, 13 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Os Dias da Raiva - III
As "meninas" com cancro da mama devem mostrar-se sempre muito valentes e ganhadoras. São todas umas heroínas. Eu também, o que é que pensam?! As pessoas olham para mim como se eu fosse especial. Mas eu nem corri. Nem dá, portanto, para ser 'especial de corrida'.
Que valentonas que nós somos! Aguentámos e aguentamos (e o acento gráfico faz a diferença!!!) aquilo que tivemos e que temos de aguentar e mais nada. Queriam o quê? Que nos deixássemos morrer, negando os tratamentos?! O que tem de ser tem muita força e toda a gente aguenta, sem ninguém ser herói ou heroína. É-se, apenas, sofredor à força (porque ninguém gosta de sofrer!), mas não se é diferente dos outros para melhor nem para pior.
Não gosto que me elogiem, nem que elogiem as outras, porque, em abono da verdade, lutámos e lutamos (e o acento gráfico faz a diferença!!!) só porque tem de ser!
Mostrar o desânimo, a raiva, o cansaço, as saudades dos dias em que o corpo era inteiro, livre, solto, leve... é mau porquê? Porque assim desanimamos os outros?! Ah! Que chatice, não é!? Pois eu aos outros digo a verdade de mim. E agora, apesar de ninguém ter culpa, eu estou com raiva.
Que valentonas que nós somos! Aguentámos e aguentamos (e o acento gráfico faz a diferença!!!) aquilo que tivemos e que temos de aguentar e mais nada. Queriam o quê? Que nos deixássemos morrer, negando os tratamentos?! O que tem de ser tem muita força e toda a gente aguenta, sem ninguém ser herói ou heroína. É-se, apenas, sofredor à força (porque ninguém gosta de sofrer!), mas não se é diferente dos outros para melhor nem para pior.
Não gosto que me elogiem, nem que elogiem as outras, porque, em abono da verdade, lutámos e lutamos (e o acento gráfico faz a diferença!!!) só porque tem de ser!
Mostrar o desânimo, a raiva, o cansaço, as saudades dos dias em que o corpo era inteiro, livre, solto, leve... é mau porquê? Porque assim desanimamos os outros?! Ah! Que chatice, não é!? Pois eu aos outros digo a verdade de mim. E agora, apesar de ninguém ter culpa, eu estou com raiva.
Episódios:
Implicações Psicológicas,
Reações Alheias,
Reações Pessoais
Os Dias da Raiva - I

"Já sabes que a Martina Navratilova tem o mesmo que tu?"
Hã? Fui ver!
À antiga tenista, hoje com 53 anos, foi diagnosticado, em Fevereiro passado, um 'carcinoma ductal in situ', o qual originou uma tumorectomia, ou seja, uma cirurgia em que lhe foi retirado O TUMOR, ficando o resto da mama natural intacta e sem material alheio ao tecido mamário. Não necessitou de quimioterapia e vai, em breve, sujeitar-se a 6 semanas de radioterapia.
Continua a praticar desporto, pois, restabelecida da intervenção, está numa fase normal, em termos físicos.
Se a Martina tem 'O MESMO' que eu... leiam por aqui, se quiserem!
Episódios:
Famosos Com Cancro,
Reações Alheias,
Reações Pessoais
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Mas onde é que andam todos?

Na minha infância, tive um sonho recorrente que consistia em tocarem à minha campainha e, depois de eu abrir a porta, deparar-me com um paralelepípedo de mármore que tapava todo o espaço da saída, o qual era impossível de arredar e configurava a minha situação de prisão dentro de casa. Ainda no sonho, para remédio dessa circunstância penosa, aparecia-me a hipótese de pegar no intercomunicador e, através dele, pedir ajuda a algum transeunte que me ouvisse no passeio. E era isso que eu tentava fazer. Mas, da minha garganta, não conseguia sair qualquer som que me anunciasse. E, invariavelmente, acordava em aflição, sem perceber porque se repetia aquela tortura.
Hoje fui a uma consulta de fisiatria, a terceira no âmbito do meu processo de regeneração da pele e do músculo peitoral, que revestem o implante de silicone que forja a mama direita em mim. A dor que sinto na "mama" define-se por um aperto, o qual não tem diminuído de intensidade, apesar das muitas sessões de fisioterapia a que já me submeti. Contudo, ao toque, a pele já desliza sobre a prótese e a dor já não provoca lágrimas. Aparentemente, temos aqui um contrassenso, pois se a fibrose já está em regressão e/ou a pele já ganhou alguma elasticidade, o mau-estar do dia-a-dia devia estar aliviado. Mas não está. E porquê? Por muitas razões, talvez, entre as quais a dor psicológica de tantas vezes não terem ligado à minha descrição desta dor, insistindo que eu estou óptima.
De certa forma, estou presa dentro de mim, como, no sonho, o estava dentro de casa - pois quem para mim olha vê uma pessoa de aspecto normal, que se movimenta, fala, ri, caminha...; de certa forma, eu, que sempre quis explicar esta dor, nunca encontrei compreensão; e, de certa forma, eu, que sempre quis partilhar a minha doença, para meu alívio (libertando carga...) e para dar a conhecer modos de a evitar e de minorar o sofrimento dos tratamentos, não encontro receptividade.
Estou a viver o que sonhava na infância: se alguma mensagem sai da minha boca ou se forma a partir da minha composição em teclas, a verdade é que não há transeuntes que me ouçam no passeio, ou, se os há, têm sido indiferentes à minha necessidade de partilha.
E o fisiatra aconselhou-me hoje a não sair de casa apenas para ir aos vários médicos e às várias terapias. Acha ele que eu devo sair com as minhas amigas...
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