Não se deprimam!
Não se deprimam, ok!?
Ouviram?
Não se deprimam!!!
Partam uma perna.
Partam as duas.
Fiquem paraplégicos!!!
Mas NÃO se deprimam!
NÃO!!!
Ninguém vos vai ajudar.
Porque NINGUÉM vos vai entender!
Não deixem que isso aconteça.
Venham cancros quantos forem...
Depressões não, não, não!
Por favor, não!
domingo, 27 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Claro que me têm tratado bem no IPO...
terça-feira, 15 de junho de 2010
E se...?

Pois! E se, em vez de me repuxarem a pele, para me inventarem um mamilo, só para dizer que há simetria no meu corpo, sendo que à custa da simetria há ainda mais dor daquela que é desnecessária, uma vez que eu não vou ser capa da Playboy nem coisa que o valha (se há algo que o valha!...), eu enveredar por uma tatuagem que marque em mim não a semelhança com o lado esquerdo mas a identificação com o meu nome? Que tal?
Indirectamente, esta foi uma sugestão que o doutor JVM, o cirurgião oncoplástico que me operou, me fez agarrar no ar ontem no IPO: "até pode tatuar uma flor, why not?"
Tatuar uma margarida a partir da aréola...
Podem opinar (apesar de não ser para vocês verem, hi, hi!)
terça-feira, 8 de junho de 2010
Quanto dura um pós-operatório?
Entrar para um bloco operatório com a finalidade de ser submetido a uma intervenção cirúrgica pode gerar as mais variadas reacções nos familiares e amigos do próprio. Há quem não arrede pé da porta do bloco (pais, filhos, tios, famílias inteiras...; há quem aguarde em casa de telefone e relógio debaixo de olho; há quem aguente sossegado que as notícias cheguem pelas vias normais...
Quanto aos doentes, há quem queira o seu mundo inteiro por ali, quem não queira por ali ninguém, quem faça uma ou poucas escolhas...
Entrar num bloco operatório para ser operado contempla sempre uma consulta de anestesia, um electrocardiograma e um raio x de tórax, mas não costuma contemplar, infelizmente, uma consulta de preferências pós-operatórias. Ninguém nos pergunta se queremos ou não visitas e quantas permitimos ao longo do horário a elas dedicado; como ninguém nos pergunta se queremos ou não a televisão ligada o dia inteiro; e nem interessa se esses factores nos fazem subir a tensão arterial, por exemplo.
O que vale (o que vale? não sei!) é que hoje em dia despacham-nos do hospital numa corrida e em dois dias parece aos "de fora" que está o pós-operatório feito. Na minha terceira vez desta história até com o bobi fui para casa (Rrrrr!). Depois, claro, tive de lá voltar daí a uns dias para me tirarem o dreno, que, porque já tinha criado aderência e porque mo tiraram comigo em pé, saiu aos puxões e fez-me ver as estrelas todas do sistema solar, pelo menos, e ficar dorida durante muitos meses.
Já agora, conto também as outras aventuras pós-operatórias. Da primeira vez, ao cabo de oito dias, o que parecia ser um seroma levou o médico a espetar-me uma agulha para me retirar o líquido remanescente, mas o resultado foi um furo no expansor, que até ao dia seguinte conseguiu verter boa quantidade do soro fisiológico que já lhe tinha sido injectado a cada três ou quatro dias. Resultado: operada de novo, ao nono dia do pós operatório (ainda nem comia com a mão direita...).
Na terceira operação, descobriu-se uma inflamação na mama no dia de tirar pensos e pontos, o que obtigou a mais duas caixas de antibiótico oral e duas bisnagas de antibiótico tópico, durante muitos dias... com (ar)dores, evidentemente.
É curioso o descanso de todos aqueles que ligam a saber se a operação correu bem, muitas vezes imediatamente a seguir a ela ter acontecido, e depois não voltam a "aparecer". O que seria a operação correr mal? Morrermos nela? É que, depois de quatro em dois anos e meio, já acho os pós-operatórios bem mais importantes do que as próprias operações. É neles que se sofre e que se sente solidão. Na operação estamos entregues a mãos competentes e estamos inconscientes.
No pós que ainda vivo tiraram-me os pontos tarde de mais e já não conseguiram puxar a linha intradérmica por baixo da mama esquerda. Puxaram tudo o que conseguiram (e eu voltei a ver estrelas), cortaram, e o resto ficou lá dentro. Passaram vinte e dois dias sobre a cirurgia e tenho hoje um empolamento em linha, exactamente na zona onde passa o sutiã, o qual não imagino como se resolverá sem uma anestesia, pois o fio que está lá dentro não é absorvível pelo organismo. E à volta do mamilo também ainda tenho pintinhas pretas que são restos de pontos e me picam... Vinte e dois dias passados e vivo ainda o pós-operatório de uma operação relativamente simplória, nos tempos que correm!
Agora... o que isto mói uma pessoa não vos passa pela cabeça! Dois anos e meio depois... dá lugar a revolta!
Quanto aos doentes, há quem queira o seu mundo inteiro por ali, quem não queira por ali ninguém, quem faça uma ou poucas escolhas...
Entrar num bloco operatório para ser operado contempla sempre uma consulta de anestesia, um electrocardiograma e um raio x de tórax, mas não costuma contemplar, infelizmente, uma consulta de preferências pós-operatórias. Ninguém nos pergunta se queremos ou não visitas e quantas permitimos ao longo do horário a elas dedicado; como ninguém nos pergunta se queremos ou não a televisão ligada o dia inteiro; e nem interessa se esses factores nos fazem subir a tensão arterial, por exemplo.
O que vale (o que vale? não sei!) é que hoje em dia despacham-nos do hospital numa corrida e em dois dias parece aos "de fora" que está o pós-operatório feito. Na minha terceira vez desta história até com o bobi fui para casa (Rrrrr!). Depois, claro, tive de lá voltar daí a uns dias para me tirarem o dreno, que, porque já tinha criado aderência e porque mo tiraram comigo em pé, saiu aos puxões e fez-me ver as estrelas todas do sistema solar, pelo menos, e ficar dorida durante muitos meses.
Já agora, conto também as outras aventuras pós-operatórias. Da primeira vez, ao cabo de oito dias, o que parecia ser um seroma levou o médico a espetar-me uma agulha para me retirar o líquido remanescente, mas o resultado foi um furo no expansor, que até ao dia seguinte conseguiu verter boa quantidade do soro fisiológico que já lhe tinha sido injectado a cada três ou quatro dias. Resultado: operada de novo, ao nono dia do pós operatório (ainda nem comia com a mão direita...).
Na terceira operação, descobriu-se uma inflamação na mama no dia de tirar pensos e pontos, o que obtigou a mais duas caixas de antibiótico oral e duas bisnagas de antibiótico tópico, durante muitos dias... com (ar)dores, evidentemente.
É curioso o descanso de todos aqueles que ligam a saber se a operação correu bem, muitas vezes imediatamente a seguir a ela ter acontecido, e depois não voltam a "aparecer". O que seria a operação correr mal? Morrermos nela? É que, depois de quatro em dois anos e meio, já acho os pós-operatórios bem mais importantes do que as próprias operações. É neles que se sofre e que se sente solidão. Na operação estamos entregues a mãos competentes e estamos inconscientes.
No pós que ainda vivo tiraram-me os pontos tarde de mais e já não conseguiram puxar a linha intradérmica por baixo da mama esquerda. Puxaram tudo o que conseguiram (e eu voltei a ver estrelas), cortaram, e o resto ficou lá dentro. Passaram vinte e dois dias sobre a cirurgia e tenho hoje um empolamento em linha, exactamente na zona onde passa o sutiã, o qual não imagino como se resolverá sem uma anestesia, pois o fio que está lá dentro não é absorvível pelo organismo. E à volta do mamilo também ainda tenho pintinhas pretas que são restos de pontos e me picam... Vinte e dois dias passados e vivo ainda o pós-operatório de uma operação relativamente simplória, nos tempos que correm!
Agora... o que isto mói uma pessoa não vos passa pela cabeça! Dois anos e meio depois... dá lugar a revolta!
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Saudades
Tenho saudades
Da minha integridade
Da liberdade de movimentos
Da ausência de incómodo e dor
De não estar sempre cansada
Da alegria
Saudades que cheguei a pensar
Poderem tornar-se do futuro
Mas cuja imagem já se esgotou
Da minha integridade
Da liberdade de movimentos
Da ausência de incómodo e dor
De não estar sempre cansada
Da alegria
Saudades que cheguei a pensar
Poderem tornar-se do futuro
Mas cuja imagem já se esgotou
domingo, 6 de junho de 2010
O Depósito Cheio
Tenho dois anos e meio de história da minha guerra. E neste "entretanto" a minha vida tem decorrido aparentemente de forma normal (exceptuando a falta da actividade profissional), mas convém vincar o sentido da palavra 'aparentemente'. Isto porque quem tem sentido o depósito a encher e, continuamente, a arranjar espaço para mais, sou eu e mais ninguém. Mas há momentos em que o depósito demora algum tempo a redimensionar-se, e, se por essa altura é necessário entrar algo mais, então não há hipótese de fugir à escolha: algo tem de sair para que, depois, algo possa entrar.
Neste momento, o depósito está cheio e eu tenho estado a despejar. Lamento não estar com capacidade para encorajar ninguém, mas eu estou cá e estarei, só que não escamoteio os momentos baixos, pois de cor de rosa esta história tem as boas intenções e algumas vitórias, não toda a extensão da sua dimensão...
Neste momento, o depósito está cheio e eu tenho estado a despejar. Lamento não estar com capacidade para encorajar ninguém, mas eu estou cá e estarei, só que não escamoteio os momentos baixos, pois de cor de rosa esta história tem as boas intenções e algumas vitórias, não toda a extensão da sua dimensão...
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Hoje tirei os pontos!

Até que enfim! Abrenúncio!
Estive 16 dias cosida com nylon preto e seda branca, amparada por steady strips (tiras cicatrizantes) e enfaixada em compressas e adesivos. Já devia ter-me livrado disto tudo há uma semana, mas a espera pelo médico recomendado deu nisto. Já não podia com calor, picadelas e comichões. E agora ainda me sinto toda picada ou como se tivesse apanhado um escaldão...
Não queiram. Não deixem. Quanto mais tempo estiver dentro ou agarrado a nós aquilo que é para sair, mais custa (a todos os níveis) o momento da separação!
Agora tenho dois pensos à prova de água, por mais uns dias. Vou então tomar o primeiro duche a valer, desde o dia 17 de Maio. Que saudades! E lá vou eu iniciar uma nova fase - a da adaptação do retalho-aréola à sua nova morada, até que a reconstrução possa prosseguir.
Reconstruir é trabalho muito delicado e moroso...
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