Dedico e dirijo este blogue a todos aqueles que tiverem passado (ou estiverem a passar) por histórias de cancros, quer como protagonistas, quer no papel de acompanhantes na luta contra a doença, mas espero por cá encontrar qualquer contributo que qualquer um considere válido.
A intenção principal é trocar experiências de forma direta e sincera, sem necessidade de qualquer apoio no escudo da força constante e do pensamento sempre positivo, que tantas vezes não estão presentes, mas parece haver uma imposição social para que assim seja...
Sejam bem-vindos! E divulguem este blogue!

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riscos marcantes

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No dia 11.1.11, este blogue passou a ser escrito à luz do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

domingo, 9 de outubro de 2011

"Tudo tem um limite" - disse ela!


Entre uma consulta e outra, em dias consecutivos, ela quis saber da minha saúde, naquela conversa de circunstância que sempre acontece nos sofás das salas de visitas.
Fui pormenorizando os últimos episódios do meu infortúnio, ainda tão pesado para mim e já a caminho dos quatro anos, e ela, temendo que algo de semelhante aconteça ao Pedro, encontrou ensejo para me pedir que o convença a ir ao médico e a fazer exames, pois já sabemos que, mesmo não havendo queixas, pode passar-se algo de errado com a saúde das pessoas.
Claro que eu concordei com a necessidade de todos nos vigiarmos, mas esclareci que ele nunca foi de ir ao médico sem queixas, acrescentando que, neste momento, coitado, deve estar a ficar farto de médicos, por já tantas vezes me ter acompanhado, nesta luta já longa - apesar de ele nunca ter dado o mínimo sinal de cansaço desse tipo!
E foi então que lhe saiu:
- Pois tens mesmo de contar com isso, porque tudo tem um limite.
E eu fiquei petrificada. Não sei se toda a gente tem noção do que é sentir uma pancada seca no estômago. Eu já a confirmei e reconfirmei muitas vezes. Mas nunca consigo falar, por mais experiente que seja. E é disso que muita gente me acusa. De não falar, mas, depois, escrever. Eu diria que faço o que posso, aquilo que consigo, e que o faço para me libertar da carga. E que, se há quem não consiga escrever, mas parta a loiça toda a falar, eu sou ao contrário. Mas terei menos direito de existir por isso?!...
"Tudo tem um limite"! E aqui o 'tudo' referia-se à capacidade de o meu marido aguentar ser o companheiro de uma mulher com problemas de saúde, por tanto tempo. Eu teria, portanto, de contar que ele se fartasse...
Eu poderia ter retorquido que nos casámos com intenção de aguentarmos juntos o bom e o mau, até que a morte nos separe, e que ainda pensamos assim, pois nos amamos hoje ainda mais do que no dia em que nos prometemos..., mas talvez não o tenha feito por, no fundo, perceber que, se o fizesse, a conversa acabaria por chegar ao divergente conceito de 'limite', que ali se anunciara, e eu já tenho chatices mais do que suficientes para me sentir derrubada pelo mundo...
Mas também poderia ter concordado, desviando habilmente (talvez dando a entender ter percebido mal) a questão para o meu lado, até porque tenho razões de sobra para sentir que os meus problemas já passam do limite aceitável para quem os sofre na pele! Mas também não fui por aí... Apenas fiquei, mais uma vez, a interrogar-me, em silêncio, sobre a razão de não gostarem de mim!...

13 comentários:

Natália disse...

Guida
Tens o amor dos teus filhos e do teu marido,são esses que interessam.

Não fiques a pensar nessas coisas que te dizem.
Deixa-as falar!!!
Não te martirizes por isso.
Infelizmente já todas encontrámos pessoas dessas no nosso caminho.

Beijinhos e toca a arrebitar Ok.

Graça disse...

Olha Guida, desculpa-me a expressão mas "caga nisso"!, as pessoas que estão por fora não sabem o que dizem, falam para não ficarem caladas, mas ás vezes mais valia que ficassem caladinhas! O único que se poderia queixar era o teu marido, se não o faz, é porque o Amor vai muito para além disso, Tal como todos os Maridos que estão nas mesmas condições.
Se fosse ao contrário, ser ele a ter um problema, tu também aguentavas firme.
Não dês ouvidos a esse tipo de coisas, não te marterizes com isso. Tu vais superar, tenho a certeza.
beijinhos grandes

Sara disse...

Guida

Não poderá essa pessoa que se preocupa contigo preocupar-se também com o teu marido?! Eu também já tive uma doença grave que afectou muito a minha vida familiar e obviamente que também afectou o meu marido. Eu própria cheguei a dizer-lhe para ir ao médico, porque o achava demasiado cansado, demasiado abatido e não o queria ver doente. Não me interpretes mal, mas acho que essa pessoa que te pediu para te preocupares com o teu marido apenas se preocupou também com ele, não penso que isso seja ofensivo para ti.
Venho aqui muitas vezes ler o teu blogue e tens passado por muito e com muita coragem, mas acho que pensas demasiado que os outros não compreendem, que se afastam...e muitas vezes não é assim, é apenas uma percepção nossa errada, fruto do nosso desânimo e cansaço provocado pela doença. Falo por experiência própria, porque passei pelo mesmo.

Não me leves a mal deixar-te aqui a minha opinião.

Desejo-te tudo de bom e uma recuperação com o menos sofrimento possível.

Maria disse...

Guida,
Não há limite para o amor... e a sua existência não depende dos comentários de outros.
Quando o amor se sente o resto deve ser ignorado.
Gosto muito de si, Guida.
Beij.o
Conceição

Guida Palhota disse...

Naná,

É verdade o que dizes, mas nós somos seres sociais e, mesmo com os melhores maridos e os melhores filhos (e eu tenho uma família 5 estrelas), precisamos também de outras pessoas, de quem até queremos gostar ou gostamos...
Concordo que não devo martirizar-me, vou tentar dar menos importância a certas coisas que me dizem. Sinto-me massacrada, por tanto que já passei e já ouvi, mas sei que tenho de arrebitar e fazer, muitas vezes, que não ouço certos dizeres...
Obrigada por me lembrares disso.

Beijo grande

Guida Palhota disse...

Graça,

Há alturas em que estamos muito fragilizadas e talvez até interpretemos de forma exagerada aquilo que ouvimos - muitas vezes porque nem conhecemos a pessoa que fala. O pior é quando ela é conhecida e há antecedentes... E, de facto, eu senti aquilo como uma "queixa" de quem acha que eu abuso do meu marido...
Com certeza que ele estará cansado, mas o que faz por mim não é porque eu o obrigo (também era melhor!), nem por ele sentir obrigação. Ele continua a ser o rapaz bem disposto e brincalhão por quem me apaixonei, apesar de tudo o que temos passado, e eu fico triste com tudo isto, pois parece que devo pedidos de desculpa por ter ficado doente...
Se ele se sentisse no limite, ia-se embora! E era ele mesmo ele o único a ter direito de o dizer. Mas enfim, vou continuar a tentar ultrapassar, pois isto tem anos...

Beijocas

Guida Palhota disse...

Sara,

Não sei se és quem eu penso. Contudo, sejas quem fores, quero que saibas que a tua opinião é bem vinda e que eu estou recetiva a opiniões divergentes da minha, até porque me sinto já tão massacrada que admito estar com uma visão algo limitada ou viciada dos acontecimentos do meu presente e do meu passado recente.

Claro que a pessoa referida no meu post pode e deve preocupar-se também com o meu marido, tal como eu me preocupo com ele e lho faça saber com muita frequência, embora não andemos a apregoá-lo para quem não mora connosco...

No meu entendimento, a pessoa que me pediu para cuidar do Pedro podia ter expresso a sua preocupação com ele à vontade, pedindo-me, como pediu, para eu cuidar dele, mas não podia ter-me dito que eu tinha de contar com a possibilidade de ele se fartar de andar comigo em médicos, pois tudo tem um limite. E não podia, porque isso foi para me fazer sentir culpada por estar doente há tanto tempo e isso ser um fardo para o Pedro, que já tinha o direito de se libertar deste problema. Quis essa pessoa, com certeza, dizer, que se ele me deixar por causa dos meus problemas será compreensível, pois ele terá chegado ao seu limite.
Pois, com todo o respeito pela tua opinião, Sara, que considero razoável e até reveladora de amizade para comigo, tenho de dizer-te que a preocupação dessa pessoa era mais em lançar-me um aviso, e um aviso que eu considero inaceitável.

Um beijo grande, Sara

e espero que opines sempre,
pois, mesmo que possas pensar que não, gostei muito que o tenhas feito

Guida Palhota disse...

Conceição,

Realmente, o amor entre mim e o Pedro tem superado os problemas que nos têm afetado.
É óbvio que ambos estamos cansados, mas o amor ainda é mesmo muito maior do que o cansaço, talvez até tenha crescido bastante exatamente por causa de tanto cansaço vivido e gerido a dois (e a seis - com os filhos).
Não há limites, quando há amor! Isso é para quem não se ama!

Mil beijos pela sua presença por aqui

Ana Camões disse...

Guida, NÓS gostamos de ti!!!!!!!!!!!!!

E tens uma Família Maravilhosa!!!

Silvina disse...

Olá Guida,
Infelizmente é verdade, algumas pessoas têm limites e não vão hesitar em "dar o fora" quando tiverem atingido o seu. Aconteceu-me com amigos muito próximos e com familiares. Estiveram lá para mim durante 1 ano e meio, e nessa altura acharam que era demais para eles. Eu ainda cá ando, há dois anos. Sem marido e sem filhos. Sozinha no meu terceiro ciclo de radioterapia. E tem dias onde me sinto zangada e triste, magoada para além do que consigo exprimir, abandonada, e claro, incompreendida; Outros dias percebo as atitudes dessas pessoas, consigo olhar de fora e entender racionalmente as distâncias. Mas sei que EU nunca faria o mesmo.
Acho que temos que confiar nas pessoas que temos à nossa volta, e no amor que sentem por nós, mas sobretudo, temos sempre que confiar em nós próprias...

Guida Palhota disse...

Silvina,


Não te quero sozinha! Eu tenho horror à solidão. Procura pessoas novas. Ainda há gente boa.
Se quiseres, escreve-me pra o email, para que possamos partilhar mais:

guidapalhota@gmail.com

Também precisava de confiar em mim como em tipos idos, mas está difícil recuperar a autoestima, quando há tantos pormenores a jogar contra ela...

Não te deixes ficar só, por favor.

Um beijo
e um abracinho

Adriana disse...

OI Guida!!! Teu Blog é o máximo!!! Já estou te seguindo... Escreves muuuuito bem, da gosto de ler. Prazer em conhecê-la! Bjs!

Adriana disse...
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