Dedico e dirijo este blogue a todos aqueles que tiverem passado (ou estiverem a passar) por histórias de cancros, quer como protagonistas, quer no papel de acompanhantes na luta contra a doença, mas espero por cá encontrar qualquer contributo que qualquer um considere válido.
A intenção principal é trocar experiências de forma direta e sincera, sem necessidade de qualquer apoio no escudo da força constante e do pensamento sempre positivo, que tantas vezes não estão presentes, mas parece haver uma imposição social para que assim seja...
Sejam bem-vindos! E divulguem este blogue!


Por aqui, discorre-se sobre:

... Acompanhamento Psicológico Ajudar quem Ajuda Alertas Alimentação Alopécia Antes e Depois Aquisições autoestima Brincadeira Cancro da Mama nos Homens Cansaço Chamar os bois pelos nomes Cirurgias Cirurgias de Amigas Codependência Coisificação nas Doenças Prolongadas Complicações Pós-operatórias Consultas Conviver Cumplicidade Dar / Receber a Notícia Desafios Desânimo Desejos Desespero Despedida Diagnóstico Dicas Dieta Distinções Efeitos Secundários de Medicação Emagrecer Encontros de Amigas Esclarecimento Esperança Estilo de Vida Estímulos Exteriores Exames Pré-operatórios Exemplos Famosos Com Cancro Feminilidade Filosofia de Vida Pós Doença Fisioterapia Fracassos Gang da Mama histerectomia Histórias de Luta Hormonoterapia Hospitalizações Humor Implicações Psicológicas Incongruências Informação Lingerie Correta Lingerie Pós-Operatória Medos Meios Complementares de Diagnóstico Meios de Diagnóstico Menopausa Depois do Cancro da Mama Modos de ser Mudanças na Vida Natal Nova Normalidade Novas Amizades Novidades O Cancro em Pormenores O Cancro Não é Só uma Doença; é um conjunto de doenças O Cancro Não é Só uma Doença; é um conjunto de doenças; efeitos secundários da medicação Ocupação em Tempo de Baixa Os cancros dos amigos e familiares Palavras Alheias a Propósito do Propósito Parabéns Partilhar a Doença Perdas Pós-cirurgia Pós-operatórios Prazer em encontrar quem nos entende Prazeres Prevenção Prevenção de Recidivas Processo de Recuperação Projetos de Sensibilização Quimioterapia Radioterapia Rastreio do Cancro da Mama Reações Alheias Reações Pessoais Reconstrução Mamária Regresso à normalidade Regresso ao Trabalho Sentimentos negativos Sexualidade Sinais Sintomas Solidão Tamoxifeno Terapias Toque Tram Flap Tratamentos Verdade Verdadinha Vitórias Vontade de ter poder sobre a doença

riscos marcantes

riscos marcantes

NOTE BEM

No dia 11.1.11, este blogue passou a ser escrito à luz do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Vida Não é Tudo!

Nunca quis viver a qualquer custo. Há muitas circunstâncias de vida que eu trocaria por anos de repouso eterno...
No próximo post venho pormenorizar! Inté!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O GANG DA MAMA



De norte a sul do país, há meninas que pertencem ao Gang da Mama, constituído, maioritariamente, por meninas que luta(ra)m contra o bicho mau que resolveu chateá-las de forma séria, por um período mais ou menos alargado, consoante os casos.

Batizado com este nome no dia em que participei, pela primeira vez, num almoço-convívio do grupo, a verdade é que ele já vinha crescendo há algum tempo, através de encontros presenciais, de visitas e comentários aos blogues de cada uma, por conversas de chat e também num grupo privado criado no Facebook.


De uma forma natural, fomo-nos sentido ligadas, com uma sensação de pertença invulgar, pois rapidamente nos parecia que já éramos amigas de longa data.
No Gang, as conversas e as partilhas versam sobre tudo e mais alguma coisa, mas o assunto 'cancro da mama' encontra nas recetoras um entendimento impossível de conseguir com quem nunca passou por esta guerra na primeira pessoa. Ao pé de amigas do Gang, sentimo-nos, de certa forma, em casa, ou em família... Em certos casos, melhor do que em família - sem querer ofender ninguém!...



Ontem, recebi, em minha casa, a visita de três meninas do Gang, que vieram almoçar e lanchar com a minha família e "pintaram a manta" comigo... Adorei recebê-las, e aos pequenitos de uma delas, com os quais os meus se divertiram, apesar das diferenças de idades. Afinal, também nós, meninas, temos idades diferentes e já estamos entrosadas como se fôssemos da mesma turma, de uma turma unida, em que são todas por uma e uma por todas, literalmente e em todas as circunstâncias em que qualquer uma apita, para dizer que precisa de algo... É que vêm mesmo logo todas, quais "Ambrósios", e não deixam que nenhum mal-estar inútil se instale na mente ou no corpo de nenhuma.
Este é um grupo de meninas que só faz bem a qualquer mulher que tenha de lidar com o problema que as uniu e que eu, com muita pena, só conheci quando já tinha passado por muitos momentos maus. Mas a verdade é, como diz o lema das meninas Rosa, Esperança, que "o melhor ainda está para vir"! ;-)


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pink Attitude

Até aos 44 anos, fui menina e mulher afastada da cor rosa.
A mudança foi gradual, mas, agora, já sou absolutamente fã, nos tons que me caracterizam, obviamente, e como maneira de encarar a vida!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Melhor Que Me Podia Acontecer Agora...

...era convidarem-me para um emprego novo, diferente, interessante, com gente desconhecida, e numa terra nova - para bem iniciar a segunda parte da minha vida ativa!



domingo, 21 de agosto de 2011

RESPONDENDO A UM DESAFIO DA ANA CAMÕES

Ganguinhas Todas,

Peço desculpa pela pouca atenção que tenho dado aos vossos blogues. Tenho estado proibida de me sentar em ângulo reto e isso tem reduzido o tempo que dedico ao meu Mac, no qual tenho preferido contactos via Facebook.
Vi hoje um desafio lançado pela Ana, ao qual talvez vocês já tenham respondido... Eu vou fazê-lo agora. Cá vai, Ana:

01. Pegue o livro mais perto de você, abra na página 18 e encontre a 4ª linha:
A página 18 do livro que tinha aqui ao lado (Contigo Torno-me Real - sobre Os Doors -, de Rui Pedro Silva) está completamente em branco!
02. Estique seu braço esquerdo o mais longe que puder. O que você encontra? Toquei numa jarra com flores.

03. Qual foi a última coisa que assistiu? Assisti, ontem à noite, a um concerto dos James.

04. Sem olhar o relógio, que horas você acha que são? Acho que serão umas 19:45h.

05. Agora, olhe no relógio. Que horas são? São 19:55h.

06. Sem contar o barulho do computador, o que mais está ouvindo? Estou a ouvir o concerto do Simon e do Garfunkel, no Central Park, e a trovoada, por cima da minha casa.

07. Quando foi a última vez que saiu? Aonde foi? Saí ontem à noite. Fui à Feira de S. Mateus, para ouvir os James.

08. Antes de começar esse questionário, o que estava fazendo? Estava a ler o blogue da Ana Camões.

09. O que está vestindo? Estou com umas leggings e uma túnica, para além das cuecas, do sutiã e da cinta "de gola alta", que me tem feito o verão num inferno...

10. Você sonhou a noite passada? Sonho sempre que durmo! E dormi, na noite passada...

11. Quando foi a última vez que você deu risada? Hoje de manhã, ri de uma piada do meu marido.

12. O que acha da pessoa que te indicou este desafio? A Ana é uma pessoa muito corajosa, otimista e atenta aos outros.

13. Viu alguma coisa esquisita há pouco tempo? Vi uma substância (gordura desvitalizada) com a cor e a consistência da mostarda, a sair da minha barriga.

14. Qual foi o último filme que você assistiu? Toda a Verdade

15. Se você se tornasse milionário da noite para o dia, o que compraria? Compraria dois carros novos, que os meus têm 16 e 12 anos.

16. Uma coisa sobre você que eu não saiba: Fui escuteira durante 20 anos e vivo segundo os princípios que me ensinaram enquanto tal.

17. Seu estado de espírito agora: Descontraída, à conta da enorme trovoada que continua por aqui e que eu adoro.

18. Se você pudesse ser qualquer mulher famosa, qual seria? Eu detestava ser famosa!

19. Imagine que seu primeiro filho seja uma menina, como a chamaria? Foi mesmo uma menina. Chama-se Maria.

20.Imagine que seu primeiro filho seja um menino, como o chamaria? Chamá-lo-ia Francisco, que é o nome do meu segundo. E, já agora, ainda tenho um Miguel e um Tiago.

21. Você pensa em morar fora? Na rua?! Claro que não!...

22. O que você mais quer agora? Quero que a minha reconstrução mamária acabe, finalmente, e em beleza!

23. Qual a pessoa mais importante na sua vida? A pessoa mais importante da minha vida é o meu marido, sem dúvida.

24. Qual seu sonho para curto prazo? A curto prazo, quero uma plena reintegração no ambiente profissional.

BEIJOCAS, ANA

sábado, 20 de agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

EXAUSTÃO

Quando chegar a minha vez,
lembrem-se de que eu precisava mesmo de descansar
o corpo e a mente.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Até um dia, querida Sónia!

Vou recordar-te sempre assim, como menina apaixonada pela vida.
Leva contigo um beijo eterno, um beijo rosinha, como tu, que ontem me surgiu no coração, triste porque tu partiste, mas enternecido pela imediata e terna união que aconteceu às meninas do Gang.
Agora já podes descansar, querida Sónia. Mas não te esqueças de continuar alegre e divertida. Os teus novos companheiros vão adorar-te!
*___*

domingo, 31 de julho de 2011

A nossa Sónia adormeceu de cansaço

Dorme bem, querida Sónia, e sonha muito, como gostavas de fazer. Sonhos cor de rosa e onde tudo seja uma brincadeira. Que haja muitas brincadeiras de menina, para ti. Tu vais gostar de brincar!

Um beijo de boa noite *

Deixo-te com a Sonata ao Luar, de Beethoven, para te sentires embalada.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ultra-cansada de comparações

(Tram Flap não é igual a Apendicectomia, nem a Cirurgia da Próstata, nem a Cesariana, nem a Abdominoplastia, nem a Histerectomia...!)

Estou cansada de contar as peripécias da minha tragédia a pessoas que, pouco depois de eu abrir a boca, passam imediatamente a dizer que sabem o que me aconteceu, porque acompanharam o caso da Joaquina (tal e qual!) ou porque elas próprias fizeram uma cesariana (que eu nunca fiz...) !...

As intervenções medicamente assistidas a que eu já me submeti, ao longo da vida, têm os seguintes nomes, por ordem de ocorrência:

amigdalectomia - 1968
apendicectomia -1989
parto normal, com epidural - 1995
parto normal, com epidural - 1997
2 amniocenteses - 1998
2 partos normais, com epidural - 1999
mastectomia e mamoplastia para colocação de expansor - 2008
mamoplastia, de urgência, para troca de expansor rebentado - 2008
mastopexia e mamoplastia para retirada de expansor e colocação de prótese - 2009
mastopexia e mamoplastia para recolha de retalho e colocação de aréola - 2010
histerectomia e anexectomia bilateral - 2011
tram flap - 2011

Uma realidade sobre a qual não posso pronunciar-me com conhecimento de causa é a cesariana, mas quase tenho pena de não ter essa sabedoria, pois já tanta gente comparou o meu tram flap com a sua cesariana ou com a cesariana de outrem...
Genericamente, as pessoas têm tendência a fazer comparações e a fazê-las de uma forma impensada, pois é comum a noção de que já se viu e ouviu muito, pelo que... já se sabe do assunto.

Eu sei que, provavelmente, eu agiria do mesmo modo, se nunca tivesse sentido agressões físicas mesmo incomodativas, mas já que é impossível chegar a qualquer certeza quanto a isso, gostava mesmo que as pessoas que me interrogam o fizessem porque querem mesmo saber e não para me mostrarem que já têm experiência na matéria, seja por que forma for.

O meu cancro não me parece estar a tornar-me a pessoa melhor que eu me convenci que iria ser. Porque estou intolerante à intolerância dos outros: os que não querem falar; os que me abandonaram; os que sabem bem (mal) o que eu passei e estou a passar...

Há muita gente para quem os cancros são todos iguais e as cirurgias, com os seus períodos pós-cirúrgicos, também. Perante isto, eu sinto-me não mais do que um objeto, igual a tantos outros, de quem já todos sabem tudo.
E mais: cirurgias e pós-operatórios (e até químios e rádios) são banalidades da existência!...

Bem, vivo neste momento o pós tram flap, e, daqui a alguns meses, farei a aréola e o mamilo, a partir da pele da parte interna da coxa, junto à virilha.
Neste momento, o aspeto da minha mama é o que se vê na foto; uso uma cinta muito apertada, igual à da imagem (por 2 meses, de dia e de noite) e tenho uma cicatriz como a apresentada, com 54 cm. O meu umbigo não é o mesmo (foi-se a marca da ligação física que tive com a minha mãe), foi construído.

A mama nova saiu toda da barriga e o músculo abdominal subiu, por dentro, até à mama, sendo ele que a alimenta. No lugar dele, na zona abdominal, está uma rede, para im-
pedir que os órgãos se atrapalhem na escolha das suas posições corretas...

E agora vou referir aquele aspeto em que alguém que esteja a ter pachorra para ler isto já estará a pensar: "Mas porque é que ela expõe isto tudo?"
Exponho porque preciso, criando a ilusão de que me leem e me entendem, com intenção de dividir todos os tipos de dor que tenho tido nestes três anos e meio, fingindo acreditar que isto é partilhar a vida e, assim, torná-la menos dura; exponho por absoluta necessidade de verbalizar aquilo que as pessoas me mostram que é maçador quando ouvem; exponho, talvez, com a mesma necessidade que outras pessoas têm para esconder, calar.

A Educação para a Saúde devia conter uma unidade de Educação para a Doença, onde se aprendesse, em primeiro lugar, que cada doente é um ser humano diferente dos outros e que devemos saber como é que ele prefere ser tratado por nós no seu período mau...

Para finalizar, refiro que, de todos os "pós" que já vivi, este é o que me está a custar mais, pela violência da intervenção abdominal, que deixa no corpo a sensação de que nos encheram excessivamente, como se faz com uma mala (apesar de que o que aconteceu foi esvaziarem) e forçaram a pouco elástica tampa da mala a fechar...

Quanto à mama, não há dor nem desconforto. E foi-se o horrível mal-estar que tive durante 3 anos!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O nosso corpo como matéria-prima


Um dia, a minha prima patologista disse-me que não comia fígado nem rim, pois, para ela, ambos constituíam material de trabalho.
Neste momento da minha vida, mamas são materiais de modelagem... ou de corte e costura :( Nada mais!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A minha alma já foi bem grande!...

Agora, já nem me importo que digam que a minha alma é pequena! Estou extremamente cansada de sofrer (3 anos e meio) para tentar continuar neste mundo e para ter alguma qualidade de vida, de modo a proporcionar aos meninos que pus no mundo as condições necessárias para serem boas pessoas, bons cidadãos e o mais felizes possível.
Mas valerá a pena?! VALERÁ A PENA?!...

Two Breasts, Two Areolas and Two Nipples

This is what we all want and need
- to feel like women again!

Com toda a sinceridade, tenho alguma dificuldade em aceitar a relutância de certas pessoas no que toca a conversar sobre qualquer assunto relacionado com o cancro da mama.
Esta minha história vai com três anos e meio, e a falta de disponibilidade demonstrada por várias pessoas do meu passado para me ouvirem e para dizerem de sua justiça tem-me feito sentir uma criatura solitária, apesar de aqueles que sempre estão prontos para mim serem do melhor que há.
Se este problema atingir algumas das pessoas que nunca "conseguiram" ouvir-me, o que acontecerá a seguir? Acabará o mundo, para elas? Fechar-se-ão num quarto, para não verem ninguém, e recusarão qualquer forma de comunicação? Deixar-se-ão morrer, sem lutarem pela vida? Ou terão necessidade de falar com o mundo, especialmente, talvez, com quem já passou pelo mesmo?
Na possibilidade de a reação ser a enunciada por mim em último lugar, o que sentirão essas pessoas se o mundo não se mostrar recetivo a essas suas necessidades?!... Julgo que bem não se sentirão!!!
Para início de enunciação de princípio, penso que todas as pessoas deviam olhar para qualquer doente como alguém que sofre de algo de que elas poderão vir a sofrer. Continuando, defendo que todos devemos apelar à nossa capacidade de abstração, esforçando-nos por nos colocarmos "na pele" dos que sofrem a nosso lado, por forma a conseguirmos agir com eles como gostaríamos que agissem connosco, se fôssemos nós os enfermos.
Concluindo, não posso deixar de realçar a importância da procura do conhecimento exato daquilo que o doente gostaria que fizessem (ou não fizessem) por si, para que se possa agir em conformidade.

Ora detenhamo-nos só um pouco no meu caso de cancro: notícia; comunicação da notícia aos pais, aos filhos pequenos...; mastectomia, mais cinco cirurgias: 1. por rompimento do expansor, quando picada para me extraírem o líquido de um seroma; 2. para troca do expansor por uma prótese de silicone e redução da mama contralateral; 3. para colher um pouco de tecido na mama contralateral e formar uma aréola na mama nova, para que pudesse ser tatuada; 4. histerectomia, devida aos efeitos secundários do Tamoxifeno nos ovários, no útero e no colo do útero; 5. Tram Flap, para acabar de vez com tudo o que tinha sido feito anteriormente e me causava aperto, dor, mal-estar e falta de qualidade de vida, mas muita gente considerava ser produto da minha mente stressada e ansiosa; quimioterapia; radioterapia; fisioterapia; depressão e tratamento psiquiátrico; hidroginástica; consultas de psicologia e hipnose, para tentar aprender a viver com dor; férias familiares em casa...
Não haverá aqui matéria suficiente para necessidade de conversar? Só encontrei essa possibilidade nas meninas que já passaram por algo semelhante, as quais encontrei via net e a quem já me sinto ligada de uma forma muito especial. Contudo, a falta de "colo" das minhas pessoas de sempre e das outras de há muitos anos deixou-me à nora, sem referências, e fez com que houvesse uma grande transformação na minha essência.

Neste momento, falta-me recuperar do Tram Flap e fazer a aréola e o mamilo. Ai, mas que impressão faz a tanta gente falar (ou até ler) sobre estas questões!...
Mas nós, as "ganguinhas da mama" estamos à vontade até para mostrar...
"Naturalmente" - dirão alguns! Claro - digo eu. Mas não é natural não haver esforço da parte de amigos..., pois amigos são pessoas que se revelam nas ocasiões difíceis, procurando transcender-se nas suas dificuldades, se tal for necessário para ajudar... Amigos não podem ser, seguramente, aqueles que nos dizem que nós temos de pensar que não somos os únicos a sofrer e que todas as pessoas têm problemas, coisas que nem nos passam pela cabeça. Não passarão, talvez, mas, sem que no-los revelem, não podemos adivinhá-los, muito menos ajudar... E por que é que há-de ser praticamente um crime demonstrar as nossas fragilidades a quem pensamos ser nosso amigo?!... :(

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Meninas Patchwork

imagem "roubada" em http://www.tiradentes.net/analu-artes.htm

Qual destas acham vocês que sou eu?

Hoje, quando me retiraram os drenos e levantaram os pensos para colocarem outros, vi, claramente visto, o estado retalhado em que me encontro, após 7 cirurgias de deixar marcas no corpo. Uma boneca de patchwork foi a imagem mais aproximada que me surgiu.
Perguntei então ao Pedro, que estava comigo, mesmo ao pé da enfermeira e da ajudante:
- Que te parece este corpo esquartejado?
- Um corpo com histórias para contar. E se perguntaste isso porque estás a pensar que eu já não vou querer dar-te beijinhos e abracinhos, podes ir tirando o teu cavalinho da chuva, pois ainda vou ter mais razões para o fazer!
E fez-se um breve silêncio de bem-estar...

domingo, 10 de julho de 2011

Um Tram Flap como Correção de Erros

O Tram Flap (Transverse Rectus Abdominis Myocutaneous flap - ou seja, uso do retalho transverso do músculo retoabdominal, para formaço da mama) foi a única hipótese com alta percentagem de sucesso que me foi indicada para resolver o meu problema de fibrose (cápsula) à volta da prótese de silicone.
Há três anos e meio fizera uma mastectomia e, nessa mesma altura, colocara, sob o músculo grande peitoral, um expansor sobre o qual foram realizados 30 tratamentos de radioterapia, levando a pele e o músculo a perderem elasticidade.

A minha perda de qualidade de vida foi acentuadíssima, pois a sensação era a de ter permanentemente vestido um sutiã vários números abaixo do correto para mim. Todavia, como apertos, dores e mal-estar são realidades que não se vêem, o mundo à minha volta nunca mostrou acreditar que eu me sentia mal e eu cheguei a um estado profundo de depressão, preferindo a morte a um sofrimento sem solução e em que muitos não acreditavam.

Melhorada do afundamento depressivo e ajudada pelo quarto psiquiatra a que recorri, decidi lutar pela qualidade da minha vida de uma forma diferente. Ouvi várias opiniões sobre o que se passava comigo e vi, claramente, uma luz ao fundo do túnel quando, no Hospital da Prelada, me falaram da hipótese de usar tecido e músculo da barriga, para formar uma nova mama, rejeitando tudo o que já tinha feito no IPO de Lisboa e que acarretara quatro intervenções cirúrgicas, sendo que, quase por favor, condescenderiam em abrir-me mais uma vez, para desfazer a fibrose que desde logo se tinha instalado à volta da prótese. Falaram-me, para esta cirurgia, em 50% de hipóteses de sucesso... E eu virei as costas ao IPO, onde nunca fui tratada como gente, mas sim como aparelho velho e gasto, já sem hipótese de solução, mas obrigado a consertos periódicos, apenas para não falhar de vez!

Troquei Lisboa pelo Porto e o tratamento em massa pelo tratamento personalizado. Tudo me foi humana, pormenorizada e gentilmente explicado. E eu aceitei submeter-me ao que se pode ver no vídeo que se segue e que, em mim, está a manifestar-se um caso de grande sucesso.

(Poderá impressionar)

sexta-feira, 1 de julho de 2011


Vou começar a fazer a mala!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Almas de Pedra


Será despeito, será ciúme? É inveja, certamente!

Depois de duas tentativas frustradas de regresso ao trabalho, com cerca de dois meses cumpridos, nos passados setembro/outubro de 2009 e de 2010, tenciono apresentar-me no dia um do próximo mês nove, para abraçar de novo a minha profissão, do mesmo modo entusiasmado e empreendedor que imprimi à minha prestação como professora, a partir de 14 de outubro de 1986.
Estou, portanto, a viver um tempo de contagem decrescente, relativamente a um longo período de baixa, recheada de peripécias e de muitos momentos difíceis a vários níveis, nomeadamente no que concerne a uma solidão opressiva e depressiva.
Não estou, contudo, a "gozar os últimos cartuchos", como parece a algumas pessoas, pois nunca ninguém me ofereceu tal coisa, entendendo 'cartuchos' como doses de doçura e "dolce fare nienti".
De facto, vivi um tempo (alguns meses) em que não fiz absolutamente nada (eu, que sou "tetramãe"!...), mas esses foram, seguramente, os piores dias da minha vida, amargamente consciente de tudo o que devia fazer e sem capacidade para dar um passo, nem que fosse apenas para passar um pano numa superfície com pó, ou para fazer um telefonema, ou para me sentar em frente da televisão... Foram sucessivas e infindáveis doses de 24 horas de cama, com intervalos para higiene e alimentação, até ao ponto de a própria higiene ser, para mim, uma obrigação irritante!...
Desses tempos de choro e de nula vontade de viver guardo uma recordação muito viva, que me faz, agora, querer, principalmente, ter forças para não me voltar a deixar cair no abismo.
E cá estou eu, renovando a minha maneira de pensar, de agir, de escrever, de vestir e de me arranjar, até, por forma a conseguir obter, dos espelhos que refletem o meu corpo e a minha alma, imagens que me sejam agradáveis e me ajudem a rever-me como um ser social, algo que sofreu um longo interregno.
O 'entretanto' que agora se aproxima do fim foi também um período de tomada de consciência de que aqueles de nós que estão profissionalmente ativos olham para quem claudicou sob algumas perspetivas muito duras e difíceis de aceitar por estes últimos. Refiro-me concretamente às repetidas abordagens ao meu aspeto, por parte de quem me via de tempos a tempos. Para os outros, eu estive sempre com ótima cara, mas, curiosamente, também sempre muito melhor do que no encontro anterior, aquele em que me acharam pálida e olheirenta... E, a partir de determinada altura, o meu bom ar, no olhar dos outros, já vigorava há tanto tempo que começaram a surgir comentários jocosos, apontando a minha eventual preguicite, ou 'lambonice', arrastada no aproveitamento desnecessário e desonesto do período de baixa permitido por lei aos doentes oncológicos (período esse que eu não me atreveria a esgotar inadvertidamente, pois é concedido apenas uma vez na vida!).
Foi sempre demasiado penoso para mim ter de me "justificar", como se estivesse a agir fora da lei ou mesmo fora do bom senso. Fartei-me, literalmente, de explicar a dor, o terrível desconforto, o aperto constante, provocados por uma mama que fica melhor se nomeada como 'uma pedra ao peito, dentro de uma armadura de ferro'! E, apesar do meu esforço contrariado mas empenhado, havia quem nem se detivesse a ouvir-me até ao fim..., pois era tão visivelmente evidente que eu estava boa!...
Não ter conseguido aguentar-me a trabalhar, em ambos os anos em que tentei, deveu-se à dolorosa circunstância de eu ter uma prótese de silicone, fibrosada e encapsulada, por baixo da pele e do músculo grande peitoral, os quais, na ausência de qualquer tecido mamário, foram submetidos a 30 tratamentos de radioterapia. A fibrose e a cápsula que se formaram à volta da minha prótese eram do conhecimento do meu cirurgião plástico do IPO, desde a primeira consulta do pós-operatório da minha terceira cirurgia, mas esta situação foi sendo sucessivamente ignorada por ele, que alegou sempre que o meu problema era psicológico!
Os movimentos do tronco, o frio, o stress... fazem contrair-se uma zona já demasiado contraída, e quem tem de aguentar esse aperto sente-se, por vezes, próximo da loucura e, muitas delas, desejando o alívio oferecido pela morte! (É que a mama não sai, para aliviar, quando se chega a casa, como sai o calçado que magoou um dia inteiro ou a dentadura postiça, que se atira irritadamente para um copo...) E isto em momentos em que, ao redor, há quem vá pensando que até acaba por ser bom ter um cancro, desde que ele fique controlado, pois essa é uma maneira de arranjar uns anos de férias à conta!...
Fiz fisioterapia, hidroginástica e massagens caseiras; e tentei aprender a suportar a dor, através de hipnose e técnicas de relaxamento, com uma psicóloga. Nadei algumas vezes, mas era como se levasse muitos quilos ao peito, a puxarem-me para baixo... E sempre que falhava uma sessão de alguma das terapias sentia uma culpa esmagadora, pois já tinham passado anos sobre a primeira cirurgia e todos me diziam que, se quisesse aliviar um pouco a dor, teria de cumprir um programa diário de terapias para o resto da vida...
Valeu-me ter conhecido uma boa série de meninas operadas às mamas, devido a cancro, e com reconstrução, para perceber que andavam a enganar-me (uns sem culpa, mas outros cheios dela!), pois, num universo de cerca de 70 mulheres que sofreram ou sofrem de cancro da mama, só uma revelou dores do género das minhas, eventualmente por ser excessivamente magra, o que não é , de todo, o meu caso. Relativamente à reconstrução, conheço de tudo, em termos de satisfação pessoal, mas tudo se relaciona essencialmente com a questão estética. Há reconstruções verdadeiramente cinco estrelas, em que a nova mama quase não se distingue da natural, mas também há algumas aberrações, e eu encaixo-me mais nesta linha, pois, com o tempo, fui sofrendo algumas intervenções desnecessárias (nomeadamente aquela em que me reduziram a mama contralateral, para me colocarem uma aréola de pele sã na mama nova, com o argumento de que isso era necessário para que a tatuagem pegasse, pois a minha pele não deixaria que isso acontecesse, por ser irradiada...) e a prótese foi-se mexendo, espalmando e comprimindo, contribuindo para que aquilo que devia parecer uma mama tenha ganho um aspeto muito difícil de catalogar!
Eu, no entanto, sempre com aquela minha boa cara..., aquela que muitos me dizem que tenho a toda a hora, mas só porque não dá trabalho falar, todos gostam; dá é trabalho ouvir, e, se me escutassem mesmo, talvez vissem cansaço ou mal-estar nos meus olhos, e, assim, conseguissem oferecer-me algumas palavras de conforto!!!
Outra razão pela qual eu não tive sucesso nas minhas tentativas de voltar a trabalhar foi, por um lado, a falta de suporte legal para me permitirem um regresso gradual, e, por outro, a falta de sensibilidade dos meus superiores hierárquicos, que não procuraram usar a sua autonomia em prol de uma garantia de condições propícias ao retomar de uma rotina que fora abruptamente cortada um ano antes (da primeira vez) e dois anos antes (da segunda), por uma notícia de cancro, com todas as consequências que daí advêm. Assim me tivessem permitido começar com menos e ir aumentando o volume de trabalho e eu já teria lecionado durante dois anos, o que teria sido favorável a ambas as partes. Como as coisas foram feitas, o Estado tem gasto mesmo muito dinheiro, por eu ter tido um cancro, o Estado que, também, não providenciou para que eu não chegasse ao cancro, pois fui-me arrastando durante um ano e meio com corpos estranhos na mama, sem que os médicos tenham pedido um exame mais eficaz no diagnóstico do que a mamografia. Felizmente, ainda fui a tempo de erradicar o cancro (o que, todavia, não é linear...), mas já não fui a tempo de poupar a minha mama, insubstituível, faça eu o que fizer - como até vai acontecer!
Até hoje, felizmente, eu não tenho sido um caso mau de cancro, mas convinha que os que me rodeiam percebessem de uma vez por todas que cada cancro da mama é um cancro diferente, como cada pessoa é distinta de todas as outras, e também que o cancro não é uma doença, mas um conjunto de doenças, e cada mulher contrai as que lhe estão destinadas, nem mais nem menos. Eu contraí um carcinoma ductal invasivo. Seguiram-se complicações inflamatórias, fibrose na mama reconstruída, acompanhada de dor limitadora, a qual se fez sentir logo na fase do expansor e originou uma depressão. E vieram depois, por causa da medicação (Tamoxifeno), os doze quilos a mais, os problemas no útero e nos ovários, que me obrigaram à histerectomia e, à conta dela, à menopausa repentina e precoce, que me tem perturbado 24 sobre 24 horas, com afrontamentos que passam do terrível calor a suores gelados, dos pés até à cabeça ou vice-versa, nem sei...
E, neste momento, apesar de estar batida em cirurgias, a proximidade da sexta em apenas três anos está a provocar-me uma ansiedade que não era costumeira e já desencadeou (digo eu, pois o médico diz que a culpa pode ser duma bactéria bandida ou da demasiada acidez dos sucos gástricos) por aqui uma úlcera gástrica que espero resolver antes da operação.
Mas, para além da dor física, agora também no estômago, continuam os comentários pouco felizes por parte de pessoas que comigo se encontram fortuitamente. Anteontem, disse a uma colega da minha escola que, em Setembro, lá me encontrarei. E ela retorquiu, perguntando "E é para ficares o ano inteiro?" E lá me senti eu a procurar uma resposta que justificasse o facto de não ter conseguido antes... em vez de lhe atirar logo "Isso é que não posso garantir, pois tanto eu como tu podemos morrer ainda hoje!" Podia ter-me dito que eu era bem-vinda, por exemplo, mas parece que isso não é para mim!...

Pois é, aprendi muito nestes três anos. Sou agora mais sábia. Mas dispensava bem ter percebido que há pessoas que se sentiram ciumentas e outras que tiveram inveja das atenções que ainda outras me dispensaram.
Esta não é, contudo, uma triste verdade só minha. Sei que muitas das minhas companheiras de infortúnio tiveram também outro infortúnio, procedente do primeiro e que consistiu na perda de amigos que não aguentaram o protagonismo de uma mulher a lutar contra um cancro na mama!

É a vida!

domingo, 19 de junho de 2011

Reconstrução Com Tecidos da Barriga


Este é um método que exige uma cirurgia um pouco mais longa e um pós-operatório (teoricamente) mais doloroso do que aquele que opta pela colocação de uma prótese de silicone. Todavia, em termos de semelhança com uma mama natural, os resultados são, na esmagadora maioria dos casos de mastectomia, muito mais confortáveis para a mulher e muito melhores a nível estético.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

More Than Medication

Em especial, para a minha visitante anónima do dia 13!