Dedico e dirijo este blogue a todos aqueles que tiverem passado (ou estiverem a passar) por histórias de cancros, quer como protagonistas, quer no papel de acompanhantes na luta contra a doença, mas espero por cá encontrar qualquer contributo que qualquer um considere válido.
A intenção principal é trocar experiências de forma direta e sincera, sem necessidade de qualquer apoio no escudo da força constante e do pensamento sempre positivo, que tantas vezes não estão presentes, mas parece haver uma imposição social para que assim seja...
Sejam bem-vindos! E divulguem este blogue!


Por aqui, discorre-se sobre:

... Acompanhamento Psicológico Ajudar quem Ajuda Alertas Alimentação Alopécia Antes e Depois Aquisições autoestima Brincadeira Cancro da Mama nos Homens Cansaço Chamar os bois pelos nomes Cirurgias Cirurgias de Amigas Codependência Coisificação nas Doenças Prolongadas Complicações Pós-operatórias Consultas Conviver Cumplicidade Dar / Receber a Notícia Desafios Desânimo Desejos Desespero Despedida Diagnóstico Dicas Dieta Distinções Efeitos Secundários de Medicação Emagrecer Encontros de Amigas Esclarecimento Esperança Estilo de Vida Estímulos Exteriores Exames Pré-operatórios Exemplos Famosos Com Cancro Feminilidade Filosofia de Vida Pós Doença Fisioterapia Fracassos Gang da Mama histerectomia Histórias de Luta Hormonoterapia Hospitalizações Humor Implicações Psicológicas Incongruências Informação Lingerie Correta Lingerie Pós-Operatória Medos Meios Complementares de Diagnóstico Meios de Diagnóstico Menopausa Depois do Cancro da Mama Modos de ser Mudanças na Vida Natal Nova Normalidade Novas Amizades Novidades O Cancro em Pormenores O Cancro Não é Só uma Doença; é um conjunto de doenças O Cancro Não é Só uma Doença; é um conjunto de doenças; efeitos secundários da medicação Ocupação em Tempo de Baixa Os cancros dos amigos e familiares Palavras Alheias a Propósito do Propósito Parabéns Partilhar a Doença Perdas Pós-cirurgia Pós-operatórios Prazer em encontrar quem nos entende Prazeres Prevenção Prevenção de Recidivas Processo de Recuperação Projetos de Sensibilização Quimioterapia Radioterapia Rastreio do Cancro da Mama Reações Alheias Reações Pessoais Reconstrução Mamária Regresso à normalidade Regresso ao Trabalho Sentimentos negativos Sexualidade Sinais Sintomas Solidão Tamoxifeno Terapias Toque Tram Flap Tratamentos Verdade Verdadinha Vitórias Vontade de ter poder sobre a doença

riscos marcantes

riscos marcantes

NOTE BEM

No dia 11.1.11, este blogue passou a ser escrito à luz do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

domingo, 21 de agosto de 2011

RESPONDENDO A UM DESAFIO DA ANA CAMÕES

Ganguinhas Todas,

Peço desculpa pela pouca atenção que tenho dado aos vossos blogues. Tenho estado proibida de me sentar em ângulo reto e isso tem reduzido o tempo que dedico ao meu Mac, no qual tenho preferido contactos via Facebook.
Vi hoje um desafio lançado pela Ana, ao qual talvez vocês já tenham respondido... Eu vou fazê-lo agora. Cá vai, Ana:

01. Pegue o livro mais perto de você, abra na página 18 e encontre a 4ª linha:
A página 18 do livro que tinha aqui ao lado (Contigo Torno-me Real - sobre Os Doors -, de Rui Pedro Silva) está completamente em branco!
02. Estique seu braço esquerdo o mais longe que puder. O que você encontra? Toquei numa jarra com flores.

03. Qual foi a última coisa que assistiu? Assisti, ontem à noite, a um concerto dos James.

04. Sem olhar o relógio, que horas você acha que são? Acho que serão umas 19:45h.

05. Agora, olhe no relógio. Que horas são? São 19:55h.

06. Sem contar o barulho do computador, o que mais está ouvindo? Estou a ouvir o concerto do Simon e do Garfunkel, no Central Park, e a trovoada, por cima da minha casa.

07. Quando foi a última vez que saiu? Aonde foi? Saí ontem à noite. Fui à Feira de S. Mateus, para ouvir os James.

08. Antes de começar esse questionário, o que estava fazendo? Estava a ler o blogue da Ana Camões.

09. O que está vestindo? Estou com umas leggings e uma túnica, para além das cuecas, do sutiã e da cinta "de gola alta", que me tem feito o verão num inferno...

10. Você sonhou a noite passada? Sonho sempre que durmo! E dormi, na noite passada...

11. Quando foi a última vez que você deu risada? Hoje de manhã, ri de uma piada do meu marido.

12. O que acha da pessoa que te indicou este desafio? A Ana é uma pessoa muito corajosa, otimista e atenta aos outros.

13. Viu alguma coisa esquisita há pouco tempo? Vi uma substância (gordura desvitalizada) com a cor e a consistência da mostarda, a sair da minha barriga.

14. Qual foi o último filme que você assistiu? Toda a Verdade

15. Se você se tornasse milionário da noite para o dia, o que compraria? Compraria dois carros novos, que os meus têm 16 e 12 anos.

16. Uma coisa sobre você que eu não saiba: Fui escuteira durante 20 anos e vivo segundo os princípios que me ensinaram enquanto tal.

17. Seu estado de espírito agora: Descontraída, à conta da enorme trovoada que continua por aqui e que eu adoro.

18. Se você pudesse ser qualquer mulher famosa, qual seria? Eu detestava ser famosa!

19. Imagine que seu primeiro filho seja uma menina, como a chamaria? Foi mesmo uma menina. Chama-se Maria.

20.Imagine que seu primeiro filho seja um menino, como o chamaria? Chamá-lo-ia Francisco, que é o nome do meu segundo. E, já agora, ainda tenho um Miguel e um Tiago.

21. Você pensa em morar fora? Na rua?! Claro que não!...

22. O que você mais quer agora? Quero que a minha reconstrução mamária acabe, finalmente, e em beleza!

23. Qual a pessoa mais importante na sua vida? A pessoa mais importante da minha vida é o meu marido, sem dúvida.

24. Qual seu sonho para curto prazo? A curto prazo, quero uma plena reintegração no ambiente profissional.

BEIJOCAS, ANA

sábado, 20 de agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

EXAUSTÃO

Quando chegar a minha vez,
lembrem-se de que eu precisava mesmo de descansar
o corpo e a mente.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Até um dia, querida Sónia!

Vou recordar-te sempre assim, como menina apaixonada pela vida.
Leva contigo um beijo eterno, um beijo rosinha, como tu, que ontem me surgiu no coração, triste porque tu partiste, mas enternecido pela imediata e terna união que aconteceu às meninas do Gang.
Agora já podes descansar, querida Sónia. Mas não te esqueças de continuar alegre e divertida. Os teus novos companheiros vão adorar-te!
*___*

domingo, 31 de julho de 2011

A nossa Sónia adormeceu de cansaço

Dorme bem, querida Sónia, e sonha muito, como gostavas de fazer. Sonhos cor de rosa e onde tudo seja uma brincadeira. Que haja muitas brincadeiras de menina, para ti. Tu vais gostar de brincar!

Um beijo de boa noite *

Deixo-te com a Sonata ao Luar, de Beethoven, para te sentires embalada.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ultra-cansada de comparações

(Tram Flap não é igual a Apendicectomia, nem a Cirurgia da Próstata, nem a Cesariana, nem a Abdominoplastia, nem a Histerectomia...!)

Estou cansada de contar as peripécias da minha tragédia a pessoas que, pouco depois de eu abrir a boca, passam imediatamente a dizer que sabem o que me aconteceu, porque acompanharam o caso da Joaquina (tal e qual!) ou porque elas próprias fizeram uma cesariana (que eu nunca fiz...) !...

As intervenções medicamente assistidas a que eu já me submeti, ao longo da vida, têm os seguintes nomes, por ordem de ocorrência:

amigdalectomia - 1968
apendicectomia -1989
parto normal, com epidural - 1995
parto normal, com epidural - 1997
2 amniocenteses - 1998
2 partos normais, com epidural - 1999
mastectomia e mamoplastia para colocação de expansor - 2008
mamoplastia, de urgência, para troca de expansor rebentado - 2008
mastopexia e mamoplastia para retirada de expansor e colocação de prótese - 2009
mastopexia e mamoplastia para recolha de retalho e colocação de aréola - 2010
histerectomia e anexectomia bilateral - 2011
tram flap - 2011

Uma realidade sobre a qual não posso pronunciar-me com conhecimento de causa é a cesariana, mas quase tenho pena de não ter essa sabedoria, pois já tanta gente comparou o meu tram flap com a sua cesariana ou com a cesariana de outrem...
Genericamente, as pessoas têm tendência a fazer comparações e a fazê-las de uma forma impensada, pois é comum a noção de que já se viu e ouviu muito, pelo que... já se sabe do assunto.

Eu sei que, provavelmente, eu agiria do mesmo modo, se nunca tivesse sentido agressões físicas mesmo incomodativas, mas já que é impossível chegar a qualquer certeza quanto a isso, gostava mesmo que as pessoas que me interrogam o fizessem porque querem mesmo saber e não para me mostrarem que já têm experiência na matéria, seja por que forma for.

O meu cancro não me parece estar a tornar-me a pessoa melhor que eu me convenci que iria ser. Porque estou intolerante à intolerância dos outros: os que não querem falar; os que me abandonaram; os que sabem bem (mal) o que eu passei e estou a passar...

Há muita gente para quem os cancros são todos iguais e as cirurgias, com os seus períodos pós-cirúrgicos, também. Perante isto, eu sinto-me não mais do que um objeto, igual a tantos outros, de quem já todos sabem tudo.
E mais: cirurgias e pós-operatórios (e até químios e rádios) são banalidades da existência!...

Bem, vivo neste momento o pós tram flap, e, daqui a alguns meses, farei a aréola e o mamilo, a partir da pele da parte interna da coxa, junto à virilha.
Neste momento, o aspeto da minha mama é o que se vê na foto; uso uma cinta muito apertada, igual à da imagem (por 2 meses, de dia e de noite) e tenho uma cicatriz como a apresentada, com 54 cm. O meu umbigo não é o mesmo (foi-se a marca da ligação física que tive com a minha mãe), foi construído.

A mama nova saiu toda da barriga e o músculo abdominal subiu, por dentro, até à mama, sendo ele que a alimenta. No lugar dele, na zona abdominal, está uma rede, para im-
pedir que os órgãos se atrapalhem na escolha das suas posições corretas...

E agora vou referir aquele aspeto em que alguém que esteja a ter pachorra para ler isto já estará a pensar: "Mas porque é que ela expõe isto tudo?"
Exponho porque preciso, criando a ilusão de que me leem e me entendem, com intenção de dividir todos os tipos de dor que tenho tido nestes três anos e meio, fingindo acreditar que isto é partilhar a vida e, assim, torná-la menos dura; exponho por absoluta necessidade de verbalizar aquilo que as pessoas me mostram que é maçador quando ouvem; exponho, talvez, com a mesma necessidade que outras pessoas têm para esconder, calar.

A Educação para a Saúde devia conter uma unidade de Educação para a Doença, onde se aprendesse, em primeiro lugar, que cada doente é um ser humano diferente dos outros e que devemos saber como é que ele prefere ser tratado por nós no seu período mau...

Para finalizar, refiro que, de todos os "pós" que já vivi, este é o que me está a custar mais, pela violência da intervenção abdominal, que deixa no corpo a sensação de que nos encheram excessivamente, como se faz com uma mala (apesar de que o que aconteceu foi esvaziarem) e forçaram a pouco elástica tampa da mala a fechar...

Quanto à mama, não há dor nem desconforto. E foi-se o horrível mal-estar que tive durante 3 anos!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O nosso corpo como matéria-prima


Um dia, a minha prima patologista disse-me que não comia fígado nem rim, pois, para ela, ambos constituíam material de trabalho.
Neste momento da minha vida, mamas são materiais de modelagem... ou de corte e costura :( Nada mais!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A minha alma já foi bem grande!...

Agora, já nem me importo que digam que a minha alma é pequena! Estou extremamente cansada de sofrer (3 anos e meio) para tentar continuar neste mundo e para ter alguma qualidade de vida, de modo a proporcionar aos meninos que pus no mundo as condições necessárias para serem boas pessoas, bons cidadãos e o mais felizes possível.
Mas valerá a pena?! VALERÁ A PENA?!...

Two Breasts, Two Areolas and Two Nipples

This is what we all want and need
- to feel like women again!

Com toda a sinceridade, tenho alguma dificuldade em aceitar a relutância de certas pessoas no que toca a conversar sobre qualquer assunto relacionado com o cancro da mama.
Esta minha história vai com três anos e meio, e a falta de disponibilidade demonstrada por várias pessoas do meu passado para me ouvirem e para dizerem de sua justiça tem-me feito sentir uma criatura solitária, apesar de aqueles que sempre estão prontos para mim serem do melhor que há.
Se este problema atingir algumas das pessoas que nunca "conseguiram" ouvir-me, o que acontecerá a seguir? Acabará o mundo, para elas? Fechar-se-ão num quarto, para não verem ninguém, e recusarão qualquer forma de comunicação? Deixar-se-ão morrer, sem lutarem pela vida? Ou terão necessidade de falar com o mundo, especialmente, talvez, com quem já passou pelo mesmo?
Na possibilidade de a reação ser a enunciada por mim em último lugar, o que sentirão essas pessoas se o mundo não se mostrar recetivo a essas suas necessidades?!... Julgo que bem não se sentirão!!!
Para início de enunciação de princípio, penso que todas as pessoas deviam olhar para qualquer doente como alguém que sofre de algo de que elas poderão vir a sofrer. Continuando, defendo que todos devemos apelar à nossa capacidade de abstração, esforçando-nos por nos colocarmos "na pele" dos que sofrem a nosso lado, por forma a conseguirmos agir com eles como gostaríamos que agissem connosco, se fôssemos nós os enfermos.
Concluindo, não posso deixar de realçar a importância da procura do conhecimento exato daquilo que o doente gostaria que fizessem (ou não fizessem) por si, para que se possa agir em conformidade.

Ora detenhamo-nos só um pouco no meu caso de cancro: notícia; comunicação da notícia aos pais, aos filhos pequenos...; mastectomia, mais cinco cirurgias: 1. por rompimento do expansor, quando picada para me extraírem o líquido de um seroma; 2. para troca do expansor por uma prótese de silicone e redução da mama contralateral; 3. para colher um pouco de tecido na mama contralateral e formar uma aréola na mama nova, para que pudesse ser tatuada; 4. histerectomia, devida aos efeitos secundários do Tamoxifeno nos ovários, no útero e no colo do útero; 5. Tram Flap, para acabar de vez com tudo o que tinha sido feito anteriormente e me causava aperto, dor, mal-estar e falta de qualidade de vida, mas muita gente considerava ser produto da minha mente stressada e ansiosa; quimioterapia; radioterapia; fisioterapia; depressão e tratamento psiquiátrico; hidroginástica; consultas de psicologia e hipnose, para tentar aprender a viver com dor; férias familiares em casa...
Não haverá aqui matéria suficiente para necessidade de conversar? Só encontrei essa possibilidade nas meninas que já passaram por algo semelhante, as quais encontrei via net e a quem já me sinto ligada de uma forma muito especial. Contudo, a falta de "colo" das minhas pessoas de sempre e das outras de há muitos anos deixou-me à nora, sem referências, e fez com que houvesse uma grande transformação na minha essência.

Neste momento, falta-me recuperar do Tram Flap e fazer a aréola e o mamilo. Ai, mas que impressão faz a tanta gente falar (ou até ler) sobre estas questões!...
Mas nós, as "ganguinhas da mama" estamos à vontade até para mostrar...
"Naturalmente" - dirão alguns! Claro - digo eu. Mas não é natural não haver esforço da parte de amigos..., pois amigos são pessoas que se revelam nas ocasiões difíceis, procurando transcender-se nas suas dificuldades, se tal for necessário para ajudar... Amigos não podem ser, seguramente, aqueles que nos dizem que nós temos de pensar que não somos os únicos a sofrer e que todas as pessoas têm problemas, coisas que nem nos passam pela cabeça. Não passarão, talvez, mas, sem que no-los revelem, não podemos adivinhá-los, muito menos ajudar... E por que é que há-de ser praticamente um crime demonstrar as nossas fragilidades a quem pensamos ser nosso amigo?!... :(

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Meninas Patchwork

imagem "roubada" em http://www.tiradentes.net/analu-artes.htm

Qual destas acham vocês que sou eu?

Hoje, quando me retiraram os drenos e levantaram os pensos para colocarem outros, vi, claramente visto, o estado retalhado em que me encontro, após 7 cirurgias de deixar marcas no corpo. Uma boneca de patchwork foi a imagem mais aproximada que me surgiu.
Perguntei então ao Pedro, que estava comigo, mesmo ao pé da enfermeira e da ajudante:
- Que te parece este corpo esquartejado?
- Um corpo com histórias para contar. E se perguntaste isso porque estás a pensar que eu já não vou querer dar-te beijinhos e abracinhos, podes ir tirando o teu cavalinho da chuva, pois ainda vou ter mais razões para o fazer!
E fez-se um breve silêncio de bem-estar...

domingo, 10 de julho de 2011

Um Tram Flap como Correção de Erros

O Tram Flap (Transverse Rectus Abdominis Myocutaneous flap - ou seja, uso do retalho transverso do músculo retoabdominal, para formaço da mama) foi a única hipótese com alta percentagem de sucesso que me foi indicada para resolver o meu problema de fibrose (cápsula) à volta da prótese de silicone.
Há três anos e meio fizera uma mastectomia e, nessa mesma altura, colocara, sob o músculo grande peitoral, um expansor sobre o qual foram realizados 30 tratamentos de radioterapia, levando a pele e o músculo a perderem elasticidade.

A minha perda de qualidade de vida foi acentuadíssima, pois a sensação era a de ter permanentemente vestido um sutiã vários números abaixo do correto para mim. Todavia, como apertos, dores e mal-estar são realidades que não se vêem, o mundo à minha volta nunca mostrou acreditar que eu me sentia mal e eu cheguei a um estado profundo de depressão, preferindo a morte a um sofrimento sem solução e em que muitos não acreditavam.

Melhorada do afundamento depressivo e ajudada pelo quarto psiquiatra a que recorri, decidi lutar pela qualidade da minha vida de uma forma diferente. Ouvi várias opiniões sobre o que se passava comigo e vi, claramente, uma luz ao fundo do túnel quando, no Hospital da Prelada, me falaram da hipótese de usar tecido e músculo da barriga, para formar uma nova mama, rejeitando tudo o que já tinha feito no IPO de Lisboa e que acarretara quatro intervenções cirúrgicas, sendo que, quase por favor, condescenderiam em abrir-me mais uma vez, para desfazer a fibrose que desde logo se tinha instalado à volta da prótese. Falaram-me, para esta cirurgia, em 50% de hipóteses de sucesso... E eu virei as costas ao IPO, onde nunca fui tratada como gente, mas sim como aparelho velho e gasto, já sem hipótese de solução, mas obrigado a consertos periódicos, apenas para não falhar de vez!

Troquei Lisboa pelo Porto e o tratamento em massa pelo tratamento personalizado. Tudo me foi humana, pormenorizada e gentilmente explicado. E eu aceitei submeter-me ao que se pode ver no vídeo que se segue e que, em mim, está a manifestar-se um caso de grande sucesso.

(Poderá impressionar)

sexta-feira, 1 de julho de 2011


Vou começar a fazer a mala!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Almas de Pedra


Será despeito, será ciúme? É inveja, certamente!

Depois de duas tentativas frustradas de regresso ao trabalho, com cerca de dois meses cumpridos, nos passados setembro/outubro de 2009 e de 2010, tenciono apresentar-me no dia um do próximo mês nove, para abraçar de novo a minha profissão, do mesmo modo entusiasmado e empreendedor que imprimi à minha prestação como professora, a partir de 14 de outubro de 1986.
Estou, portanto, a viver um tempo de contagem decrescente, relativamente a um longo período de baixa, recheada de peripécias e de muitos momentos difíceis a vários níveis, nomeadamente no que concerne a uma solidão opressiva e depressiva.
Não estou, contudo, a "gozar os últimos cartuchos", como parece a algumas pessoas, pois nunca ninguém me ofereceu tal coisa, entendendo 'cartuchos' como doses de doçura e "dolce fare nienti".
De facto, vivi um tempo (alguns meses) em que não fiz absolutamente nada (eu, que sou "tetramãe"!...), mas esses foram, seguramente, os piores dias da minha vida, amargamente consciente de tudo o que devia fazer e sem capacidade para dar um passo, nem que fosse apenas para passar um pano numa superfície com pó, ou para fazer um telefonema, ou para me sentar em frente da televisão... Foram sucessivas e infindáveis doses de 24 horas de cama, com intervalos para higiene e alimentação, até ao ponto de a própria higiene ser, para mim, uma obrigação irritante!...
Desses tempos de choro e de nula vontade de viver guardo uma recordação muito viva, que me faz, agora, querer, principalmente, ter forças para não me voltar a deixar cair no abismo.
E cá estou eu, renovando a minha maneira de pensar, de agir, de escrever, de vestir e de me arranjar, até, por forma a conseguir obter, dos espelhos que refletem o meu corpo e a minha alma, imagens que me sejam agradáveis e me ajudem a rever-me como um ser social, algo que sofreu um longo interregno.
O 'entretanto' que agora se aproxima do fim foi também um período de tomada de consciência de que aqueles de nós que estão profissionalmente ativos olham para quem claudicou sob algumas perspetivas muito duras e difíceis de aceitar por estes últimos. Refiro-me concretamente às repetidas abordagens ao meu aspeto, por parte de quem me via de tempos a tempos. Para os outros, eu estive sempre com ótima cara, mas, curiosamente, também sempre muito melhor do que no encontro anterior, aquele em que me acharam pálida e olheirenta... E, a partir de determinada altura, o meu bom ar, no olhar dos outros, já vigorava há tanto tempo que começaram a surgir comentários jocosos, apontando a minha eventual preguicite, ou 'lambonice', arrastada no aproveitamento desnecessário e desonesto do período de baixa permitido por lei aos doentes oncológicos (período esse que eu não me atreveria a esgotar inadvertidamente, pois é concedido apenas uma vez na vida!).
Foi sempre demasiado penoso para mim ter de me "justificar", como se estivesse a agir fora da lei ou mesmo fora do bom senso. Fartei-me, literalmente, de explicar a dor, o terrível desconforto, o aperto constante, provocados por uma mama que fica melhor se nomeada como 'uma pedra ao peito, dentro de uma armadura de ferro'! E, apesar do meu esforço contrariado mas empenhado, havia quem nem se detivesse a ouvir-me até ao fim..., pois era tão visivelmente evidente que eu estava boa!...
Não ter conseguido aguentar-me a trabalhar, em ambos os anos em que tentei, deveu-se à dolorosa circunstância de eu ter uma prótese de silicone, fibrosada e encapsulada, por baixo da pele e do músculo grande peitoral, os quais, na ausência de qualquer tecido mamário, foram submetidos a 30 tratamentos de radioterapia. A fibrose e a cápsula que se formaram à volta da minha prótese eram do conhecimento do meu cirurgião plástico do IPO, desde a primeira consulta do pós-operatório da minha terceira cirurgia, mas esta situação foi sendo sucessivamente ignorada por ele, que alegou sempre que o meu problema era psicológico!
Os movimentos do tronco, o frio, o stress... fazem contrair-se uma zona já demasiado contraída, e quem tem de aguentar esse aperto sente-se, por vezes, próximo da loucura e, muitas delas, desejando o alívio oferecido pela morte! (É que a mama não sai, para aliviar, quando se chega a casa, como sai o calçado que magoou um dia inteiro ou a dentadura postiça, que se atira irritadamente para um copo...) E isto em momentos em que, ao redor, há quem vá pensando que até acaba por ser bom ter um cancro, desde que ele fique controlado, pois essa é uma maneira de arranjar uns anos de férias à conta!...
Fiz fisioterapia, hidroginástica e massagens caseiras; e tentei aprender a suportar a dor, através de hipnose e técnicas de relaxamento, com uma psicóloga. Nadei algumas vezes, mas era como se levasse muitos quilos ao peito, a puxarem-me para baixo... E sempre que falhava uma sessão de alguma das terapias sentia uma culpa esmagadora, pois já tinham passado anos sobre a primeira cirurgia e todos me diziam que, se quisesse aliviar um pouco a dor, teria de cumprir um programa diário de terapias para o resto da vida...
Valeu-me ter conhecido uma boa série de meninas operadas às mamas, devido a cancro, e com reconstrução, para perceber que andavam a enganar-me (uns sem culpa, mas outros cheios dela!), pois, num universo de cerca de 70 mulheres que sofreram ou sofrem de cancro da mama, só uma revelou dores do género das minhas, eventualmente por ser excessivamente magra, o que não é , de todo, o meu caso. Relativamente à reconstrução, conheço de tudo, em termos de satisfação pessoal, mas tudo se relaciona essencialmente com a questão estética. Há reconstruções verdadeiramente cinco estrelas, em que a nova mama quase não se distingue da natural, mas também há algumas aberrações, e eu encaixo-me mais nesta linha, pois, com o tempo, fui sofrendo algumas intervenções desnecessárias (nomeadamente aquela em que me reduziram a mama contralateral, para me colocarem uma aréola de pele sã na mama nova, com o argumento de que isso era necessário para que a tatuagem pegasse, pois a minha pele não deixaria que isso acontecesse, por ser irradiada...) e a prótese foi-se mexendo, espalmando e comprimindo, contribuindo para que aquilo que devia parecer uma mama tenha ganho um aspeto muito difícil de catalogar!
Eu, no entanto, sempre com aquela minha boa cara..., aquela que muitos me dizem que tenho a toda a hora, mas só porque não dá trabalho falar, todos gostam; dá é trabalho ouvir, e, se me escutassem mesmo, talvez vissem cansaço ou mal-estar nos meus olhos, e, assim, conseguissem oferecer-me algumas palavras de conforto!!!
Outra razão pela qual eu não tive sucesso nas minhas tentativas de voltar a trabalhar foi, por um lado, a falta de suporte legal para me permitirem um regresso gradual, e, por outro, a falta de sensibilidade dos meus superiores hierárquicos, que não procuraram usar a sua autonomia em prol de uma garantia de condições propícias ao retomar de uma rotina que fora abruptamente cortada um ano antes (da primeira vez) e dois anos antes (da segunda), por uma notícia de cancro, com todas as consequências que daí advêm. Assim me tivessem permitido começar com menos e ir aumentando o volume de trabalho e eu já teria lecionado durante dois anos, o que teria sido favorável a ambas as partes. Como as coisas foram feitas, o Estado tem gasto mesmo muito dinheiro, por eu ter tido um cancro, o Estado que, também, não providenciou para que eu não chegasse ao cancro, pois fui-me arrastando durante um ano e meio com corpos estranhos na mama, sem que os médicos tenham pedido um exame mais eficaz no diagnóstico do que a mamografia. Felizmente, ainda fui a tempo de erradicar o cancro (o que, todavia, não é linear...), mas já não fui a tempo de poupar a minha mama, insubstituível, faça eu o que fizer - como até vai acontecer!
Até hoje, felizmente, eu não tenho sido um caso mau de cancro, mas convinha que os que me rodeiam percebessem de uma vez por todas que cada cancro da mama é um cancro diferente, como cada pessoa é distinta de todas as outras, e também que o cancro não é uma doença, mas um conjunto de doenças, e cada mulher contrai as que lhe estão destinadas, nem mais nem menos. Eu contraí um carcinoma ductal invasivo. Seguiram-se complicações inflamatórias, fibrose na mama reconstruída, acompanhada de dor limitadora, a qual se fez sentir logo na fase do expansor e originou uma depressão. E vieram depois, por causa da medicação (Tamoxifeno), os doze quilos a mais, os problemas no útero e nos ovários, que me obrigaram à histerectomia e, à conta dela, à menopausa repentina e precoce, que me tem perturbado 24 sobre 24 horas, com afrontamentos que passam do terrível calor a suores gelados, dos pés até à cabeça ou vice-versa, nem sei...
E, neste momento, apesar de estar batida em cirurgias, a proximidade da sexta em apenas três anos está a provocar-me uma ansiedade que não era costumeira e já desencadeou (digo eu, pois o médico diz que a culpa pode ser duma bactéria bandida ou da demasiada acidez dos sucos gástricos) por aqui uma úlcera gástrica que espero resolver antes da operação.
Mas, para além da dor física, agora também no estômago, continuam os comentários pouco felizes por parte de pessoas que comigo se encontram fortuitamente. Anteontem, disse a uma colega da minha escola que, em Setembro, lá me encontrarei. E ela retorquiu, perguntando "E é para ficares o ano inteiro?" E lá me senti eu a procurar uma resposta que justificasse o facto de não ter conseguido antes... em vez de lhe atirar logo "Isso é que não posso garantir, pois tanto eu como tu podemos morrer ainda hoje!" Podia ter-me dito que eu era bem-vinda, por exemplo, mas parece que isso não é para mim!...

Pois é, aprendi muito nestes três anos. Sou agora mais sábia. Mas dispensava bem ter percebido que há pessoas que se sentiram ciumentas e outras que tiveram inveja das atenções que ainda outras me dispensaram.
Esta não é, contudo, uma triste verdade só minha. Sei que muitas das minhas companheiras de infortúnio tiveram também outro infortúnio, procedente do primeiro e que consistiu na perda de amigos que não aguentaram o protagonismo de uma mulher a lutar contra um cancro na mama!

É a vida!

domingo, 19 de junho de 2011

Reconstrução Com Tecidos da Barriga


Este é um método que exige uma cirurgia um pouco mais longa e um pós-operatório (teoricamente) mais doloroso do que aquele que opta pela colocação de uma prótese de silicone. Todavia, em termos de semelhança com uma mama natural, os resultados são, na esmagadora maioria dos casos de mastectomia, muito mais confortáveis para a mulher e muito melhores a nível estético.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

More Than Medication

Em especial, para a minha visitante anónima do dia 13!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Acentuada Assimetria Volumétrica

Experimentei o meu vestido novo, de um florido 'vintage'. Estava nos últimos preparativos da indumentária familiar, para irmos todos ao batizado. À Maria, faltavam umas meias para ténis; ao Quico, o gel para o cabelo; ao Miguel e ao Tiago, uma passadela a ferro nos calções; ao papá, baterias carregadas para as câmeras; e a mim, faltava um sutiã de cruzar atrás.
Ainda pensei em descoser as alças de um dos sutiãs que tinha na gaveta e voltar a cosê-las cruzadas, só para não ter de sair, mas o Pedro convenceu-me a ir tomar o ar do fim da tarde, e podia até procurar a flor para o cabelo que eu tanto desejava havia dias.
Intimissimi, Triumph, Women's Secret..., entrei, experimentei, vesti e despi, transpirei, quase desisti... E eu que nem preciso de sutiãs, logo agora, a menos de um mês de mudar de mamas!...
Os sutiãs de cruzar têm todos aro e almofada, e formam, por isso, uma espécie de concha semi-rígida na copa. E as minhas mamas, de tão desiguais, não admitem copas em concha, sob pena de, ao baixar-me ligeiramente, a copa esquerda ficar naturalmente cheia, enquanto a direita fica notoriamente vazia.
Ainda maldisse o médico que assim me deixou e não mais quis saber de mim, ainda me escorreram duas lágrimas que nasceram grossas, da acumulação provocada pela tentativa de retenção...
E acabei por comprar um sutiã sem aros nem almofadas, cujas alças não cruzam. Amanhã descoso-as cuidadosamente e volto a cosê-las. Cruzadas!

sábado, 4 de junho de 2011

Luta Pela Integridade


Muito melhor do que o tamanho é a integridade!

Não te esqueças do autoexame mensal;
Não descures as consultas de ginecologia;
Não desprezes sinais de novidades ou anomalias;
Não deixes de escutar a experiência de quem já sofreu.

Previne-te!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

DEZ PEQUENOS PRAZERES ALEATÓRIOS

(Não posso ver nada, é o que é! Vi várias meninas a exporem os seus 10 pequenos prazeres aleatórios e fiquei aguada! lol)

Cá vão os meus, portanto! (Só os ‘pequenos’!)

1. Conversar
2. Uma troca de olhares
3. Andar descalça
4. Mergulhar nas ondas
5. Um cafuné
6. Dormir a sesta
7. Música de fundo
8. Um sumo de laranja natural
9. Escrever
10. Sonhar (a dormir)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Rosa Esperança - Projeto Mulheres e o Cancro da Mama

Rosa Esperança - no dia 21 de Maio, no Seixal, última representação desta temporada.


Neste espetáculo, a luta contra o cancro da mama é contada na primeira pessoa. De uma forma direta, sem rodeios e sem dramatismos, sete mulheres que viveram o cancro da mama “mostram” a sua experiência a um público que se deixa envolver ao ponto da identificação, quer se trate de outras mulheres, tendo ou não experimentado as batalhas referidas, quer se trate de companheiros de jornada, recordando horas de partilha de grandes dificuldades ou imaginando a possibilidade de terem de as partilhar.
O que fica na memória e na retina é a expressão viva e alegre destas sete guerreiras, que conseguem transmitir, de forma inesquecível, as duas principais mensagens da peça: é muito importante prevenir, pois, detetado a tempo, este cancro tem cura; é muito importante encarar a doença com espírito positivo, pois a cura alimenta-se de vontade de viver, espírito combativo e boa disposição de espírito.




(Ai os dentes! Eu luto agora contra a vontade enorme que alguns têm de se ir embora!)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um perfil cor-de-rosa

Reparem bem nelas!
Quem é que diz que luta(ra)m contra o cancro da mama?!
São muito desajuizadas estas minhas amigas! LOL
Na Corrida da Mulher, só lhes faltou mesmo ganhar o primeiro lugar, pois de tudo o resto elas ofereceram a quem quis ver ou participar. Elas correram; elas pularam; elas sorriram; elas riram; elas cantaram; e dançaram; e falaram; e brincaram; disparataram...
Mas... o mais importante de tudo: elas participaram! E, assim, contribuíram para engrossar a mancha rosa que visa alertar para a prevenção!
Elas estão vivas, elas são grandes guerreiras, mulheres de fibra, positivas, animadas, amigas, sempre prontas para ajudarem mais uma a quem o bicho resolveu incomodar. E sempre com a intenção de desdramatizar, pois, encarado com garra, depois de detetado a tempo, o cancro é um bichanito perdedor, sem forças para lutar contra as mulheres.
Vá, ponham bem os olhos nestas caras lindas, todas amigas de verdade!
E se quiserem ver mais fotos, procurem-nas por aí (no FB há muitas!)

Beijocas rosadas, minhas lindas. Para a próxima, não se livram de mim!

Porque o melhor... o melhor...
AINDA ESTÁ PARA VIR! ;-)

Tão difícil, mas tão compensador!...

Sê afável. Não deixes que o mundo te torne ríspida. Não permitas que a dor te faça odiar. Nem consintas que o ressentimento te corte a doçura. Orgulha-te por ainda acreditares que o mundo é um lugar bonito, apesar de toda a gente poder discordar de ti.

N.B. Para as “ganguinhas” minhas amigas
e para quem achar que lhe fará jeito (como faz a mim!)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

As Bagas Goji

Está provado que uma das variedades mais saudáveis de fruta é a dos frutos de baga (ver post de 24 de Janeiro de 2010, sobre os “Berries"), especialmente pelas suas qualidades antioxidantes e pelo seu valor nutritivo.
Gogi é o fruto da planta Lycium barbarum, um arbusto proveniente dos Himalaias (Norte da China e Tibete - o mais puro e limpo ambiente da terra), com forma de baga vermelha e aspeto semelhante à nossa uva passa, quando seco (estado em que deve ser consumido).
Há muitos séculos usadas na Índia e na China, as bagas Goji tibetanas só adquiriram importância no Ocidente há relativamente pouco tempo, devido aos comprovados benefícios da sua ingestão para a saúde e para o bem-estar dos humanos.
Benefícios das Bagas Gogi para a Saúde

# Melhoram os níveis de insulina nos diabéticos
# Fortalecem e suportam as funções saudáveis do fígado e dos rins
# Fortalecem os ossos e os tendões
# Mantêm o sistema nervosos saudável
# Protegem a pele dos danos causados pelo sol
# Melhoram as cataratas, a visão turva e a audição
# Aumentam a líbido e o desempenho sexual
# Promovem a fertilidade
# Ajudam no processo digestivo e na perda de peso
# Equilibram os níveis de pressão no sangue
# Baixam o mau colesterol
# Combatem a artrite
# Protegem o corpo do envelhecimento e aumentam a longevidade
# Promovem a energia e o bem-estar
# Protegem contra as doenças cardio-vasculares e inflamatórias
# Mantêm o sistema imunitário saudável
# Fortalecem os ossos e os tendões
# Alguns estudos apontam-nas como tendo propriedades anticancerígenas
# Mantêm o sistema nervoso saudável

E têm ainda a propriedade de fazer rir e sorrir durante o dia inteiro, característica pela qual são também designadas como happy berries e smiling berries.

Estas bagas são, normalmente, vendidas em saquinhos transparentes, no rótulo dos quais deve ser procurada a sua origem preferencial (o lycium barbaraum tibetano), pois há outros tipos, pouco confiáveis.
Como saborear os gojiberries

As bagas goji podem ser comidas diretamente do pacote (uma mão cheia por dia) ou conjugadas com vários outros alimentos, como por exemplo saladas vegetais, saladas de frutos, iogurtes, molhos, compotas, bolos, etc.

Temos, portanto, muitos de nós, um novo alimento em que apostar, para a persecução de uma vida com saúde. É, no entanto, preciso não esquecer que, sem uma alimentação globalmente saudável e sem exercício físico, não há alimento nenhum que opere milagres. Nem as bagas de Gogi!
Eu já experimentei, diretamente da mão cheia delas e misturadas com iogurte e cereais integrais. Comem-se. Sem prazer nem desprazer.

Ainda hoje...

Leiam por aqui: “As Bagas de Goji"

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Páscoa Feliz

Para Todos os Leitores deste Blogue

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Menopausa Depois do Cancro da Mama


(Eis uma calorina*)
O início da menopausa (pausa da hemorragia mensal) determina-se depois de se conhecer a data da última menstruação, a qual, relativamente ao seu período normal - entre os 45 e os 55 anos - pode acontecer precocemente ou tardiamente.
Depois do cancro da mama, seja qual for a idade da mulher, pode ocorrer uma falta de menstruação por um tempo alargado, devido, por exemplo, à quimioterapia, havendo efetivamente uma pausa, sem que, no entanto, a mulher tenha entrado na menopausa, pelo que, mais cedo ou mais tarde, ela poderá voltar a ser menstruada.
Se alguma causa externa interferir com o normal funcionamento hormonal de uma mulher (uma histerectomia, por exemplo, ou a simples extração dos ovários), a pausa acontece de uma forma súbita e definitiva - é a menopausa, portanto, com todos os seus sintomas, sinais e consequências.
Na maioria dos casos, é possível propor-se à mulher uma terapêutica hormonal de substituição, que reponha os estrogénios que eram produzidos nos ovários, que deixaram de lá estar, diminuindo assim os níveis de ocorrência de sintomas, sinais e consequências da falta desta hormona. Nem todas as mulheres aceitam esta terapêutica, por se ter noção de que poderá haver uma relação entre a sua administração e o cancro da mama, desenvolvido posteriormente, embora tal possa ser monitorizado pelos médicos.
Quem não faz terapêutica de substituição fica mais sujeito a todas as implicações da falta de estrogénios, como sejam os afrontamentos, a irritabilidade, a secura vaginal, a osteoporose.
Ora, nas mulheres que tiveram cancro da mama, antes de entrarem (seja de que maneira for) na menopausa, é preciso saber se as células que em si se tornaram malignas se alimentaram de estrogénios, e um cancro positivo para estrogénios tem de ser travado através da inibição da sua produção. E isso faz-se, por exemplo, tomando Tamoxifeno, medicamento cujo uso é aconselhado a muitas mulheres por um período de cinco anos.
Ora, sendo eu uma dessas mulheres, ao fim de dois anos e meio de toma, tinha já sofrido as consequências deste inibidor, como sejam quistos nos ovários, mioma no útero, pólipos e espessamento do endométrio. E a solução foi a histerectomia total.
No meu caso, foi a histerectomia que me provocou a menopausa, embora eu já não fosse menstruada há muitos meses, em consequência da quimio e do Tamoxifeno. Mas, para mim, a menopausa não chegou precoce nem tardiamente, chegou no seu tempo natural, embora pudesse não ser exatamente este o meu.
Estou, portanto, neste momento, livre dos efeitos nefastos do Tamoxifeno, e até pensei que pudesse deixar de o tomar, uma vez que já me retiraram os produtores de estrogénios. Pensei, mas enganei-me, pois, posta a questão ao meu ginecologista, obtive a resposta de que a mulher produz sempre estrogénios, até a gordura os produz, pelo que continua a ser necessário continuar a inibir essa produção através da administração do Tamoxifeno, caso contrário, as células mamárias podem entrar em mutação e aparecer um novo tumor maligno.
Sendo este o meu caso, fico irremediavelmente privada da terapêutica de substituição, o que me expõe a tudo o que atrás referi, com especial cuidado a ter na prevenção da osteoporose. Para tal, segundo o meu médico, deverei ingerir alimentos com muito cálcio, nomeadamente leite (embora haja quem diga - e eu sei lá se com ou sem razão - que o leite de vaca é para os bezerros), e seus derivados. Para além disso, a densitometria deverá ser usada como meio de diagnóstico.
Para já, tenho um leque na mesa de cabeceira e outro dentro da mala, para os calores noturnos e para aqueles que me acontecem fora de casa. E passei a vestir-me por camadas, de modo a que vá podendo despir uma peça ou outra, para aliviar, esteja onde estiver. Deixam de se usar camisolas interiores, as quais devem ser trocadas por camisolas básicas, para que possamos chegar ao ponto de ficar só com uma dessas vestida. Chato é deixar de poder usar vestidos de inverno, pois o vestido, se o é, de facto, convém despir-se só em casa. LOL

(Para mais informações, ligue o x9l25b8h2 LOL)

* Calorina é a quantidade de calor necessário para elevar em muitos graus celsius a temperatura de uma mulher menopáusica.

sábado, 2 de abril de 2011

Hoje no Furadouro

100 mulheres 100 cancro














Adorei a sensação de familiaridade ao encontrar-me com várias meninas com quem converso há meses pela net.

Foi só

continuar a conversa... E rirmo-nos da doença, sendo fotografadas por profissionais que vão editar um livro com as nossas caras...,
numa parceria entre o Movimento Rosa, Esperança e o Movimento Mulheres Portuguesas.

(fotos da Maria)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

100 Mulheres 100 Cancro

Amanhã é na Praia do Furadouro...



Olá! Eu sou a Guida, vou de Viseu e aderi a este projeto por reconhecer a sua utilidade na transmissão do espírito guerreiro com que muitas mulheres encararam e encaram o seu cancro da mama, tomando a doença não como um sinónimo de morte ou mesmo de fragilização pessoal, mas sim como o início de uma nova vida, mais dedicada aos valores e à essência do ser humano e menos desperdiçada em conflitos pessoais ou competições para vencer na carreira.
O sorriso de cada uma de nós é a prova de que acreditámos e acreditamos que somos mais fortes do que o cancro e que a nossa entrega à luta contra o bicho mau é o essencial para sairmos vencedoras e para nos transformarmos em pessoas renovadas e melhores.

terça-feira, 29 de março de 2011

Punto Cero / Second Life...


Obrigada, querida Ana Camões, por considerares que o meu blogue merece destaque, na transmissão da verdade sobre o cancro da mama e no estímulo ao espírito positivo na maneira como se encara a luta pela sua cura.

Devia cumprir algumas regras, na transmissão deste selo, mas como tu resolveste presentear toda a nossa malta, já todas o têm e por todas é merecido. Vou então fazer apenas um breve destaque ao blogue da Teresa Pais, que tem um título que eu nunca lhe disse que considero espetacular (Punto Cero / Second Life), por vincar a importância do cancro no estabelecimento de um ponto do nosso percurso existencial como sendo a divisória entre dois tempos muito diferentes da nossa vida.
Destaco ainda, na Teresa Pais, a frontalidade com que demonstra os vários estados de espírito por que passa, pois quem nos lê deve perceber que nem tudo é fácil, que há momentos maus, medos, incertezas, afundamentos, mas há também capacidade para brincar, para nos rirmos de nós próprias e da doença em si, para darmos força umas às outras, usando essencialmente as palavras.

Agora não se ponham com invejas, ok!? Senti que foi o momento certo para destacar a TP, até por aquilo que eu tenho passado ultimamente, mas lá chegará a vossa vez, suas malucas!

BEIJOCAS
a todas

Ah, desculpem, esquecia-me de dizer alguma coisa sobre mim...

Tentando...

\ Oscilo entre o gozo pleno do prazer de viver e a sensação de que não tenho préstimo e nada me interessa, oscilação esta que se relaciona com a quantidade e qualidade dos ventos de reconhecimento que me chegam e alterna em mim comportamentos de grande certeza e determinação com outros de absoluta insegurança e sensação de fraqueza e inferioridade.

\ Preciso de escrever para me conhecer melhor e para me compreender.

\ Eu e a vida temos tido um jogo constante de mútua aceitação-rejeição.

\ Casei com a pessoa certa.

\ Adoro ser e dizer que sou mãe de quatro filhos.

\ Detesto lides caseiras.

\ Adoro decoração.

\ Gosto de jogar, pelo desafio que as regras impõem.

\ Adoro música. Se houver reencarnação, quero ser música, com uma vertente marcadamente Blues.

\ Adoro o cheiro a terra molhada.

\ Adoro mergulhar no mar, com ondas.

\ Adoro o nascer e o pôr do sol, embora poucas vezes tenha visto o nascer.

\ Para ser feliz daqui para a frente, precisava de deixar de ser professora.

\ Não sou de meter conversa, mas, uma vez embalada nela, adoro conversar.

\ Sou boa ouvinte e chateiam-me os maus ouvintes.

\ Estou sempre a leste do paraíso no que diz respeito à vida dos outros. Excessivamente - dizem!

\ Custa-me sempre vencer a inércia e começar a trabalhar, mas, uma vez começada a tarefa, não descanso enquanto não a termino com o êxito possível.

\ Sou direta, frontal, sincera, mas nem sempre compreendida e, por vezes, acabo por ferir susceptibilidades.

\ Chego a ter convicções muito arreigadas, mas a verdade é que a vida já me fez desistir de muitas delas.

\ Não sinto a idade que tenho. Nem metade mora em mim.

\ Gosto de dar prendas quando não é caso para isso e não gosto da obrigação de as dar, à qual me furto muitas vezes.

\ Gosto de viajar sem a obrigação de ver todos os museus e assistir a todos os eventos culturais. Quero ir sem plano de viagem e entrar em locais que me apareçam, como se eu não fosse turista, mas, antes, morasse ali...

DESCULPEM. EXCEDI-ME!

terça-feira, 22 de março de 2011

ATO DE CONTRIÇÃO

Felizmente, ainda existem pessoas que vão ao fundo das questões, de uma forma sincera e direta, ou seja, amiga! A algumas delas tenho de agradecer o alerta sobre o que pode ser entendido após a leitura do meu post "Eu já não sou"!

A ideia que ficou na mente de algumas pessoas foi a de eu estar com problemas conjugais. Mas, felizmente, estou muito longe disso. Até vos convido a lerem a homenagem que fiz ao meu marido, pai dos meus filhos, no meu blogue Canto do Ego, no Dia do Pai.

O meu problema é uma depressão, que vem de um cancro e dos seus derivados, sendo que o principal derivado é o afastamento dos meus amigos da adolescência, por não aguentarem a minha exposição através da escrita, nomeadamente a minha necessidade de debater pormenores da vida e a minha queda para fazer retratos de tipos de pessoas e comportamentos de subserviência perante as imposições da sociedade. Grosso modo.

Falo de um grupo de pessoas bastante grande, no qual há vários cruzamentos familiares, funcionando todos como se pertencessem a uma família só. Um clã!

Eu estou fisicamente afastada do clã há 12 anos, mas o afastamento real começou a acontecer um ano antes do cancro, quando divulguei o meu primeiro blogue e fui mal acolhida. Foi um afastamento gradual e houve várias tentativas para que ele não se concretizasse, mas, provavelmente por existência de fortes convicções contrárias entre mim e uma das pessoas do clã, não se conseguiu resolver a questão, até que, há pouco tempo, recebi um email em que estava escrito: "A nossa amizade termina aqui". E eu não consegui dizer mais nada.
A verdade é que por Viseu não investi muito nas novas amizades, possíveis sobretudo entre colegas das nossas escolas, porque a "nossa malta" sempre foi o nosso reduto e nós continuávamos a ir a Lisboa e eles a virem cá. Mas agora, que me incompatibilizei com um dos elementos do grupo, tenho sentido o silêncio de todos e estou atrapalhadíssima com a situação, pois os meus filhos são primos de alguns da geração mais nova, e toda essa geração funciona como se todos fossem realmente primos. Estou aflita, a achar que há escolhas que eu não tenho o direito de fazer, porque (ainda) condicionam os relacionamentos preferenciais dos meus filhos. Ou seja, não me considero livre de cortar relações com os amigos, pois os meus amigos (e amigos do meu marido) são pais de primos e espécies de primos dos nossos filhos.
Mas as relações estão cortadas, neste momento. E até já não vai haver as tradicionais férias no mesmo aldeamento (30 e tal passoas, embora cada família nuclear em sua casa).

O meu marido está do meu lado, mas eu ainda tenho em 'interregno' o meu blogue Noves Fora Um, onde tinha começado a contar a minha história de cancro. Parei de escrever por perceber que feria susceptibilidades, mas sinto-lhe imenso a falta. E tenho um problema: já não consigo escrever em papel e viciei-me na escrita em blogues. O Word já não me satisfaz - porque ninguém vai ver. Parece que quanto mais só me sinto, mais necessidade de exposição tenho!... Mas a exposição só me traz retorno de algumas pessoas que me conhecem pouco ou feito de palavras triviais e de circunstância, do tipo "Bom Natal".

O meu marido está do meu lado e é o melhor marido que conheço, mas ele e os filhos maravilhosos que temos não me bastam nesta vida. São as pessoas mais importantes, sem dúvida, mas preciso de sentir que sou pessoa para o resto dos meus conhecimentos, como fui até há poucos anos.

A minha circunstância de baixa prolongada também não ajuda, pois não trabalhar significa afastamento dos colegas de trabalho. E tudo isto significa solidão. E também impotência, pois a entrada gradual no trabalho, depois dos tratamentos duros contra o cancro e depois das cirurgias ter-me-ia ajudado ao ponto de eu já estar a trabalhar a 100%. Assim, estou ainda de baixa, encostada como um jarrão velho e feio, sem préstimo.

Quando vos digo que já nem mulher me sinto, refiro-me ao problema que tive com a reconstrução da mama, ao aumento de peso, ao tipo de lingerie que passei a usar, ao desinteresse por ver-me ao espelho...

Mas nada disto é acusado pelo meu marido, que é um homem invulgaríssimo na capacidade de adaptação a qualquer situação e que eu sei que me ama e nada se importa com estas questões que estou para aqui a expor.

Mas eu sou uma pessoa. E estou perdida de mim! Há muito! E não consigo encontrar-me, por muito que o marido se esforce, e tem esforçado.

Se há alguma coisa a dizer da minha relação conjugal é que ela é invulgarmente saudável, apesar de eu estar doente.

Escrevi este texto, porque o Pedro não merece que pensem dele nada de negativo (antes pelo contrário) e pareceu-me possível que alguém pensasse isso, após a conclusão de que eu estaria com problemas conjugais.




segunda-feira, 21 de março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

Eu já não sou!

Há muito que apenas estou.

O cancro trouxe-me uma crescente e dolorosa solidão, provocada por uma perceção do mundo cada vez mais aguda e amarga.
Eu não pedi para nascer e muito menos para me doer... E, só por isso, trataria já da minha fuga deste mundo que não me acolhe, pois já ninguém me entende e eu já não entendo ninguém.
Estou imensamente cansada do dever de agradecer (não sei a quem) o facto de haver muita gente que está pior do que eu! Uma pessoa não pede para vir ao mundo, o mundo traz-lhe sofrimento, mas ainda deve agradecer?! Já não sei se fui eu que enlouqueci ou se estão todos loucos à minha volta. Mas, como estou sozinha nisto, a louca devo ser eu! Ou não!!!
Odeio sofrer, não pretendo alcançar nada com o sofrimento e estou farta do meu afundamento físico e psicológico.
Já não me vejo como pessoa, e muito menos como mulher. Tecnicamente, tudo o que me fizeram e ainda fazem está certo. Tecnicamente! Eu sou como um carro antigo que alguém quer preservar. Vou ao bate-chapas, dão-me umas pinceladas de tinta, metem-me gasolina de 98 octanas... e eu olho-me ao espelho e não me encontro refletida.
Não me vou embora de livre vontade apenas por uma razão: esqueci-me de perguntar aos meus filhos se eles queriam nascer. E não vou fazer-lhes uma desfeita. É uma obrigação minha aguentar tudo o que vier. Por eles! Mas da minha verdadeira pessoa já pouco resta. E o que faço é arrastar-me, esperando que não seja por muito tempo...
Se não tenho prazer nesta vida, não entendo porque é que cá ando. Chamem-me egoísta ou pior, se quiserem! Já dei muito de mim, com todo o entusiasmo, mas fiquei esgotada por não receber dos outros.
Se não há quem me reconheça, para quê continuar? Só pelos meus deveres de mãe, cumpridos porque tem de ser.
Odeio o cancro, especialmente o que se cura. Porque a cura é uma ilusão. A partir do momento em que comecei esta luta, tudo tem acarretado doses excessivas de sofrimento, a vários níveis: o corpo deixou de ser o que eu conhecia: tornou-se maior e cada vez mais retalhado; as suas capacidades estão a anos-luz das que tinha há três anos; as pessoas afastaram-se de mim, porque eu sou demasiado clara, demasiado direta e demasiado carente; quem olha para mim vê-me bem e deve estar farto de me ouvir dizer que não estou; o meu entusiasmo por pormenores da vida que já me fizeram empenhar-me a fundo perdeu-se, por falta de recetores; a minha vida resume-se ao computador, aos filhos, à casa, ao marido... Gosto de decoração, mas não tenho dinheiro para decorar o resto e nem só de decoração vive uma mulher; odeio tarefas domésticas e estou farta de ser professora.
O meu cancro devia ter-me levado com ele! E a verdade é que, na atrapalhação, assinei um papel para me cortarem uma mama e assinei mais quatro para irem fazendo acertos em mim, mas ninguém me perguntou se era isso que eu queria; ninguém conversou comigo sobre o que me ia acontecer depois, para eu ponderar tirar ou deixar estar.
E eu finjo todos os dias que a vida está normal. Porque tenho quatro filhos que não me pediram para nascer! Só por isso. Porque eu já não sei sorrir, embora o faça para inglês ver.

Lamento, mas não concordo com a imagem que se tem passado para o público em geral, mostrando o cancro da mama como uma espécie de pedra no sapato que, depois de sacudida, apesar de ter aleijado um bocado, deixa as pessoas num estado de êxtase por terem ganho uma batalha e até passam a sentir todas as dores que lhes chegam como se fossem leves entaladelas apenas, ou coisa que o valha...

terça-feira, 15 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Melhor Hidratante do Mundo



Tenho amigas que não acreditam nisto. Bons cremes custam muito dinheiro, nem toda a gente lhes chega, e é, com certeza, por isso que os médicos e enfermeiros não os aconselham.
Ora essa, os médicos não estão preocupados com os nossos gastos. Chegaram a indicar-me sutiãs de uma marca que só havia numa determinada loja, e eu, ignorante e frágil, na altura, lá fui e gastei uma fortuna só relativamente comparticipada pelo meu sistema de saúde...
O Nivea da lata azul é o creme mais aconselhado por cirurgiões plásticos, por exemplo, aqueles que nos fotografam com um fundo azul claro, para mostrarem nos congressos a beleza de trabalho que conseguem fazer, para fazerem inveja aos colegas...
Acham que essa malta não nos ia indicar o melhor creme, sob pena de as nossas cicatrizes não ficarem quase impercetíveis? Nem pensar! Se há médicos que têm orgulho no seu trabalho e o querem divulgar o mais possível são os cirurgiões plásticos.
Portanto, gente que se submete a uma qualquer cirurgia não deve esquecer-se de massajar a zona cortada duas vezes ao dia, pelo menos, com o Nivea da lata azul!
Foi o que eu fiz nas mamas, por quatro vezes, e é o que estou a fazer agora na minha cicatriz abdominal, que está a ficar um mimo para eu esconder num biquíni pequenino, quiçá com bolinhas amarelas... LOL

domingo, 13 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Nostalgia Pós-Histerectomia



Tenho tido tantas saudades de quando estes meus bichinhos me saltavam para o colo!...
Deve ser por isso que não paro de pensar em ter um cão...
Vou abrir concurso para o nome do cão, e depois logo se vê no que isto dá!...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Nem Todos os Regressos ao Trabalho de Doentes Oncológicos São Facilitados


Analfabetismo e Escola Inclusiva

Pobre Marco! Foi meu aluno, fez-me a vida negra nas minhas duas tentativas (em dois anos consecutivos) de regresso à escola depois do cancro e, assim como não há legislação que proteja um doente oncológico no seu regresso ao trabalho, também não há quem valha a um rapaz como este, que INCLUEM numa turma de alunos normais, onde só consegue desestabilizar os colegas e perturbar o trabalho dos professores, transitando de ano porque sim (porque o sistema de ensino o exige), sem nada aprender enquanto atrapalha aqueles que também o atrapalham a ele, pois não era ali que ele devia estar.
A escola inclusiva é um embuste e o ensino especial deixa quase tudo a desejar, pois não está estruturado de forma a dar resposta a casos como este.
Neste país, apenas interessam números! Convém que se registe que as transições de ano de alunos analfabetos, como o Marco, contam para engrossar as estatísticas de sucesso escolar!!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

domingo, 6 de março de 2011

Todas Diferentes, Todas Iguais



Oito dias de internamento num serviço de ginecologia podem ser extremamente enriquecedores.
Muitas mulheres de pijama, chinelos e roupão, agrupadas quatro a quatro em diferentes enfermarias, na medida do possível, de acordo com as suas maleitas, nunca, num outro lugar da terra, normalmente vestidas, penteadas, calçadas e maquilhadas, arranjadas para agradar, quer a si próprias, quer ao mundo, se sentiriam tão próximas umas das outras, indiferentes a estatutos sociais, habilitações académicas, modos de falar, marcas de roupa...
Distribuídas ao longo de um corredor, as enfermarias são visitadas por todas. Já que a ninguém foi dado a escolher o número do quarto, nem o da cama, e, a juntar à necessidade de caminhar, em prol de uma rápida e eficaz recuperação, todas vão circulando e visitando - ora pela "avenida, vendo as montras", ora entrando nas "casas" vizinhas, onde as pausas nas caminhadas oferecem mais uma ou outra história de vida.
Tão diferentes as vidas das pessoas! Tantos maridos atrapalhados pela ausência das suas mulheres em casa: um passou a dormir na cama com o sogro; outro é acordado, todas as manhãs, pelo telefonema da mulher, que, ainda que internada, não pode esquecer-se dessa tarefa; outro tem em casa uma folha escrita pela mulher com o que há de tirar do congelador em cada dia, como há de confecionar os vários alimentos, como se põe a máquina da loiça a funcionar; outro mudou-se para casa dos sogros... Quanto a isso abstenho-me de falar, não vá parecer que me armo em boa ao revelar que o meu marido está em casa com os quatro filhos e ainda tem tempo de ir trabalhar e visitar a mulher no hospital...
Enquanto "tomamos conta" umas das outras, não haja uma dor mais estranha ou uma indisposição que deva ser socorrida com rapidez, vamo-nos surpreendendo, na verificação da nossa solicitude, do nosso regozijo em sermos prestáveis, e da camaradagem crescente a cada hora, que é um meio de encolher os longos dias de um hospital.
Todas desejosas das suas casas, ninguém abala dali sem contactos telefónicos, sem moradas, sem endereços de email...
Brinca-se quanto se pode, por vezes contendo o riso, para não doer, mas conseguindo, assim, mitigar a dor. As enfermeiras simpáticas e algumas auxiliares vão alinhando nesta criação de ilusões, o que aquece o coração e oferece uma sensação de segurança - como se não estivéssemos ali por doença, mas talvez de férias, ou talvez hospedadas por uma outra qualquer razão nada relacionada com saúde.
Os comprimidos são pintarolas, as injeções na barriga são picadinhas de mosquito e as das nalgas são pequenos tabefes por não termos comido tudo...
E vão-se fixando caras e nomes, quer das mais queridas, quer das que não devem andar com a vida doce... Ao fim do dia, ouve-se a malta a desejar 'boa noite', no regresso das visitas à vizinhança.
Tão diferentes em tudo estas mulheres... e tão iguais no seu internamento hospitalar! Que pensamos nós que somos quando tudo na vida nos corre bem? Como é possível haver sentimentos de superioridade e vergonha de certos relacionamentos?
Não há dinheiro nem instrução que nos salvem da nossa idêntica condição de humanos que nascem e morrem! E não sofrer é só uma uma sorte que alguns (poucos) têm nesta vida!

(Dedico este texto à Bia, à Glória, à Céu, à Susana, à Odete, à Leonilde, à Nazaré e à enfermeira Teresa)

sexta-feira, 4 de março de 2011

How Fragile We Are!



Apesar das nossas fraquezas
Temos aceitado todos os cortes
E para todas as nossas dores
Temos encontrado a superação

Tanto fracas como fortes
Perseguimos a remissão
Apoiadas pelos nossos amores
Caminhamos crentes em defesas

E camuflamos a fragilidade com flores