Dedico e dirijo este blogue a todos aqueles que tiverem passado (ou estiverem a passar) por histórias de cancros, quer como protagonistas, quer no papel de acompanhantes na luta contra a doença, mas espero por cá encontrar qualquer contributo que qualquer um considere válido.
A intenção principal é trocar experiências de forma direta e sincera, sem necessidade de qualquer apoio no escudo da força constante e do pensamento sempre positivo, que tantas vezes não estão presentes, mas parece haver uma imposição social para que assim seja...
Sejam bem-vindos! E divulguem este blogue!

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riscos marcantes

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No dia 11.1.11, este blogue passou a ser escrito à luz do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A propósito do modo como os saudáveis lidam com os doentes

Comecei hoje a ler o livro do António Feio, que, tanto interesse suscitou à minha filha que acabou por me vir parar às mãos. E logo me chegou a vontade de partilhar convosco este excerto, em que ele lamenta a falta de solidariedade de algumas pessoas perante os problemas dos outros.

A mensagem principal que quero deixar às pessoas é que se há um problema é preciso resolvê-lo da melhor maneira, há que não ficar quieto, há que tentar de tudo primeiro, nunca desistir. E quando digo isto, já não falo apenas das situações em que estamos doentes, mas sim dos problemas em geral, porque acho que existem princípios e atitudes que se podem aplicar a tudo na vida. É óbvio que em situações destas o apoio que recebemos à nossa volta e o simples acto de falar sobre as coisas só pode ajudar. É preciso que as pessoas percebam que têm de se envolver em causas, pensar sobre as causas, ajudar os que estão envolvidos e a sofrer, e não apenas fazer de conta que se preocupam com elas participando simplesmente de campanhas como as dos donativos para a Liga contra o Cancro,que me parecem tão simbólicas como dar cinco tostões para ajudar a mesma. Importante é as pessoas terem uma atitude positiva e pro-activa. Perceberem que amanhã o assunto pode ser com elas.
Depois parece-me que as pessoas no geral olham com uma certa restrição e com alguma pena para os que têm uma doença como a minha ou que passam por um processo idêntico, quase não lhes manifestando aquilo que sentem. Imagino que algumas não saibam como reagir, outras terão simplesmente falta de sensibilidade. Para muitos, e como o problema não é deles, pensam: "os outros que se danem".
(...) Eu sou uma pessoa com sorte, no meio de tudo isto. Tenho a felicidade de ter uma família enorme e imensos amigos que me mimam muito. Posso dizer que tenho bons amigos. Mas acho que as pessoas em geral deviam dar mais apoio a quem precisa, dar uma ajuda mais pessoal, deviam ajudar-se mais umas às outras. Do outro lado vão encontrar uma pessoa igual a elas próprias a precisar de apoio, ou a precisar simplesmente de uma palavra ou de um carinho.
(...) Se as pessoas começarem a parar por um momento para olhar para casos como o meu, ou, simplesmente,para a sua própria vida com olhos de ver, talvez comecem a relativizar os seus próprios problemas e possam perceber o que de facto vale a pena na vida. Talvez a consigam aproveitar melhor.
Pois a verdade é que a maioria dos problemas de que as pessoas se queixam habitualmente, não são, na verdade, problemas.
Apesar de eu ter levado uma vida muito agitada e ocupada sempre me preocupei com as pessoas que passavem por dificuldades. Mas hoje sinto que poderia ter tido uma atitude mais pro-activa em relação a essas pessoas. É claro que depois de saber que estou doente, passei a ver esta questão de um modo completamente diferente, mas mais vale tarde do que nunca.

ANTÓNIO FEIO, in Aproveitem a Vida

2 comentários:

maguie disse...

Já li o livro 2 vezes e sempre encontro algo que me surpreende, o António foi um Guerreiro....

Bjs
..

Guida Palhota disse...

Maguie, eu ainda só vou a meio, mas acho interessante o facto de ele tocar numa gama tão variada de questões.

um beijo