Dedico e dirijo este blogue a todos aqueles que tiverem passado (ou estiverem a passar) por histórias de cancros, quer como protagonistas, quer no papel de acompanhantes na luta contra a doença, mas espero por cá encontrar qualquer contributo que qualquer um considere válido.
A intenção principal é trocar experiências de forma direta e sincera, sem necessidade de qualquer apoio no escudo da força constante e do pensamento sempre positivo, que tantas vezes não estão presentes, mas parece haver uma imposição social para que assim seja...
Sejam bem-vindos! E divulguem este blogue!


Por aqui, discorre-se sobre:

... Acompanhamento Psicológico Ajudar quem Ajuda Alertas Alimentação Alopécia Antes e Depois Aquisições autoestima Brincadeira Cancro da Mama nos Homens Cansaço Chamar os bois pelos nomes Cirurgias Cirurgias de Amigas Codependência Coisificação nas Doenças Prolongadas Complicações Pós-operatórias Consultas Conviver Cumplicidade Dar / Receber a Notícia Desafios Desânimo Desejos Desespero Despedida Diagnóstico Dicas Dieta Distinções Efeitos Secundários de Medicação Emagrecer Encontros de Amigas Esclarecimento Esperança Estilo de Vida Estímulos Exteriores Exames Pré-operatórios Exemplos Famosos Com Cancro Feminilidade Filosofia de Vida Pós Doença Fisioterapia Fracassos Gang da Mama histerectomia Histórias de Luta Hormonoterapia Hospitalizações Humor Implicações Psicológicas Incongruências Informação Lingerie Correta Lingerie Pós-Operatória Medos Meios Complementares de Diagnóstico Meios de Diagnóstico Menopausa Depois do Cancro da Mama Modos de ser Mudanças na Vida Natal Nova Normalidade Novas Amizades Novidades O Cancro em Pormenores O Cancro Não é Só uma Doença; é um conjunto de doenças O Cancro Não é Só uma Doença; é um conjunto de doenças; efeitos secundários da medicação Ocupação em Tempo de Baixa Os cancros dos amigos e familiares Palavras Alheias a Propósito do Propósito Parabéns Partilhar a Doença Perdas Pós-cirurgia Pós-operatórios Prazer em encontrar quem nos entende Prazeres Prevenção Prevenção de Recidivas Processo de Recuperação Projetos de Sensibilização Quimioterapia Radioterapia Rastreio do Cancro da Mama Reações Alheias Reações Pessoais Reconstrução Mamária Regresso à normalidade Regresso ao Trabalho Sentimentos negativos Sexualidade Sinais Sintomas Solidão Tamoxifeno Terapias Toque Tram Flap Tratamentos Verdade Verdadinha Vitórias Vontade de ter poder sobre a doença

riscos marcantes

riscos marcantes

NOTE BEM

No dia 11.1.11, este blogue passou a ser escrito à luz do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

domingo, 13 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Nostalgia Pós-Histerectomia



Tenho tido tantas saudades de quando estes meus bichinhos me saltavam para o colo!...
Deve ser por isso que não paro de pensar em ter um cão...
Vou abrir concurso para o nome do cão, e depois logo se vê no que isto dá!...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Nem Todos os Regressos ao Trabalho de Doentes Oncológicos São Facilitados


Analfabetismo e Escola Inclusiva

Pobre Marco! Foi meu aluno, fez-me a vida negra nas minhas duas tentativas (em dois anos consecutivos) de regresso à escola depois do cancro e, assim como não há legislação que proteja um doente oncológico no seu regresso ao trabalho, também não há quem valha a um rapaz como este, que INCLUEM numa turma de alunos normais, onde só consegue desestabilizar os colegas e perturbar o trabalho dos professores, transitando de ano porque sim (porque o sistema de ensino o exige), sem nada aprender enquanto atrapalha aqueles que também o atrapalham a ele, pois não era ali que ele devia estar.
A escola inclusiva é um embuste e o ensino especial deixa quase tudo a desejar, pois não está estruturado de forma a dar resposta a casos como este.
Neste país, apenas interessam números! Convém que se registe que as transições de ano de alunos analfabetos, como o Marco, contam para engrossar as estatísticas de sucesso escolar!!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

domingo, 6 de março de 2011

Todas Diferentes, Todas Iguais



Oito dias de internamento num serviço de ginecologia podem ser extremamente enriquecedores.
Muitas mulheres de pijama, chinelos e roupão, agrupadas quatro a quatro em diferentes enfermarias, na medida do possível, de acordo com as suas maleitas, nunca, num outro lugar da terra, normalmente vestidas, penteadas, calçadas e maquilhadas, arranjadas para agradar, quer a si próprias, quer ao mundo, se sentiriam tão próximas umas das outras, indiferentes a estatutos sociais, habilitações académicas, modos de falar, marcas de roupa...
Distribuídas ao longo de um corredor, as enfermarias são visitadas por todas. Já que a ninguém foi dado a escolher o número do quarto, nem o da cama, e, a juntar à necessidade de caminhar, em prol de uma rápida e eficaz recuperação, todas vão circulando e visitando - ora pela "avenida, vendo as montras", ora entrando nas "casas" vizinhas, onde as pausas nas caminhadas oferecem mais uma ou outra história de vida.
Tão diferentes as vidas das pessoas! Tantos maridos atrapalhados pela ausência das suas mulheres em casa: um passou a dormir na cama com o sogro; outro é acordado, todas as manhãs, pelo telefonema da mulher, que, ainda que internada, não pode esquecer-se dessa tarefa; outro tem em casa uma folha escrita pela mulher com o que há de tirar do congelador em cada dia, como há de confecionar os vários alimentos, como se põe a máquina da loiça a funcionar; outro mudou-se para casa dos sogros... Quanto a isso abstenho-me de falar, não vá parecer que me armo em boa ao revelar que o meu marido está em casa com os quatro filhos e ainda tem tempo de ir trabalhar e visitar a mulher no hospital...
Enquanto "tomamos conta" umas das outras, não haja uma dor mais estranha ou uma indisposição que deva ser socorrida com rapidez, vamo-nos surpreendendo, na verificação da nossa solicitude, do nosso regozijo em sermos prestáveis, e da camaradagem crescente a cada hora, que é um meio de encolher os longos dias de um hospital.
Todas desejosas das suas casas, ninguém abala dali sem contactos telefónicos, sem moradas, sem endereços de email...
Brinca-se quanto se pode, por vezes contendo o riso, para não doer, mas conseguindo, assim, mitigar a dor. As enfermeiras simpáticas e algumas auxiliares vão alinhando nesta criação de ilusões, o que aquece o coração e oferece uma sensação de segurança - como se não estivéssemos ali por doença, mas talvez de férias, ou talvez hospedadas por uma outra qualquer razão nada relacionada com saúde.
Os comprimidos são pintarolas, as injeções na barriga são picadinhas de mosquito e as das nalgas são pequenos tabefes por não termos comido tudo...
E vão-se fixando caras e nomes, quer das mais queridas, quer das que não devem andar com a vida doce... Ao fim do dia, ouve-se a malta a desejar 'boa noite', no regresso das visitas à vizinhança.
Tão diferentes em tudo estas mulheres... e tão iguais no seu internamento hospitalar! Que pensamos nós que somos quando tudo na vida nos corre bem? Como é possível haver sentimentos de superioridade e vergonha de certos relacionamentos?
Não há dinheiro nem instrução que nos salvem da nossa idêntica condição de humanos que nascem e morrem! E não sofrer é só uma uma sorte que alguns (poucos) têm nesta vida!

(Dedico este texto à Bia, à Glória, à Céu, à Susana, à Odete, à Leonilde, à Nazaré e à enfermeira Teresa)

sexta-feira, 4 de março de 2011

How Fragile We Are!



Apesar das nossas fraquezas
Temos aceitado todos os cortes
E para todas as nossas dores
Temos encontrado a superação

Tanto fracas como fortes
Perseguimos a remissão
Apoiadas pelos nossos amores
Caminhamos crentes em defesas

E camuflamos a fragilidade com flores

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vão tratar-me assim!


Ou seja, vão fazer-me uma histerectomia (total e abdominal)


A histerectomia é a retirada do útero, que pode ser total, quando se retira o corpo e colo do útero, ou subtotal, quando só o corpo é retirado.
Na maioria das vezes é feita através de uma incisão no abdómen, por onde se retira o útero (histerectomia abdominal). Em alguns casos também pode ser feita através de uma incisão na vagina, por onde se retira o útero (histerectomia vaginal). Uma outra abordagem é a histerectomia por vídeo laparoscopia, onde a cirurgia é realizada por pequenos orifícios de 5 a 10 mm no abdómen e a retirada do útero é feita pela vagina.
Às vezes esta cirurgia é acompanhada da retirada dos ovários e trompas (histerectomia total com anexectomia bilateral |a minha|).

Quais são os efeitos colaterais de uma histerectomia?

Em primeiro lugar, uma histerectomia encerra a possibilidade de uma mulher ter filhos.
Outras complicações incluem: lesões no intestino, na bexiga, ureteres (finos tubos que ligam os rins à bexiga, levando a urina), sangramento vaginal, infeção, dor pélvica crónica e diminuição da resposta sexual.
A remoção do útero pode deixar a mulher mais sujeita a ter tromboses e pode ser um fator de aumento do risco de enfarte. Se os ovários são retirados, a mulher perde a sua fonte da hormona feminina, o estrogénio. As mulheres que não podem submeter-se a terapia de reposição hormonal |como eu| terão uma menopausa instantânea e uma hipótese aumentada de desenvolver osteoporose e enfartes cardíacos. Mesmo entre as pacientes que não retiraram os ovários , muitas mulheres relatam sintomas como: fadiga, ganho de peso, dores articulares, alterações urinárias e depressão, após uma histerectomia.

(o que está em itálico foi adaptado da net)

A minha cirurgia vai ser total e abdominal, pois os três anos de Tamoxifeno que ainda me restam iriam garantidamente continuar a fazer estragos em qualquer "miudeza" que ficasse dentro de mim. É tudo para sair, portanto, sendo que os prós batem os contras aos pontos, pois o bicho cancro não vai ter onde pegar... Todas as más hipóteses serão, naturalmente, controladas ao longo da vida que me restar.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ligaram-me do S. Teotónio



Finalmente, vou passar uns dias ao "Hotel" S. Teotónio! Já quase me desenganava e estava a ver que tinha de me resignar a conhecer apenas os aposentos e os serviços do Francisco Gentil.
Tive sorte, contudo, pois à conta de consumir diariamente um medicamento que é preciso escoar no mercado, saiu-me uma estada de uma semana num hotel que só conheço de visitas e acompanhamentos. Talvez por ser um hotel da minha cidade, e, de facto, não ser costume pernoitarmos em hotéis perto de casa! Foi uma sorte incrível. Com tanta gente a tomar Tamoxifeno, pensei que nunca seria bafejada, mas a verdade é que vou começar a usufruir de várias ofertas já na manhã da próxima segunda-feira.
Útero, ovários e trompas ficam lá para eles, mas, em troca, eu posso trazer para casa uma cicatriz e algumas dores. Enquanto lá estiver hospedada, para além da pensão completa, tenho garantida toda a medicação de que necessitar, duches de água quente e televisão por cabo. Também garantem cofre, para guardar as roupas, e mini-bar, para podermos confraternizar com alguém que queiramos receber durante a tarde. À noite, é sempre oferecida uma ceia, que pode ser tomada em confraternização com os outros hóspedes.
Estou, naturalmente, radiante, mas vou ter o máximo cuidado a fazer a minha mala, pois é conveniente estar à altura do local onde nos encontramos e da qualidade dos serviços que nos prestam.
LOL, lol, LOL

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um Projeto de Vida: 100 Mulheres 100 Cancro


Estou a pensar contribuir também para este projeto, emprestando a minha carinha laroca (lol) à objetiva. ;-)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Eu acho que até sou rija! LOL

Então não sou?!...
Tirando o cancro, que exigiu 4 facadelas, e a histerectomia, que vem aí a passos largos, depois de uma apendicite, aos 25 anos, e de me terem acabado com as amigdalites aos 4, alguém já me viu doente, com febre ou gripe, ou assim?
Nada disso! Só um camadão de tosse que durou vários dias, quando estava grávida de gémeos, aos 8 meses de gestação, tão reles, tão reles, que dormia sentada e precisava de dois acompanhantes para conseguir ir ao WC (de tantas dores musculares)... e outro camadão de tosse do mesmo género, anos antes, imediatamente a seguir à operação ao apêndice. Lindo de morrer! Ah, e as mamas todas encaroçadas depois dos partos, com choradeiras de mãe e filhos, eles porque não conseguiam mamar, eu porque tinha dores de gritar (mas não gritava, que é que pensam!?) nas massagens com Thrombocid, para desfazer aquela coisa, que deitava cada esguichadela de leite que dava para ser apanhada a vários metros de distância...
De resto, foram mesmo só os antibióticos que tomei todos os anos enquanto morei em Queluz (até aos 35), por causa das faringites (até nas gravidezes os tomei sempre, ou então morria da infeção...), uma vez que a proteção das amígdalas foi-se logo quando ainda era uma menininha...
Então não sou rija? Estou aqui para as curvas, cheia de aperto e dor na mama reconstruída, nunca mais acabo com a depressão (agora tenho dias), sinto-me sozinha, apesar da minha família nuclear grande, parece-me que não faço cá falta nenhuma, pois ensinei toda a gente a ser autónoma cá em casa...
Portanto, não venham cá dizer-me que não sou rija, porque se não fosse já tinha era ido desta para melhor há muito tempo!
Pronto, já disse.

Beijinhos, ó rijaças!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Novidade na Reconstrução Mamária: Gel de Plaquetas



Cirurgiões espanhóis do Hospital German Trias i Pujol, em Barcelona, criaram um gel de plaquetas que serve para restituir o volume da mama após a extração de um tumor, com a vantagem de que se coloca no mesmo ato cirúrgico e permite conservar a forma do peito.

A técnica é pioneira no mundo e já foi aplicada a meia centena de mulheres com resultados positivos, conforme informa a instituição de saúde em comunicado citado pela imprensa espanhola.

As plaquetas utilizadas são obtidas através do sangue de um doador e com elas elabora-se o gel com uma consistência semelhante à da mama, que restitui o volume e regenera as fibras de colagénio perdidas.

As plaquetas não são células, mas fragmentos celulares, pelo que não se corre o risco de rejeição por parte do recetor. Contêm também propriedades de crescimento e imunomoduladores que aceleram a reparação e a regeneração do tecido.

Calcula-se que 7 em cada 10 mulheres que têm um cancro da mama necessitam de realizar uma tumorectomia, cirurgia para extração do tumor no peito. Três em cada 10 necessitam mesmo de uma mastectomia que supõe a remoção total da mama.

Nas cirurgias de extração de tumor não se reconstruía a mama a não ser numa altura posterior com recurso a ácido hialurónico ou com gordura de outra parte do corpo do paciente, mas nem sempre com o resultado desejado.

A nova tecnologia liderada pelo cirurgião Joan Francesc Julián foi patenteada pelas três instituições envolvidas no projeto pioneiro: o hospital e Instituto Germans Trias, a Universidade Autonoma de Barcelona e o Banco de Sangue e Tecidos.

in boasnotícias.pt

domingo, 23 de janeiro de 2011

Há exatamente três anos...

...vivi o primeiro dia do resto da minha vida!
Já levo três de ganho sobre a morte, portanto, e muitos mais planeio conseguir (mesmo sem os planear!...)

Parabéns a mim, que faço hoje três anos do segundo tempo da minha vida...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Decisão tomada: Histerectomia Total

A histeroscopia aconteceu com uma perna às costas! Bem, não foi literalmente assim, mas as mãos estiveram atrás da nuca, como quem está na cadeira da piscina a tomar sol... E o meu querido endométrio, para além do que referi noutro post, voltava a ter um pólipo, como no ano passado. E as hormonas andam por aqui aos saltos, pois é, danadas para a brincadeira!
De maneira que já assinei a autorização para me retirarem as entranhas femininas (histerectomia). Espero depois não virar uma macaca peluda e com voz grossa. LOL E já marquei os exames pré-operatórios, os quais começam na próxima segunda-feira, dia 24.
Dentro de um a dois meses, no máximo, terei tudo fora de mim, e mais gozo não darei ao estuporado Tamoxifeno, que deixará de ter onde fazer das suas malandragens. O médico diz que tenho de continuar a tomá-lo, pois é um preventor de uma recidiva na mama, mas ficarei livre dos seus efeitos secundários.
Serviço de recauchutagem de pneus é que não têm, pelo que me vejo obrigada a ser mesmo eu a guardá-los. Bolas! Que deceção (até dói escrever algumas palavras...)!
Lá volto eu ao bloco operatório! Cá para mim, alguém fez um contrato de arrendamento, falsificando a minha assinatura, para utilização, no mínimo, uma vez por ano. Mas tanto melhor, pois tudo o que for para cortar as hipóteses de um novo cancro pode contar comigo. Vá de retro o cancro inimigo!!!
Enfim! É vida isto, e enquanto for vida... estamos a aprender... andamos por cá!

Consequências da histerectomia: entrada imediata na menopausa, ou seja, afrontamentos, suores frios, impaciências, depressão (ah, esta talvez não, porque já tive a minha conta!), and so on.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A propósito do modo como os saudáveis lidam com os doentes

Comecei hoje a ler o livro do António Feio, que, tanto interesse suscitou à minha filha que acabou por me vir parar às mãos. E logo me chegou a vontade de partilhar convosco este excerto, em que ele lamenta a falta de solidariedade de algumas pessoas perante os problemas dos outros.

A mensagem principal que quero deixar às pessoas é que se há um problema é preciso resolvê-lo da melhor maneira, há que não ficar quieto, há que tentar de tudo primeiro, nunca desistir. E quando digo isto, já não falo apenas das situações em que estamos doentes, mas sim dos problemas em geral, porque acho que existem princípios e atitudes que se podem aplicar a tudo na vida. É óbvio que em situações destas o apoio que recebemos à nossa volta e o simples acto de falar sobre as coisas só pode ajudar. É preciso que as pessoas percebam que têm de se envolver em causas, pensar sobre as causas, ajudar os que estão envolvidos e a sofrer, e não apenas fazer de conta que se preocupam com elas participando simplesmente de campanhas como as dos donativos para a Liga contra o Cancro,que me parecem tão simbólicas como dar cinco tostões para ajudar a mesma. Importante é as pessoas terem uma atitude positiva e pro-activa. Perceberem que amanhã o assunto pode ser com elas.
Depois parece-me que as pessoas no geral olham com uma certa restrição e com alguma pena para os que têm uma doença como a minha ou que passam por um processo idêntico, quase não lhes manifestando aquilo que sentem. Imagino que algumas não saibam como reagir, outras terão simplesmente falta de sensibilidade. Para muitos, e como o problema não é deles, pensam: "os outros que se danem".
(...) Eu sou uma pessoa com sorte, no meio de tudo isto. Tenho a felicidade de ter uma família enorme e imensos amigos que me mimam muito. Posso dizer que tenho bons amigos. Mas acho que as pessoas em geral deviam dar mais apoio a quem precisa, dar uma ajuda mais pessoal, deviam ajudar-se mais umas às outras. Do outro lado vão encontrar uma pessoa igual a elas próprias a precisar de apoio, ou a precisar simplesmente de uma palavra ou de um carinho.
(...) Se as pessoas começarem a parar por um momento para olhar para casos como o meu, ou, simplesmente,para a sua própria vida com olhos de ver, talvez comecem a relativizar os seus próprios problemas e possam perceber o que de facto vale a pena na vida. Talvez a consigam aproveitar melhor.
Pois a verdade é que a maioria dos problemas de que as pessoas se queixam habitualmente, não são, na verdade, problemas.
Apesar de eu ter levado uma vida muito agitada e ocupada sempre me preocupei com as pessoas que passavem por dificuldades. Mas hoje sinto que poderia ter tido uma atitude mais pro-activa em relação a essas pessoas. É claro que depois de saber que estou doente, passei a ver esta questão de um modo completamente diferente, mas mais vale tarde do que nunca.

ANTÓNIO FEIO, in Aproveitem a Vida

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A caminho do segundo cancro!

Para 2011, tornei pública a vontade de que se concretizassem dois desejos meus: não ter de ser operada e emagrecer dez quilos.
Quanto ao emagrecimento, estou já a fazer por isso, com o acompanhamento de uma nutricionista e do meu personal trainer, o meu marido, que é professor de Educação Física.
Quanto a operações, as revelações de janeiro apontam claramente para que o meu desejo não seja satisfeito, apesar de ainda não ter todas as informações de que o meu ginecologista quer dispor.
No dia 12 fui à consulta de controlo e o Dr anunciou-me um quisto no ovário direito, razão pela qual foram agendadas análises de sangue e urina, para dia 15, com a intenção especial de conhecer a actividade das hormonas, e ecografia transvaginal para hoje, 17.
Hoje, o relatório atesta um endométrio espessado e três quistos no ovário direito, cujos tamanhos, em milímetros, são de 47, 21 e 13. E ficou agendada uma histeroscopia, para a próxima quinta-feira, dia 20.
- Que quer isto dizer, Dr, estou a caminho do cancro do endométrio?
- Sim, mas numa fase que vai ser controlada. O Tamoxifeno dá muito nisto. Por isso é que não se pode negligenciar a vigilância. Mas hoje pode ir calma e serena, pois estamos a tempo de tirar os ovários e o útero sem qualquer problema.
- Não quero outro cancro, Dr, já me chegou um. Se ainda só tomo Tamoxifeno há dois anos e já tenho problemas, nos três que me faltam chegaria lá...
- Provavelmente, mas vamos tratar já do assunto. Vá ter comigo à Urgência da maternidade na quinta-feira e leve já o resultado das análises que fez. Temos de fazer uma histeroscopia.
- Ainda o ano passado fiz uma, por causa de um pólipo.
- Pois, mas vai ter de fazer outra. Já sabe que é só uma dor do tipo menstrual...
- Sei...

Ou seja, a caminho do segundo cancro, vamos intercetar as más influências e acabar com elas. O Tamoxifeno tem de continuar a ser tomado, para inibir os estrogéneos, que fazem aparecer e proliferar as células malignas. Mas é o Tamoxifeno que estimula o endométrio, o qual é ainda mais estimulado pela presença de quistos no ovário. Só falta mesmo saber a quantas ando no cômputo geral das hormonas, mas já parece estar ditada a sentença...

Uma ideia positiva surgiu-me logo: ninguém me tira as entranhas sem me levar também os Pirelli, os Michelin e os Dunlop! LOL

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Quando um Início é "sinónimo" de um Fim


Ao longo destes meses em que tenho vindo a conhecer as amigas que fiz em 2010, tenho notado um relato comum a muitas, que é o desabafo relativamente a amigos que perdemos durante a nossa história de cancro. E eu que pensava que isso só tinha acontecido a mim, porque, sem entender, não conseguia aceitar!...
Hoje, já em 2011, à beira de perfazer três anos como mastectomizada, percebo que, apesar de a vida não parar, todas nós encerrámos um ciclo e iniciámos outro no dia em que nos levaram um pedaço do nosso corpo (e da nossa alma). Foi violento o bater da porta, tão violento que ela se fechou e abriu de imediato, tão violento que muitos não gostaram do ranger que lhe ficou a partir daí e, por isso, partiram do nosso núcleo duro sem sequer se despedirem ou sem demonstrarem que chegámos a ser importantes para eles...
Não costumo fazer balanços, mas, a respeito de 2010, nunca esquecerei a aprendizagem de vida positiva que me foi proporcionada pelas meninas do Gang da Mama. E tenho de oferecer um abraço apertadinho a cada uma.
Bem hajam, minhas queridas, pois agora já consigo segurar-me na caminhada por novas veredas. Já não estou permanentemente à espera de quem eu achava impossível que partisse. Aprendi que a amizade e o amor não são incondicionais e que a vida nos oferece a liberdade de nos afastarmos de muitos daqueles com quem não nos identificamos.
Aprendi a respeitar essa realidade e, apesar de a mágoa me ter retirado qualidade de vida, durante tempo a mais, contribuiu para que eu agora seja mais prudente nos gastos das energias positivas.
O cancro não é UMA doença; é um conjunto de doenças, e, como tal, surpreende-nos em todos os dias da nossa luta, e surpreende também aqueles que nos rodeiam, dos quais, uns aceitam as nossas reações e outros não.
Ninguém sabe como reagirá se for assolado por um cancro, como não sabe como reagirão os seus amigos, a variadíssimos níveis. Não aceitar as diferenças reconhecidas num amigo de longa data será, do meu ponto de vista, como não se aceitar a si próprio, quando se der o auto-reconhecimento de que muitos dos comportamentos pós-cancro são verdadeiras surpresas com as quais é difícil lidar, mas trazem consigo a oferta de uma força nunca imaginada possível pelo doente.
Os amigos que não nos aguentaram passam a figurar no nosso álbum de boas recordações. Já nem interessa lembrar que não conseguiram acompanhar-nos durante o período menos bom da nossa existência. Porque se trata de viver fases distintas de um percurso, e, se em determinada fase temos a companhia de A, B e C, noutra serão fundamentais E,F e G. E por aí fora.
Diz-se que os amigos se revelam nas circunstâncias... O meu cancro foi a circunstância da minha vida. Mas doeu tanto perder várias pessoas como me fez crescer incomensuravelmente a alma ter conhecido muitas outras!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ó p'rò Flamingo Zé a dar-me os parabéns!



Tão querido! Adorei. Estou encantada por ele gostar de mim e por ter voado até Viseu, para me fazer feliz hoje.

Muito obrigada!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Há tempos, o Gustavo disse-me:

- Se continuares a queixar-te, um dia veem-te na rua e comentam:
- Olha ali a chata da Margarida, não olhes, vamos atravessar...
Nesse dia, cheguei a casa, fechei a todos o acesso aos meus blogues, deixei de escrever e tenho andado a pensar...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Always Feeling Good



A nós, que aprendemos tanto com os nossos momentos menos bons, desejo um ano novo "always feeling good" - porque merecemos e porque, com jeitinho, sei que já conseguiremos atingir essa meta.

LU ALL

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um Natal Diferente



lolololol

Agora, a sério:
Desejo-vos um Natal quentinho e doce, recheado de harmonia.

*****

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Num beco! Sem saída!

Viajem comigo no tempo, por favor
Levem-me de volta até mim
Não posso mais com esta pedra
No meu peito sem eu querer erguida

Porque é que ninguém me perguntou
Possibilitando-me o não ou o sim
Se queria uma dor para a vida ou
Se dava a vida para não ter dor

Venham comigo ao passado
Àquele tempo em que fui margarida
Inteira, una, livre, sem pedra
Quando inda o meu destino não fora decretado

E deixem por lá o meu corpo pousado
Num lugar em que eu colha guarida
Onde me deixem de novo ser flor
Leve e alegre, orgulhosa de mim
Onde inda não more aquilo que me mudou
E ninguém queira ao meu peito uma pedra

Não quero a dor e a vida
Porque não é vida esta constância de dor

sábado, 4 de dezembro de 2010

Feliz Aniversário, Cinda!

A nossa Cinda chegou a meio da caminhada.
Ó p'ra ela tão giraça, a caminho da festança!




Ia toda acelerada, com pressa de chegar aos três dígitos, mas teve mesmo de fazer uma pausa, porque a malta reuniu-se para lhe cantar os parabéns...
Eheh! Por esta não esperava ela. Achava que fazia a viagem toda de seguida, sem sequer uma pausa para KitKat, mas enganou-se, a chavaleca! ;-)

PARABÉNS, MIÚDA!

*_*

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Foto de Família da Cimeira do Gang



(Pena algumas já terem abalado!)

Hoje estou jururu! Porque moro muito longe de todas vocês e em dois almoços ainda não consegui satisfazer a vontade de estar sossegada e confortavelmente à conversa convosco. A empatia foi muito grande e, por isso, todo o tempo parece pouco, mas foi pouco, de facto. Terei, no entanto, de ser paciente e esperar pelas muitas vezes em que ainda vamos encontrar-nos, talvez noutras cidades do país ou, quem sabe se algum dia, fora dele...
Às vezes penso que todas nós adoecemos porque estava escrito no livro de cada uma que as nossas passagens por esta vida precisavam cruzar-se...

Beijos a todas

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Rosa Esperança Amanhã em Palco



Não percam!
No CC Caldas da Rainha, às 21:30h.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Distinção




O Mamas à Lupa foi hoje distinguido pela Acácia Rubra, autora do blogue Acácia Rubra , com o Prémio Dardos.

Passo a transcrever os fundamentos e as regras deste prémio, tal como os encontrei no blogue da Acácia.

«O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Estas são as "regras" (não há penalização para os eventuais incumpridores...!):

- Exibir a imagem do Selo no Blog
- Exibir o link do blog [de] que[m] você recebeu a indicação
- Escolher 10, 15 ou 30 blogs para dar a indicação e avisá-los.»

A Acácia afirma que, "pela sua luta na informação, partilha de sentimentos e experiências, [este blogue] tem tido um papel preponderante na vida de muitas mulheres e famílias que convivem com tal doença".
Espero, sinceramente, que assim esteja a acontecer, embora, nos últimos tempos eu tenha andado mais virada para os blogues de algumas dessas mulheres, por me parecer que, neste momento, estão a precisar de mais mimo do que eu, e o mimo é para ser dado quando ele está a fazer falta.

Obrigada, Acácia Rubra. Um beijo

Como não consigo nomear dez blogues, pelo menos (como ditam as regras), escolho dois aos quais atribuo esta distinção: o Estrelinha Só, da Natália, pelo seu constante e incansável esforço para manter a malta animada, e o Super Glamorosas, pela mão especial da Isalenca, pelo seu carácter informativo no que respeita a tudo o que diga respeito à doeça, desde informação clínica a eventos, etc.
Este destaque não desprestigia nenhum dos blogues das meninas do grupo que tem estado em contacto (o qual foi baptizado com o nome Gang da Mama), pois todas têm contribuído decisivamente para a melhoria do bem-estar de todas, quer partilhando as suas experiências, quer mimando-se umas às outras.
Sinto-me muito feliz por ter conhecido esta gente boa e já me preocupo com todas e sinto por elas um carinho muito especial, como se o conhecimento fosse de longa data.
Ficam, portanto, aqui todas distinguidas também, pois já entraram no meu coração e eu sinto vontade de as cá aconchegar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

No Próximo Sábado, nas Caldas da Rainha













Apareçam, pois, se não o fizerem, não vão perdoar-se nunca por terem perdido um espectáculo verdadeiramente fantástico de revelação de todos os pormenores da guerra que é a luta contra o cancro da mama. São as próprias guerreiras as "actrizes". Ninguém melhor do que elas para transmitir as dores do corpo e da alma, os momentos de esperança e de garra, os de fraquejamento e de medo...

Aqui fica um excerto de um vídeo que faz parte da peça. Para aguçar o apetite.



E um pouco do ensaio geral.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Centrada em Mim

Isto não pode continuar. A minha cabeça funciona a mil, a minha mama dói-me, eu fico de atestado com uma nova medicação, até me passar a revolta em relação ao mundo (especialmente o do trabalho, que parece não querer arranjar-me condições para eu me lá aguentar...) e só penso em mim, em mim...
Quero sair desta! Alguém tem ideias para eu pôr em prática aqui em Viseu, relacionadas, por exemplo, com a divulgação da importância da prevenção? Ou outra coisa que vos ocorra...

domingo, 31 de outubro de 2010

Noite de Nomeações, vulgo Bruxaria



Aqui se afixa o anúncio para a Grande Noite das Bruxas do Reino do Gang da Mama.
Vestidas com as vossas melhores peças, desenhadas e concebidas pelos melhores costureiros, estais todas convidadas a aparecer por cá, para que se eleja a Bruxa Mor do Gang, respeitante ao dia de hoje, a qual será presenteada com esta espécie de selo, que poderá levar para sua casa / blogue seu.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um Laço Rosa à Volta do Mundo

Aderir aderi, mas não voltei a atinar com o caminho para o laçarote... Snif!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

As Rosinhas, cheias de Esperança, na Praia



Para quem já conhece, nunca é de mais voltar a ver; a quem não conhece, sugiro que pensem que todas estas meninas já passaram por muitos maus bocados, mas estão cá, de pedra e cal, sem vontade de largar os seus pertences mais valiosos deste mundo: aqueles que lhes querem bem.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ontem Fui a Rio Maior - como uma rosa, esperança


Fui ver as nossas meninas no palco, no Cine Teatro de Rio Maior. Levei o marido e os quatro rebentos.
Fomos ver o início de mais uma temporada de espectáculos do Projecto Rosa, Esperança. Foi um convite expresso da Cinda e acabou por ser, para mim, uma surpresa, ver também em palco a Nela e a Alda. (Como vêem, ainda sou caloira nisto)
Todos adorámos o espectáculo, forte, envolvente, cheio de tudo o que rodeia e integra a vivência pessoal e familiar do cancro da mama, desde a hora do susto em que se percebe que algo não está bem connosco, até ao momento em que se chega à certeza de que "o melhor ainda está para vir".
São muitas as ocasiões em que a lágrima não evita chegar-nos ao canto do olho e se atreve mesmo a rolar-nos pela face, de tão genuinamente vermos retratada uma história de medos e forças entrecruzados, sempre com um olhar de luz dirigido a uma meta de vitória sobre a adversidade, porque a adversidade não há-de ser mais forte do que a vontade de a vencer!
Considero este espectáculo muito importante para a sensibilização de qualquer cidadão no que concerne a muitos pormenores relativos a esta doença, tanto a nível médico, como a nível pessoal e emocional. Mas fiquei particularmente feliz por poder partilhá-lo com a minha família nuclear, que tem sido o meu suporte durante estes três anos, apesar de no início do processo os meus gémeos terem apenas 8 anos, o mano a seguir ter 10 e a mana mais velha ter 12 - gente que sempre esteve a par de tudo o que se passou comigo e que até me ajudou a ficar careca, numa sessão fotográfica numa tarde de sábado.
O país devia conhecer melhor estas rosinhas. Em minha opinião, o Projecto Rosa, Esperança é uma das formas de alertar para a prevenção do cancro da mama. Devia, portanto, ser ainda mais acarinhado, chamado às salas de espectáculo deste país e muito divulgado pela comunicação social. É que, apesar de estarmos no século XXI e de talvez sermos maioritariamente informados, a vida absorve-nos o tempo para o tratamento de outros assuntos e podemos esquecer-nos de nós.
Parece-me urgente ajudar as mulheres a lembrarem-se de si próprias, porque elas andam cansadas, muito preocupadas com os empregos, com os maridos, com os filhos, com os trabalhos domésticos... e até se esquecem de fazer a palpação, e até se esquecem de marcar para o ginecologista e de irem fazer as mamografias... E chega um dia...

Vivam, meninas!
Emocionámo-nos até às lágrimas (eu e o meu marido) e os miúdos pareceram ter interiorizado alguma coisa de que um dia talvez falem.

Continuem sempre, fantásticas amadoras da vida!

Um grande beijo para cada uma de vocês

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Gang da Mama Multiplicando Forças



Obrigada, Paula, pela foto.

Foi o meu primeiro encontro a todas as dimensões com estas minhas novas amigas, mulheres guerreiras, de coração grande e farto de amor para dar a todas, mesmo nos seus momentos mais baixos.
Vim para casa convencida de que tenho uma longa estrada a percorrer para lhes chegar aos... joelhos, digamos.
Adorei a boa disposição, a amizade, a franqueza da alegria dos reencontros, o mimo que me dedicaram, a brincadeira, os momentos de conversa mais a sério sobre como vão as coisas, a troca de prendas, as mensagens no livro dos registos das emoções...

A quem é que eu agradeço o facto de vocês terem aparecido na minha vida?
Que falta me fizeram durante quase três anos!

Agora... já cá estão no coração!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tenho estado no fundo dum poço, mas estarei convosco no sábado!

Desculpem esta minha ausência mesmo em cima do acontecimento. Afundei-me psicologicamente pela via profissional, e a minha dor disparou...
Mas...
Nem por nada faltarei ao encontro convosco, para o qual levo uma sacola enorme, com intenções de a trazer cheia das energias positivas e da alegria que vocês me vão transmitir. Porque vocês são do melhor que há. E se for de portar mal, eu alinho, eheh!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ao meu cunhado


"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida".
Foi isto que eu senti e marquei na agenda da minha vida a 23 de Janeiro de 2008.
O que mais te desejo é sorte, em todos os pormenores da luta contra o bicho mau. Mas sei que vais sair vencedor, pois é isso que tu és, que sempre foste e que continuarás a ser.
Este é um mês de luta contra o cancro. Não podias, portanto, estar mais acompanhado. E as minhas amigas guerreiras decerto vão também torcer por ti.

Um grande beijo meu, em especial (porque faço parte da tropa que anda na guerra)
E seis grandes beijos de Guipemaquimiti (a casa toda)

O NARCISO é o símbolo internacional da ESPERANÇA para todas as pessoas com Cancro.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Estou muito cansada da dor!!!

Veio o tempo fresco e a minha mama reconstruída à custa de uma puxadela do músculo grande peitoral para a frente da prótese, com uma boa camada de radioterapia em cima do próprio e da pele... desatou a queixar-se amargamente. Estou inconsolável. Eu sei que há milhões de pessoas pior do que eu, mas há alturas em que não consigo imaginar como é que vou viver para sempre como se tivesse vestido um sutiã meia-dúzia de números abaixo do meu e quando, já no máximo da aflição, vou para o tirar com vista a aliviar-me, caio redonda, porque não há nada para tirar! Tomo analgésicos fortes. É a minha única hipótese. Rebento com os rins e o fígado - ainda mais!
Desculpem o desabafo. Eu sei que não vos "ouço" queixar, mas a mim faz bem deixar sair esta amargura de tempos a tempos, caso contrário, começo a sentir vontade de desistir... A dor física dá cabo da cabeça de uma pessoa!
Estou extremamente cansada. A mama parece uma pedra. O braço pesa-me e dói do ombro até à mão, o stress causado pelos alunos, o frio e as emoções pioram tudo...
Ai, desaparecer, desaparecer!...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Meu Blogue Musical Faz Hoje Dois Anos

No Dia Internacional da Música, apresento-vos o meu blogue musical, Os Mestres e as Criaturas Novas, que tem estado de férias há uns meses, mas talvez ainda seja uma caixinha de música apreciável.
Se for do vosso agrado, divirtam-se.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Ele há o rir, mas há também o chorar
















Talvez andemos todos, desde pequenos, a viver ao sabor da ideia de que devemos sorrir sempre e chorar nunca, isto quando em público nos encontramos, pelo menos. E eu faço parte desse grupo de 'todos', naturalmente, mas, nos últimos tempos, tenho querido libertar-me de muitas prisões e essa é uma delas. Porque tanto rir como chorar são formas naturais de libertação de tensões e, se não forem reprimidas, ajudar-nos-ão a seguir o nosso caminho sem carregamento de pesos!
Eu sou, por natureza, muito risonha e muito chorona, dependendo obviamente das circunstâncias, mas lá me fui encaixando numa sociedade com regras, até para o riso e o choro. Só que agora, depois da doença, sinto-me a transformar-me numa rebelde e a desejar soltar de mim aquilo que me apetecer quando me apetecer, desde que não prejudique ninguém.
Comecei em casa. No início da doença, quando tinha vontade de chorar, fugia dos meus filhos, para que eles não se apercebessem de que algo de errado se passava comigo. Agora choro quando as lágrimas aparecem e explico-lhes o que estou a sentir. Eles gostam tanto de me ver rir e às vezes até também tenho de lhes explicar a razão do riso... Por que razão havia eu de lhes esconder as razões que me levam a uma outra expressão de sentimento?
A vida só é verdadeira se o for na totalidade. É pena é que precisemos de tantos anos e/ou de experiências tão duras para aprender isso e para passar a ter a coragem de, fora de casa, também nos expressarmos verdadeiramente, quer seja de rir, quer seja de...

sábado, 25 de setembro de 2010

Hot Flashes



Esta semana, registei na agenda os primeiros afrontamentos.
Claro que ainda não sei se eles significam o início de uma menopausa limpa e escorreita - porque ainda não fui ao médico, porque tomo um inibidor de estrogénios há dois anos e pode ser ele que anda a baralhar-me as hormonas, porque ainda só aconteceu três vezes, etc -, mas que senti umas sérias caloraças repentinas a subirem-me pelo corpinho e a instalarem-se por breves minutos, deixando uma sensação de suor frio no final, isso senti. E nunca tinha sentido! Novidades!!! Não bastavam as que já tenho aguentado...
E querem saber como me sinto? Não?!... Mas eu digo na mesma: meia atrapalhada, como se fossem as primeiras vezes da menstruação... no nosso tempo, claro, que agora as nossas meninas já nascem "normalizadas"!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Desânimo

Meninas,

Não tenho comunicado convosco porque estou a fechar-me em mim. O regresso às aulas está difícil. Deram-me uma turma bastante insubordinada e, depois de tão grande ausência, se com as outras me estou a dar relativamente bem, com aquela estou a enlouquecer.
Precisei desabafar. Peço-vos desculpa.
Estou muito desanimada. Tenho dias de vontade de conduzir o carro em sentido contrário ao da escola e de não aparecer mais no local de trabalho. A sério. Mas como posso fazer isso, se tenho quatro crianças para criar?
Eu sei que vocês têm aí uma caixa com palavras de ânimo, não é?

Beijocas

domingo, 5 de setembro de 2010

Estou a pensar aparecer!


Se eu for, seremos mais meia-dúzia de rosadinhos e esperançosos, alguns deles ainda saltitões. (Vai ser difícil arranjar a indumentária, mas quando há boa vontade...)
Meninas, e se fossem dizendo que sim, que vão lá estar? Adorava conhecer-vos!

E algum amigo aí quer aparecer também?

INFORMAÇÕES

O II Encontro Rosa Esperança decorre no dia 19 de Setembro, pelas 10:00, nas nascentes do Alviela (Olhos d´Água) no concelho de Alcanena, distrito de Santarém.
A organização apela às pessoas que vistam branco e rosa e que se juntem à causa levando a família e os amigos, lê-se em comunicado de imprensa.
As possibilidades de cura de um cancro da mama são superiores a 90% desde que a detecção seja precoce e o tratamento eficiente.
Em Portugal, o rastreio só começou em 1990, na região Centro, estendendo-se depois para o Norte, enquanto que no Sul quase não avançou.
“É preciso continuar a chamar a atenção, sobretudo dos nossos políticos para que o rastreio e tratamento sejam uma prioridade em todos os cantos do país”, alerta a organização em comunicado.

Portal de Oncologia Português

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Regresso à Escola

Queridas Guerreiras (e não só!)

Do meu regresso à escola fez parte o estímulo que vocês me foram dando nos dias anteriores. Venho agradecer as vossas palavras cheias de genica, que tanta genica também me deram.
Começou tudo. As aulas ainda não. Mas os profes já se reviram, a mim já disseram que estou óptima (mais cheinha, mais cheinha...), já sabem os seus horários, já têm reuniões marcadas e já tiveram uma bela duma recepção em forma de lanche nos jardins da Casa da Ínsua. Chique a valer!
Adorei voltar a estar com os meus colegas. Por muito trabalho que vá ter com eles, eles são a minha malta de trabalho. E que falta me fez esta gente durante quase três anos. Foi uma espécie de tortura estar sem eles.
Só não gostei que tivessem referido a minha nova barriguita.
Pessoal: registem aí que isto no Natal já cá não mora. Odeio esta minha nova barriga!!!
De resto, viva o novo ano lectivo, o ano que marca o início da segunda parte da minha carreira de professora...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Que saudades de pular!


Se eu me sentisse segura, se não temesse sentir a prótese aos saltos dentro de mim, hoje teria pulado ao sair da escola onde me fui apresentar para começar a trabalhar depois de amanhã.
Que saudades da normalidade dos dias, de me levantar de manhã com um objectivo determinado por uma obrigação que, no fundo, é aquilo que escolhi fazer para ganhar a vida...
E que bem que hoje fui recebida! Que descarga de mim é esta trovoada molhada do último dia de Agosto! Que alívio merecido (sem falsas modéstias)!...
Tudo me pareceu bem na escola que foi minha vizinha durante uma década e para onde eu nunca quis ir. Hoje senti uma lufada de ar fresco por estar a ser recebida por outras caras, outras vozes e outras paredes.
Sei que vai ser um ano bom. Três anos depois!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ter um cancro sem ter um mano

Dois anos e meio volvidos sobre a notícia do cancro, já muita água correu por baixo e por cima de pontes, e a vida, sendo a mesma, é outra, com fortes definições que não teriam acontecido se a doença não se tivesse instalado sorrateiramente, para, depois, ter de ser corrida, rapidamente, a estaladas e pontapés.
Costuma dizer-se que os amigos são para as ocasiões. É mesmo algo que ouço desde pequena e que até terei pronunciado algumas vezes, mas sem a consciência que agora tenho do significado profundo da expressão. É que são mesmo. O problema é saber o que são ocasiões!
Falar é infinitamente fácil. (Por isso se torna tão difícil para algumas pessoas!!!) Até prometer é fácil... Oferecer presença não. Atrapalha planos. Dar ouvidos exclusivos por tempo indeterminado e ao vivo não é para toda a gente. Há mais que fazer. (Claro que há, então uma mãe de quatro filhos, como eu, não havia de saber disso?!...)
Ai, pessoal, pessoal, movo-me entre uma multidão de gente conhecida carregada de irmãos (até cada um dos meus filhos tem três) e a mim levaram o único quando eu tinha 8 anos e trouxeram um cancro quando eu tinha 43.
Sabem que mais? Já tive tanta vontade de ir lá onde ele está chorar no ombrinho dele e falar, falar, contar, resmungar, refilar... e esperar que ele me enxugasse as lágrimas... Eu sonho que ele ia arranjar tempo para mim, de noite e de dia.

domingo, 22 de agosto de 2010

Mamas reconstruídas não aumentam nem diminuem!

Atenção: Antes da decisão da reconstrução, há muita coisa a ponderar, mas os médicos do mundo ainda não elaboraram o manual que nos poderia ajudar. São tantos os congressos a que vão, que já podiam ter pensado em compilar informação fundamental para quem precisa de tomar a decisão.

Eu já reduzi duas vezes a mama contralateral. A primeira vez fez parte do protocolo, pois a mastectomia ia resultar num desequilíbrio entre as duas mamas. E, tanto esteticamente como a nível do bem-estar físico, o resultado na contralateral foi cinco estrelas. E no ano seguinte, quando se partia para a cirurgia de construção de aréola na mama direita, a esquerda estava linda de morrer, mas muito maior do que a direita, porque eu havia engordado vários quilos, à conta do tamoxifeno e da medicação psiquiátrica. E foi um azar dos diabos ter de reduzir de novo uma mama que tão bem tinha respondido à intervenção e ao pós-operatório... Porque este ano tive problemas com os pontos e sinto picadas, comichões e dores, para além de ter perdido a beleza que tinha, pois os médicos desfizeram-na, para me arranjarem pele para a mama direita, e ela já está de novo maior, o que já estou a considerar grave. Mais valia terem-me vindo à barriga... (E agora doem-me as duas!)

Lembrem-se: Uma mama com uma prótese, se não tiver qualquer tecido mamário, será sempre do mesmo tamanho. A mama contralateral, se for natural, cresce ou diminui consoante nós engordamos ou emagrecemos. Ora, se há factores que não podemos de todo controlar quanto ao equilíbrio do nosso peso, como seja a medicação que inevitavelmente tomamos, temos, pelo menos, aqui uma questão a ter em consideração!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sete Carinhas Lindas e Vitoriosas

Grupo Rosa Esperança


Sete vencedoras do cancro da mama
Sete caras lindas após tantos sorrisos camuflando lágrimas...
Sete belezas "no alvo da moda". Que tal na campanha do próximo ano?!... Fica a sugestão. Não sei se a Lanidor e a Laço têm condições de negociar uma nova imagem para a campanha, mas por vezes uma nova imagem é por si só o sucesso de uma campanha...

Nota: Obrigada pela dica, Isalenca e restantes meninas.

Meia Dúzia de Carinhas Larocas


Acho muito bem que as carinhas larocas se mostrem pela causa nobre do cancro da mama, mas será que já pensaram em fazer anúncios com mulheres que o tenham vencido?! Talvez as carinhas não estejam tão larocas, nem os corpos tão elegantes, mas elas é que são as lutadoras, as que penaram para lá chegar, as que aceitaram as modificações do corpo e da alma para continuarem vivas! E nunca voltarão a ser (mesmo que algum dia o tenham sido) esbeltas como as que vêem dar a cara por...
quem?!...

(E quem é que se diverte na sessão fotográfica?: as meninas que bem dispostas já estavam!)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Uma Camélia para a Cris, que hoje é uma pequenina grande


E o desejo profundo de que sejas sempre saudável e feliz.

Que sejam pelo menos mais 45, menina!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Batalhas desta Guerra

Olá queridas guerreiras!

Estou sensibilizada pelas vossas manifestações relativas à minha ausência por estas bandas. Foram só férias familiares (embora com uma extensa família a que costumo chamar alargada, pois vai para lá dos primos dos primos dos primos e é um forró permanente, entre praia, piscina e saídas à noite - pois quanto a casas, cada família nuclear fica na sua.
Não levei sequer o PC, por indicação da psiquiatra. Senti-lhe a falta? Senti. A vossa falta? Especialmente. Mas sobrevivi, e era isso que era preciso provar. E está provado. No entanto, a minha alma ainda não conseguiu encher-se do prazer de ser, coisa que tão bem conheceu em tempos idos. Nem a minha amada praia conseguiu dar-me aquilo que nunca precisou de esforço para eu tomar como meu. Este ano, pela primeira vez na minha vida, nada me encheu as medidas - nem o mar calmo, nem a água tépida, nem a temperatura exterior convidativa. E passei alguns dias esticada... na cama, tentando que o calor húmido do sul da península me largasse perante a minha quietude...
Agora estou de novo em Viseu - clima seco, temperatura amena. Tenho feito máquinas de roupa enquanto a família arruma o resto. Dois dias mais serenos do que os quinze de turismo...
Concluí, minhas amigas, que a praia, o sol, o reboliço, a alegria em grupo, a festa... não constituem o ambiente para devolver ânimo e autoestima a quem isso perdeu. Eu deveria ter tido umas férias personalizadas..., realmente para carregar as baterias, para ir trabalhar...
Enfim, minhas queridas. Ainda bem que vos reencontro por aqui. Sonho encontrar-vos um dia ao vivo. Podem vocês vir ter comigo ou eu ir ter convosco.

Beijos a todas e bom fim de Verão

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Homens, façam a vossa palpação!


Homens que por aqui passam!
Não se esqueçam nunca de que o cancro da mama não é uma doença exclusiva das mulheres. Tem um grau de incidência muito menor nos homens, mas a verdade é que acontece e o factor hereditário é de ter em elevada consideração.
Marquem na vossa agenda uma data do mês para fazerem a vossa própria revisão manual e se notarem a mais pequena diferença de qualquer tipo, marquem consulta para o vosso médico habitual, IMEDIATAMENTE.

Mensagem de António Feio / Contraluz




Quero crescer depressa, para ser como ele foi...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Viver de Pedra ao Peito





















Minhas queridas guerreiras

Quando eu tinha expansor (durante 15 meses), aguentava a dor por acção de um mecanismo psicológico que me animava, pois eu sentia-me em processo, em curso, até ao dia em que uma nova intervenção cirúrgica me trouxesse o alívio, ao efectuar-se a troca do balão carregado de soro fisiológico pela massa de silicone. Aguentava porque 'aguentar' aguentamos nós tudo, mas dormir de lado era mentira, emocionar-me era um tormento, sentir uma brisa fresca era o diabo..., porque sobre o expansor estava a pele e o músculo peitoral, ambos irradiados, sem qualquer intenção de se distenderem sequer o suficiente para que não me doesse na inspiração e expiração, quanto mais no espirro, quanto mais em qualquer esforço físico, quanto mais no amor...
Ninguém diz estas coisas! Mas a verdade é que é preciso dar a volta ao mundo muitas vezes para recuperar bens essenciais à sobrevivência!!!
E quando veio a nova cirurgia, não aconteceu alívio nenhum. Ficou tudo exactamente na mesma em termos de dor. Um dia destes passarei para este blogue alguns posts que tenho noutro sobre a hipnose que andei a fazer, para tentar livrar-me da pedra no meu peito. É exactamente como vivo. Com uma pedra ao peito. E quando chego a casa, não posso tirá-la e largá-la em cima da mesa pelo menos até ao dia seguinte.

Um dia, no Verão passado, num fim de tarde gostoso, à beira de uma piscina particular, dei umas braçadas de bruços, com a minha pedra (grande) ao peito. E logo de seguida, uma amiga que fizera uma tumorectomia disse: - Agora vou eu mostrar-vos como se nada. - E nadou, toda estilosa, e, para quem viu, o que ela tivera fora um cancro na mama (como eu, que fiz mastectomia e tenho o maldito objecto estranho a magoar-me porque não gostou dos raios) e um ano depois de mim... E eu senti-me inferior e triste, só mais tarde percebi que até fiquei com um pouco de raiva, mesmo sem nada dizer...
Vocês nunca tiveram dias de raiva, contida mas...? É que eu nunca tive ninguém que soubesse ouvir-me e agora apetece-me agarrar-me a vocês.
Desculpem-me. Eu sei que o discurso até está desconexo...

Há maneiras de me doer menos, há. Não posso ter uma vida de emoções e de stress (portanto não sei como é que vou viver...) e tenho de fazer ginástica diariamente até ao fim dos meus dias. Caso contrário, atrofia tudo e atrofio eu.

P.S. Já sei que vão achar-me uma queixinhas, mas com isso posso eu bem; andei mal foi com o silêncio de muita gente.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Meninas, hoje posso ser eu a deixar uma perguntinha?


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Vou atrever-me. Responde quem quiser, claro. Obrigada.


Alguma de vocês tem alguma dor física deixada pelo cancro da mama? Se sim, como é ela, onde, por que dói, como lidam com a dor...?

domingo, 25 de julho de 2010

Selo Prémio Dardos (Recebi da Natália)

















Este selo foi-me oferecido anteontem pela Natália, do blogue Estrelinha Só, e corresponde ao Prémio Dardos.

"O Prémio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras.

Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e o reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."

Eu passo-o com carinho às seguintes meninas, que ainda nem conheço muito bem:


Cristina

Gatapininha

Gracita

Alda

Isalenca


Vamos lá a tratar da mudança do mobiliário, vá.
Ah, e sejam felizes.

sábado, 24 de julho de 2010

Essências e Bálsamos




Eu queria que tratassem de mim durante uma semana com essências e bálsamos...



É que já estou cansada de ouvir dizer:

Tens de arrebitar
Tens de beber mais água
Tens de ir à hidroginástica
Tens de te mostrar alegre aos outros
Tens de fazer exercícios para o peitoral
Tens de fazer a caminhada da manhã e a da noite
Tens de fazer bicicleta de manhã e à tarde
Tens de inventar programas com os filhos
Tens de dar vazão à roupa da lavandaria
Tens de diversificar o teu dia
Tens de ler
Não podes estar sempre no computador
Tens de ver um bocadinho de televisão
Tens de ir à baixa ver as lojas
Tens de ir ao café com uma amiga
Tens de arrumar a tua secretária
Tens de te deitar cedo
Tens de te levantar cedo
Tens de comer mais fruta e legumes
Tens de marcar na agenda os teus planos diários
...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Para Quem Procura Um Fato de Banho




AMOENA: (Cliquem em AMOENA) Fatos de banho com bolsas para próteses à direita, à esquerda, à direita e à esquerda, ou sem bolsas.
NOTA: É uma ajuda para quem não sabe aonde se há-de dirigir.
Pesquisem bem o site.

sábado, 17 de julho de 2010

Depressão Pós-Cancro


Tenho quarenta e seis anos e nada de tão mau me aconteceu na vida como a depressão pós-cancro. E no cancro tive a atenção, o cuidado e o mimo de muitos; na depressão, foi mais a intolerância...

Terapia de Grupo


Há muito que penso em integrar um grupo de mulheres que sintam necessidade de partilhar a sua experiência de cancro da mama, mas, apesar de lutar contra os pormenores desta doença há já dois anos e meio, a verdade é que não tenho com quem conversar!
Se esta mensagem tocar a sensibilidade de alguém, eu estou aqui! E poderemos começar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Tenho andado afastada deste blogue

Não tenho aqui vindo, por me parecer que isto não diz nada a ninguém.

domingo, 27 de junho de 2010

Não!

Não se deprimam!
Não se deprimam, ok!?
Ouviram?
Não se deprimam!!!
Partam uma perna.
Partam as duas.
Fiquem paraplégicos!!!
Mas NÃO se deprimam!
NÃO!!!
Ninguém vos vai ajudar.
Porque NINGUÉM vos vai entender!
Não deixem que isso aconteça.
Venham cancros quantos forem...
Depressões não, não, não!
Por favor, não!

sábado, 26 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Claro que me têm tratado bem no IPO...

... Como se eu fosse um Lamborghini



...um Maserati



...ou um Ferrari


...

Rarissimamente como PESSOA que sou!

terça-feira, 15 de junho de 2010

E se...?


Pois! E se, em vez de me repuxarem a pele, para me inventarem um mamilo, só para dizer que há simetria no meu corpo, sendo que à custa da simetria há ainda mais dor daquela que é desnecessária, uma vez que eu não vou ser capa da Playboy nem coisa que o valha (se há algo que o valha!...), eu enveredar por uma tatuagem que marque em mim não a semelhança com o lado esquerdo mas a identificação com o meu nome? Que tal?
Indirectamente, esta foi uma sugestão que o doutor JVM, o cirurgião oncoplástico que me operou, me fez agarrar no ar ontem no IPO: "até pode tatuar uma flor, why not?"
Tatuar uma margarida a partir da aréola...
Podem opinar (apesar de não ser para vocês verem, hi, hi!)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Quanto dura um pós-operatório?

Entrar para um bloco operatório com a finalidade de ser submetido a uma intervenção cirúrgica pode gerar as mais variadas reacções nos familiares e amigos do próprio. Há quem não arrede pé da porta do bloco (pais, filhos, tios, famílias inteiras...; há quem aguarde em casa de telefone e relógio debaixo de olho; há quem aguente sossegado que as notícias cheguem pelas vias normais...
Quanto aos doentes, há quem queira o seu mundo inteiro por ali, quem não queira por ali ninguém, quem faça uma ou poucas escolhas...
Entrar num bloco operatório para ser operado contempla sempre uma consulta de anestesia, um electrocardiograma e um raio x de tórax, mas não costuma contemplar, infelizmente, uma consulta de preferências pós-operatórias. Ninguém nos pergunta se queremos ou não visitas e quantas permitimos ao longo do horário a elas dedicado; como ninguém nos pergunta se queremos ou não a televisão ligada o dia inteiro; e nem interessa se esses factores nos fazem subir a tensão arterial, por exemplo.
O que vale (o que vale? não sei!) é que hoje em dia despacham-nos do hospital numa corrida e em dois dias parece aos "de fora" que está o pós-operatório feito. Na minha terceira vez desta história até com o bobi fui para casa (Rrrrr!). Depois, claro, tive de lá voltar daí a uns dias para me tirarem o dreno, que, porque já tinha criado aderência e porque mo tiraram comigo em pé, saiu aos puxões e fez-me ver as estrelas todas do sistema solar, pelo menos, e ficar dorida durante muitos meses.
Já agora, conto também as outras aventuras pós-operatórias. Da primeira vez, ao cabo de oito dias, o que parecia ser um seroma levou o médico a espetar-me uma agulha para me retirar o líquido remanescente, mas o resultado foi um furo no expansor, que até ao dia seguinte conseguiu verter boa quantidade do soro fisiológico que já lhe tinha sido injectado a cada três ou quatro dias. Resultado: operada de novo, ao nono dia do pós operatório (ainda nem comia com a mão direita...).
Na terceira operação, descobriu-se uma inflamação na mama no dia de tirar pensos e pontos, o que obtigou a mais duas caixas de antibiótico oral e duas bisnagas de antibiótico tópico, durante muitos dias... com (ar)dores, evidentemente.
É curioso o descanso de todos aqueles que ligam a saber se a operação correu bem, muitas vezes imediatamente a seguir a ela ter acontecido, e depois não voltam a "aparecer". O que seria a operação correr mal? Morrermos nela? É que, depois de quatro em dois anos e meio, já acho os pós-operatórios bem mais importantes do que as próprias operações. É neles que se sofre e que se sente solidão. Na operação estamos entregues a mãos competentes e estamos inconscientes.
No pós que ainda vivo tiraram-me os pontos tarde de mais e já não conseguiram puxar a linha intradérmica por baixo da mama esquerda. Puxaram tudo o que conseguiram (e eu voltei a ver estrelas), cortaram, e o resto ficou lá dentro. Passaram vinte e dois dias sobre a cirurgia e tenho hoje um empolamento em linha, exactamente na zona onde passa o sutiã, o qual não imagino como se resolverá sem uma anestesia, pois o fio que está lá dentro não é absorvível pelo organismo. E à volta do mamilo também ainda tenho pintinhas pretas que são restos de pontos e me picam... Vinte e dois dias passados e vivo ainda o pós-operatório de uma operação relativamente simplória, nos tempos que correm!
Agora... o que isto mói uma pessoa não vos passa pela cabeça! Dois anos e meio depois... dá lugar a revolta!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Saudades

Tenho saudades
Da minha integridade
Da liberdade de movimentos
Da ausência de incómodo e dor
De não estar sempre cansada
Da alegria

Saudades que cheguei a pensar
Poderem tornar-se do futuro
Mas cuja imagem já se esgotou

domingo, 6 de junho de 2010

O Depósito Cheio

Tenho dois anos e meio de história da minha guerra. E neste "entretanto" a minha vida tem decorrido aparentemente de forma normal (exceptuando a falta da actividade profissional), mas convém vincar o sentido da palavra 'aparentemente'. Isto porque quem tem sentido o depósito a encher e, continuamente, a arranjar espaço para mais, sou eu e mais ninguém. Mas há momentos em que o depósito demora algum tempo a redimensionar-se, e, se por essa altura é necessário entrar algo mais, então não há hipótese de fugir à escolha: algo tem de sair para que, depois, algo possa entrar.
Neste momento, o depósito está cheio e eu tenho estado a despejar. Lamento não estar com capacidade para encorajar ninguém, mas eu estou cá e estarei, só que não escamoteio os momentos baixos, pois de cor de rosa esta história tem as boas intenções e algumas vitórias, não toda a extensão da sua dimensão...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Hoje tirei os pontos!




















Até que enfim! Abrenúncio!
Estive 16 dias cosida com nylon preto e seda branca, amparada por steady strips (tiras cicatrizantes) e enfaixada em compressas e adesivos. Já devia ter-me livrado disto tudo há uma semana, mas a espera pelo médico recomendado deu nisto. Já não podia com calor, picadelas e comichões. E agora ainda me sinto toda picada ou como se tivesse apanhado um escaldão...
Não queiram. Não deixem. Quanto mais tempo estiver dentro ou agarrado a nós aquilo que é para sair, mais custa (a todos os níveis) o momento da separação!
Agora tenho dois pensos à prova de água, por mais uns dias. Vou então tomar o primeiro duche a valer, desde o dia 17 de Maio. Que saudades! E lá vou eu iniciar uma nova fase - a da adaptação do retalho-aréola à sua nova morada, até que a reconstrução possa prosseguir.
Reconstruir é trabalho muito delicado e moroso...